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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Rito de Passagem

São luzes no céu
anunciando um novo dia...
Não simplesmente mais um,
mas aquele que renova um ciclo
entre o sonho e a miragem,pois
que o homem necessita
dos ritos de passagem
que alimenta a alma de esperança
e que como num passo de magia
traga à luz os planos facetados
de vivências...
Encadeados em fitas
desdobram-se os mundos paralelos
Eu sou... mas também sou...e
quem sabe sou...em todos os lugares,
em todas as paisagens,
círculos de vida em círculos de luz.
Fachos de luzes no céu
anunciam o novo que
na aurora vai renovar
o sonho e o mito...


Guaraciaba Perides (31-12- 2010) 22h52minutos

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O Velho e o Menino

O Velho das horas ,espera sentado
Na ponta da Lua Crescente
o barco que chega
no exato momento
da luz que renasce,
trazendo o Menino
que chega contente...
O velho das Horas sorri e acena
dizendo um adeus.
Com olhos cansados,
aninha-se em nuvens
banhadas de lua,
que cruzam os céus
levadas ao vento...
Aporta o Menino
correndo na praia,
saudando o mundo
com tanta esperança,
que a gente enternece
e pensa, quem sabe,
num mundo mais justo...
Em respeito ao Menino
que brinca confiante
na vida que veio
trazer de presente...


Guaraciaba Perides

domingo, 26 de dezembro de 2010

Achados e Perdidos

Achada uma orca assassina perdida na praia
Achada uma estrela do mar perdida na areia
Achado um verso perdido no meu pensamento
Achado o que de bom foi perdido ao longo do tempo
Achado o amor perdido em algum momento
Achada uma canção perdida na memória
E no recanto longínquo da perdida infância
Foi achada , finalmente,
a alegria da vida, ainda criança...

Guaraciaba Perides (2010)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Estrela de Belém*

Há uma Estrela de Belém
brilhando em qualquer parte.
No coração de um puro
ou no olhar de um Santo,
num riso de criança
ou no toque de um sino;
No olhar de amor
entre a mãe e seu filho...
Brilho de uma estrela,
canção da água que cai,
o sol anunciando o dia...
no azul profundo da Terra,
em qualquer canto
do Universo Pleno,
como um diamante bruto
cruzando o espaço pela noite adentro...
Estrela de Belém!


Guaraciaba Perides

* Uma estrela de Belém no coração de cada um de nós!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A Vida por si mesma


Percorre todos os caminhos
perseguindo os pensamentos,
consumindo por todos os veios e veias
a seiva , quer do verde, quer da carne,
quer da luz, do sentimento,
do afã da luta travada
entre os meandros da terra;
pela verdade que busca
e do mais puro desejo.
Que caminha entre as estrelas
das nebulosas leitosas
aos átomos da energia
que a própria vida conduz.
É a vida como num sonho
percorrendo labirintos,
construindo universos,
reconstruindo paisagens,
fabricando, desfazendo,
refazendo, misturando,
na grande alquimia do tempo,
a idéia que vai gerando
a sua própria existência...
É a vida que se constrói
e usufrui de si mesma,
em forma de pensamento,
em forma de filigrana,
da energia pulsante que
ousamos chamar de Deus.

Guaraciaba Perides (2010)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Natal

Falar de Natal é falar de nossos sonhos
Lembrar de nossa infância tão querida
Pensar Natal é aquecer a alma de saudade
E aninhar no peito a luz do Deus -menino...
Pensar Natal é renovar o sonho
de ver o mundo sob a ótica do bem
sentir a esperança renascendo,
no céu brilhando a estrela de Belém!
Ouvir natal é intuir os Anjos
cantando "Gloria in excelsis Deo"
Vontade de abraçar com alegria o mundo
E desejar a Paz para sempre. Amém...


Guaraciaba Perides.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Fiquemos assim...

Dando tratos à bola
para fazer um verso,
mas, qual o quê,
o verso está engasgado,
fica preso em algum lugar
rindo de mim...que o chamo.
_ Você quer o quê ? ( ele pressiona )
Pensa que é assim que me convence?
Basta querer e eu já estou pronto?
_ seja bonzinho ( eu lhe imploro )
Eu sei que você me quer como eu lhe quero...
Silêncio... ( o verso ficou amuado )
_ Agora não dá... perdeu-se o clima.
_ Pensa no belo, ouve o passarinho...
_ Você abusa da minha sensibilidade.
_ É o seu humor que me inibe...
_ Fiquemos quietos...você é meu verso,
eu sou sua dona, somente juntos somos felizes.
_ Fiquemos assim...enquanto você dorme,
preparo um sonho e me ajeito para depois...
Então despertos seremos um... seremos dois.

guaraciaba Perides (2010)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Castelo de areia( menino brincando na praia)

Com um balde de areia fina
emborcado na areia branca
construo um castelo.
com a pressão dos meus dedos
abro portas e janelas.
construo acessos e torres,
um fosso em torno,
uma ponte,
e sonho ver a donzela...
Em cima do torreão
levanto um mastro garboso
com palito de sorvete
colado a um papel de bala.
E de longe vem chegando
um cavaleiro andante,
que no caso, sou eu mesmo,
para salvar a bela
do malvado que a mantém
presa no seu castelo...
O meu cavalo invisível
serve bem ao meu propósito
de atacar sem aviso prévio.
Um cabo de guarda sol,
é minha lança de ponta,
com ela ataco o malvado,
ponho a moça na garupa,
dou um chute no castelo.
derrubo ao chão a bandeira,
sigo feliz com a donzela...
Afinal, sou eu , o herói,
construtor desta novela...


Guaraciaba Perides (2010)

sábado, 11 de dezembro de 2010

Poema XV (Neruda)*

Me gustas cuando callas porque estás como ausente
y me oyes desde lejos, y me voz no te toca,
Parece que los ojos se te hubieron volado
y parece que un beso te cerrara la boca...

Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas llena de alma mia.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palavra melancolía.

Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y me voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.

Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara,simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrellla,tan lejano e sencillo.

Me gustas cuando callas porque estás como ausente
Distante y dolorosa como si hubieras muerto,
una palabra entonces,una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.


Pablo Neruda (Veinte poemas de amor y una canción desesperada)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Baile de máscaras

cetim negro sob franja em prata
cintilam lantejoulas, purpurinas
máscara dourada sobre a face
esconde uma risada cristalina(Colombina)

Olhos serenos como lagos claros
doce ternura de paixão contida
sofrido peito que se sabe amante
anseio louco que consome a vida (Pierrot)

Surge o Dominó, o Arlequim da festa
e o palco se ilumina!
galantes meneios em suaves danças
alegram o coração de Colombina

Cruzam-se olhares sob ocultas faces
espreitam sem querer seus movimentos
Enquanto sonham seus amores loucos
se enredam em beijos, confetes e serpentinas...

Num canto do salão longe da festa
sofre um coração que se alucina.
Dilacerado o peito nessa dor insana
calado e inquieto permanece Pierrot.

Surge uma lágrima em seu olho claro.
Num instante brilha como estrela pura
enquanto um riso meigo lhe ilumina o rosto
esconde de todos este imenso amor...

Lá fora, a fulgurante lua
tranforma em prata líquida o oceano...
E a paz da natureza se revela
longe da vida e do sentido humano...



Guaraciaba Perides (2001)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O Tempo e o Espaço

Oscila o pêndulo
Percorre o tempo
Que abstrato no seu princípio
vai-se preenchendo de solidez.
Oscila o pêndulo
e ao movimento
sincronizado
compõe-se formas
colorem espaços
surgindo sons de algum lugar.
Oscila o pêndulo
movem-se as ondas
que ritimadas
ao som do tempo
respondem ao vento, força e e maré.
Oscila o pêndulo
colorem flores
põe movimento nas quedas dágua,
surgem pessoas que riem alto
e cantam e encantam mais uma vez.
Oscila o pêndulo
mudam paisagens
novas imagens que se alternam
rompendo espaços.
Oscila o pêndulo
cumprindo o tempo
no seu caminho
para o infinito da solidão.
Oscila o pêndulo
percorre o tempo
preenchendo o espaço
de solidez.


Guaraciaba Perides (2008)

domingo, 5 de dezembro de 2010

"Flashs"

Pele negra
Roupa branca
Prazer efêmero
Um sorvete ao sol...

Pele branca
Rubros cabelos
Ventania no farol...

Mendigo na calçada
Longa barba branca
lè placidamente um jornal...

Velocidade na avenida
Velho negro, roupa escrava
Sobe a ladeira
pés descalços pela vida...

Filme denso e torturante
saio do cinema, faiscante sol
Na calçada em frente em fila indiana
crianças com bengalas brancas
Passam cantando uma canção....

Guaraciaba Perides (2007)

Cenas que vi e guardei na memória pois senti que mereciam uma foto.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Ode ao Outono

A primavera já passou
Foram-se as flores
Veio o verão e já se foi
As folhas agora vão ao vento
mas o céu tem um azul limpo de nuvens
e a noite, muitas estrelas,
como brilham!
O tempo é cheio de delicadezas,
há um frio sutil, mas ainda há sol,
convites ao escutar da horas...
Algumas flores exóticas na forma
desabrocham em cores como fogos de artifício
e preferem o outono para um revival...
Os frutos suculentos,já maduros
lembram a urgência da vida em seu sabor...
Há sombra e luz em partes tão iguais,
e o amor se reveste de veludos e gestos brandos,
sinfonia em "alegro moderato".
Os sentidos da vida desvestem o véu do sonho
e em cada momento uma solene expressão
do querer mais...


Guaraciaba Perides(2006)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O Andarilho


Andando pelas estradas
sempre para qualquer lugar.
Enorme na estatura, forte na compleição,
sempre de roupa branca
encardido pela poeira do chão;
chapéu de abas largas e alpercatas nos pés.
Andando...
Visitava os parentes,
almoçava num dos irmãos,
descansava e saía a andar...
Passava pela fazenda de
um outro primo distante,
(parentes não lhe faltavam),
onde jantava, dormia e logo
ao romper da aurora,
partia para outro lugar.
Passou a vida andando,sem casa,
pousando aqui ou acolá...
Quando herdou algum dinheiro
tomou um trem na estação
e se pôs a viajar,
conhecendo o que podia
até o dinheiro acabar.
Da irmã ganhou um relógio,
vendeu, pois segundo dizia
"que a hora não lhe importava,
pois tinha o sol e as estrelas para o tempo marcar"...
Arranjaram-lhe um casamento
para ver se sossegava,
mas, qual o que,não houve jeito,
a noiva ficou a esperar.
Pelas estradas andava,
levava notícias de todos,
da parentela distante,
boa acolhida não
lhe chegava a faltar...
Excêntrico, é verdade,
diziam sempre em desculpa,
mas o que lhe ia no peito,
o que lhe afagava a alma,
quem me contava esta história,
nunca pode imaginar.
Ficou como lenda viva
na história dessa família
e eu, que agora lhes conto,
era ainda muito pequena,
mas trago uma vaga lembrança,
daquele gigante que vinha
vestido de branco e chapéu,
caminhando pela estrada...
Personagem de enredo,
volúpia de liberdade,
andando de léu em léu...

Guaraciaba Perides (2010)