Amigos

sexta-feira, 24 de julho de 2015

CARROSSEL

Cavalinhos de pau, girando , girando
Em volteios  alternados,
Garbosos, em cores diferentes,
subindo e descendo, ginetes elegantes...
disputados por crianças ao som
de alegre música que faz girar
também com ela
nossos sonhos como numa dança.
Talvez, seja assim, a vida como um carrossel
Volteio em espiral de sonhos repetidos
lembranças revividas de doces ilusões.
De uma bela canção soando em nosso ouvido
e de uma mão firme a sustentar nosso equilíbrio,
na roda  que se entende eterna,
no gosto bom que nos transmite a Vida...
Guaraciaba Perides



                                      CIRCLE   GAME   com JONI   MITCHELL

Tradução  adaptada fica como sugestão


Ontem uma criança veio admirada
Por apanhar uma libélula dentro de uma jarra
cheia de  medo quando o céu se  enchia de trovões
e em lágrimas quando  caía uma estrela...

Estribilho;
E as estações vão girando  e girando
e os cavalinhos pintados sobem e descem
Nós somos cativos do carrossel  do tempo
Nós não podemos voltar, nós  somente podemos olhar
para trás de onde nós viemos
E girando e girando no "jogo  do círculo"

Então a criança gira   dez  tempos  pelas estações
Patinando por dez vezes nos rios congelados
Palavras como " quando você estiver mais velho" acalmavam-no
e promessas de que algum dia realizaria seus sonhos

Dezesseis primaveras e dezesseis verões se foram agora
As cambalhotas  se transformaram em voltas de carro através da cidade
E você diz a ele ter chegado a hora, e não  está longe agora
para você  diminuir os passos pelos círculos     que seguem

E o menino que sonhou o futuro agora tem vinte
Embora seus sonhos não  fossem tão grandiosos e verdadeiros
Haveria novos sonhos,  talvez melhores, e abundantes
Antes que o  último ano se complete.

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 a vida como um carrossel segue em círculos onde os personagens vão se sucedendo
no grande jogo da vida...

quinta-feira, 16 de julho de 2015

HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA Parte XIII

continuação: A MÚSICA   POPULAR   A PARTIR   DOS  ANOS  70

No início da década de 70 surgiu um grupo que no rastro de Caetano, Gil, Gal e Bethania
trariam  ao cenário nacional uma nova expressão na música popular..."OS  NOVOS  BAHIANOS"
(Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Moraes Moreira, Galvão,, Paulinho Boca de Cantor e outros)
Viviam em comunidade, comiam alimentos macrobióticos, gostavam de rock, até que depois de um
encontro histórico com João Gilberto passaram a fundir os sons que compunham em suas guitarras
elétricas com  harmonia  produzida pela Bossa Nova.
Moraes Moreira e Galvão produziram o primeiro sucesso com "Preta, pretinha".
Com o LP "Acabou Chorare" o grupo foi para as paradas de sucesso com uma autêntica novidade
na MPB.  Posteriormente, Moraes Moreira seguiu carreira independente e divulgou para todo
o Brasil o Carnaval da Bahia. Baby Consuelo de forte presença no palco, ao lado de Pepeu Gomes,
recriou interpretações para antigos chorinhos como Brasileirinho e canções românticas para a
juventude como " Menino do Rio" (Caetano Veloso) e temas  da contracultura "O mal é o que sai da boca do homem".
Em outros caminhos musicais dos nomes também se popularizaram;Ivan Lins   ("Começar de Novo")
e Luiz Gonzaga  Júnior  , o Gonzaguinha ("Explode Coração")
A partir dos anos 70, toma vulto uma das mais fortes tradições dos subúrbios do Rio de Janeiro,
o samba tocado e cantado no fundo de quintal e no qual o público dança animado por várias horas
entrando pela madrugada, A famosa Festa do Pagode onde os sambistas mostravam a sua
 categoria como músicos e letristas, de forma livre,  sem o bloqueio das rádios e do samba comercializado estereotipado pelo carnaval.
. Foram cantoras famosas do samba de pagode, Alcione, Clara Nunes e Beth Carvalho.Esta
levou para seu disco compositores ainda desconhecidos e que atuavam no Pagode de Ramos-
1978"De  pé no Chão". Nomes que ficaram conhecidos , compositores, Arlindo Cruz,Sombrinha,
Jorge Aragão, Almir Grinetto, Zeca Pagodinho, Jovelina Pérola Negra, Luis Carlos da Vila, etc.
O pagode com gênero musical de grande importância comercial tomou vulto a partir de l986,
alcançando classes sociais mais favorecidas e outras regiões do país.
o grupo de pagode denominado "Fundo de  Quintal" introduziu inovações instrumentais e
harmônicas  em relação ao samba tradicional. Jorge Aragão introduziu harmonias mais intrincadas
e letras mais sofisticadas e ficou conhecido como o Poeta do Samba.

Outra modalidade do samba, o do "partido alto" foi um gênero que reapareceu e permaneceu na
música popular brasileira. Em 1977, Aniceto Menezes, um dos  fundadores da  Escola Império
Serrano, admitia a existência de modificações no verdadeiro e tradicional "partido alto" que
se iniciara com seus ancestrais, que na verdade fora oriundo das festas religiosas do jongo de
procedência rural, batido em tambores. No início do século XX  na  música "Patrão,  prenda seu gado" de Pixinguinha, Almirante já observara essa modificação.  Mas Aniceto, na década de 70,
assinalava o desrespeito às regras tradicionais, pois nele os versos são livres, feitos na hora e
precisam de coro. Ao sofrer tantas adaptações para servir um processo de comercialização acabou
por se transfigurar  ainda mais e transformando-se  num samba popular de pouca consistência.

O samba de raíz permaneceu, entretanto,  vivendo bons momentos nas décadas de 80 e 90 com Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Beth Carvalho e Bezerra da Silva, A sua tradição foi resguardada com
a descoberta de Walter Alfaiate, Wilson da Neves e das Velhas Guardas da Mangueira e da Portela,etc.
O Partido Alto aparece também nas batucadas de Baixada e adjacências e nas novas favelas violentas
e miseráveis , capturado por Bezerra da Silva. As rodas de partido Alto moldaram compositores como Elton Medeiros, Candeia, Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e partideiros como Clementina de Jesus, João da Gente, Xangô de  Mangueira, além de Aniceto, atestam que esse samba mesmo distante das origens é um dos mais evidentes elos entre o gênero urbanizado e sua nascente africana.

Na próxima  postagem continuaremos relacionando os novos caminhos da música popular como
o rock brasileiro e os movimentos de vanguarda e sertanejo contemporâneo, terminando o século XX

 Moraes Moreira:   com Abelha , abelhinha


.Baby Consuelo  com Menino do Rio



Gonzaguinha   com EXPLODE  CORAÇÃO


Clara Nunes   com Canto das Três Raças


E Clementina de Jesus...num breve histórico de de sua importância

 MEU BRASIL  BRASILEIRO...


segunda-feira, 6 de julho de 2015

O AMOR NO FEMININO

POEMA  DA  AMANTE

Eu te amo
Antes e depois de todos os acontecimentos,
Na profunda imensidade do vazio
E a cada lágrima dos meus pensamentos.
Eu te amo
Em todos os ventos que cantam
Em todas as sombras que choram,
Na extensão infinita dos tempos
Até a região onde os silêncios moram.
Eu te amo
Em todas as transformações da vida,
Em todos os caminhos do medo,
Na angústia da vontade perdida
E na dor que se veste em segredo.
Eu te amo
Em tudo que está presente,
No olhar dos astros que te alcançam
E em tudo que ainda estás ausente.
Eu te amo
Desde a criação das águas,
Desde a idéia do fogo
E antes do primeiro riso e da primeira mágoa.
Eu te amo  perdidamente
Desde  a grande nebulosa
Até depois que o universo cair sobre mim
Suavemente.

Adalgisa  Nery  ( in  Mundos  Oscilantes, Editora.José  Olympio- Rio de Janeiro ,1962)


CANÇÃO   QUASE  MELANCÓLICA

Parei as águas do meu sonho
Para teu rosto se mirar.
Mas só a sombra dos meus olhos
Ficou por cima, a procurar...

Os pássaros da madrugada
Não têm coragem de cantar,
Vendo o meu sonho interminável
E a esperança do meu olhar.

Procurei-te em vão pela terra,
Perto do céu, por sobre o mar.
Se não chegas nem pelo sonho,
Por que insisto em te imaginar?

Quando vierem fechar meus olhos
Talvez não se deixem fechar.
Talvez pensem que o tempo volta,
E que vens, se o tempo voltar.

Cecília  Meireles    ( Obra Poética. Editora José Aguilar, Rio de Janeiro, 1958)


O amor na poesia feminina se reveste de sonho e fantasia.




Futuros Amantes....música de Chico Buarque na voz de Gal Costa









Há música em seus olhos
Quando me fitam
Há estrelas em seus beijos
Quando me beijam
Há eternidade em suas mãos
Quando me tocam...
Em nós o infinito se desdobra

Guaraciaba Perides





segunda-feira, 29 de junho de 2015

ESTAÇÃO SAUDADE / RUA DA MEMÓRIA...

Um bonde atrelado a uma linha de ferro
Levando a um destino e a uma paisagem.
Sobe ladeira, desce ladeira,
toca sineta, até  que afinal,
descansa na Estação Saudade.
Gente que passa, que sobe, que desce,
que são pensamentos que vão e que vem...
De namoricos de senhoritas,
são velhas damas, senhores calvos...
Vai o bondinho cumprindo  à risca
a trajetória do seu destino...vai de mansinho.
- Pára no ponto, Sr. Motorneiro
- Não faz gracejo, Sr. cobrador
Porque na Vida tudo o que passa
é Passageiro e
A Saudade é o ponto final.

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RUA  DA   MEMÓRIA

Na Rua da Memória
cruzam-se largos tempos
de quaresmeiras floridas.
E ladeiras infindáveis
que fazem parte dessa rua
de nome Saudade...
Portas e janelas estão abertas
e não dispõe de grades que as ocultam,
nem sofrem o medo do obscuro...
São conversas mansas de uma história antiga,
São cantigas de roda,  namoros de portão,
E a Estrela D'Alva  lá no firmamento
expõe seu brilho como uma promessa...
Houve um tempo assim
Fique em silêncio e ouça
O passar do tempo na rua da Memória
entrelaçando sonho e realidade,
que se desfazem em brumas
na Rua da Saudade.

Guaraciaba Perides





Quaresmeira florida...


domingo, 21 de junho de 2015

POETAS CANTAM O VENTO...

FIGURAS  DO  VENTO

Figuras do vento
Nos ares divino
São finos cabelos
Na luz. Movimento
De puras  miragens,
Imagens, modelos
De formas vazia;
São asas difusas,
São voos imensos,
Perdidos no espaço
Por noites e dias.

São ventos profanos,
Rompendo, mugindo
Lavrando no mar;
São ventos lavrando
São bois de charrua,
São gênios que ceifam
Searas na lua
E animam sementes
Que irão germinar.

São ventos feridos
São ventos antigos,
Saudades de amigos,
Lembranças, rumores;
São ventos irados
Batendo em meu rosto,
De pele gelada
Marchando em rajada
Rufando tambores.

São ventos, são vozes
São queixas veladas
Nos vales de rosa.
Nos lagos de aurora
Nos golfos de mel;
Às vezes soturnas
Nas furnas rugindo
Encerram mistérios
Ungidas, sagradas
De sombra e de fel

No entanto que importa
Que o vento que passa
Segredos me faça
De histórias bem feias
De fadas somente
Contadas a mim!
Eu quero é dormir
No frio das águas
No braço das algas
No amor das sereias
Dos mares sem fim.

Joaquim Cardozo  ( POEMAS...Edit,AGIR, Rio de janeiro 1947)


SOLOMBRA

Eu sou essa pessoa a quem o vento chama
a que não se recusa a esse final convite,
em máquinas de adeus, sem tentação de volta.

Todo horizonte é um vasto sopro de incerteza:
Eu sou essa pessoa a quem o vento leva:
já de horizontes libertada, mas sozinha.

Se a beleza sonhada é maior que a vivente,
dizei-me; não quereis ou não sabeis ser sonho?
Eu sou essa pessoa a quem o vento rasga.

Pelos mundos do vento, em meus cílios guardadas
vão as medidas que separam os abraços.
Eu sou essa pessoa a quem o vento ensina:

"Agora és livre, se ainda recordas".

Cecília Meireles ( Solombra, Livros de Portugal, Rio de Janeiro, 1963)



Poetas e cantores cantam o vento...

Hino celta ao ao amor  e a amizade


E que o vento sopre  sempre a seu favor...

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Comme ci, Comme ça...*

Foi no tempo dos "Afonsinhos"**
Como  diria Vovó
Numa tarde de sol quente
Debaixo de uma mangueira
à sombra que se fazia
que eu sonhei com você...
Você no sonho sorria,
sorria com olhos e dentes,
trazendo um coração ardente
que de fogo consumia
Muito amor de fazer dó...
E eu da vida contente
falei só de brincadeira
que queria o sol e a lua
e um par de asas ligeiras
para conseguir voar...
Você me olhou firmemente
como se me quisesse dar
tudo aquilo que eu pedia...
Mas,como nem tudo é ´possível,
disse-me apenas sorrindo:
-Feche os olhos ,pequena,
e faça um gesto, menina,
e assim, comme -ci, comme -ça
Vamos sair pelo mundo
E neste sonho amar...

Guaraciaba Perides


* comme -ci, comme -ça.. em francês, assim , assim...uma das traduções encontradas entre outras.

** Tempo dos Afonsinhos:expressão antiga que significa em tempos remotos.







Até Pensei...música de Chico Buarque:




E assim...assim....comme-ci, comme -ça  A valsinha de Chico Buarque.




Feliz Dia dos Namorados...



sexta-feira, 5 de junho de 2015

M A R G A R I T A - Harvey Andrews

Uma linda canção de Amor... MARGARITA

Introdução:
This is the true story of my grand aunt,Annie Pearce. I changed,her  name purely so that it
would sing  better. She would serve me tea in her perfectly preserved late Edwardian house
and sometimes take me to the framed photograph ol her fiance. Nobody ever told her that
the image was gone.

Tradução; Esta é uma história real de minha tia-avó cega Annie Pearce.
Eu troquei seu nome puramente para que a canção soasse melhor.
Ela me servia chá em sua antiga casa em estilo  Eduardiano perfeitamente
preservada e às vezes levava-me até uma fotografia emoldurada de seu
noivo. Nunca ninguém lhe contou que a imagem havia sumido.

A Canção:

They're playing our song, Margarita
Dance it this last time with me.
It won't be long ,Margarita,
Soon I'll be overseas.
Let me know that you'll care
When I've gone over there,
They're playing our song ,Margarita,
Dance it this last time with me.

Kiss me again, Margarita,
Give me a memory of you.
They say in France, Margarita
One more push, we'll be through.
Yes, I'll write,  but where from?
All they'll say is "The Somme"
So kiss me again, Margarita,
Give me a  memory of you.

It's a new world, margarita,
We'll build when it's though
In that new world, Margarita
We'll be wed, me and you.

My old great aunt, margarita,
She'd been blind thirty  years,
Would tell of young Margarita
Of her man and her tears,
She would say, "He was tall
There's his picture on the wall"
My old great aunt Margarita
She'd been blind thirty years.

She  would ask " Is he smiling?"
I would stare at the frame
But the sun was there, shining
Through her window again.
Where that sun always shone
He had faded and gone,
But she would ask "Is he smiling?"
Iwoud say "He's the same"

Harvey Andrews


Sugestão de tradução; por Guaraciaba Perides

Estão tocando nossa canção, Margarita,
Dance esta última vez comigo
Não demora, Margarita,
Logo estarei além mar
Deixe-me saber que você se importará
quando eu tiver ido para lá
Eles estão tocando nossa canção, Margarita
Dance esta última vez comigo.

Beije-me de novo, Margarita
Dê-me uma lembrança de você
eles dizem na França, Margarita,
mais uma investida e estará terminada.
Sim eu escreverei, mas de onde?
Todos eles dizem que é "The Somme"
Então beije-me de novo, Margarita,
Dê-me uma lembrança de você

É um mundo novo, Margarita,
Nós construiremos quando isto terminar
Neste novo mundo, Margarita,
Estaremos casados, eu e você.

Minha velha tia-avó, Margarita,
estava cega há trinta anos,
Contava-me da jovem Margarita,
de seu homem e de suas lágrimas
Ela dizia "Ele era alto,
Lá está seu retrato na parede"
Minha velha tia -avó  Margarita
estáva cega há trinta anos

Ela perguntava "Ele está sorrindo?"
Eu olhava o quadro
Mas o sol estava lá, brilhando 
através da janela de novo.
Onde o sol sempre brilhou
Ele tinha descorado e desaparecido
Mas ela perguntava "Ele está sorrindo?"
Eu respondia "Ele está com sempre"

A canção cantada pelo próprio autor Harvey Andrews;



A imagem artística fica mais bonita em tela cheia...


Amores que   permanecem...