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terça-feira, 21 de abril de 2015

Visões da Lua

LUA

A lua é velhinha
de brancos cabelos,
de rugas de ouro e
e de olhinhos cegos.

Ergue-se do leito
das ondas do mar
apalpando espaços
para caminhar.

Anda pelo mundo
sem ver aonde vai
pois as estrelinhas
levam-na da mão

Em névoa envolta
há de se abrigar
pois como está velha
tem que se cuidar

Quando na alta noite
ruge o temporal
a lua entre as trevas
treme ao se ocultar

E assim que o mau tempo
abrandado está
mostra a sua face
e espalha o luar.

Luis Amado Carballo
Poesia Galega in  Poesia Galega das Origens à Guerra Civil
traduzida por Fábio Aristimunho Vargas

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Depois que partiste

Depois , senhor, que partiste,
nada mais custo a esta vida.
Mudei, como a cheia lua;
Cada noite diminuo.

ZANG   JIULING  (678 -740)

in; Antologia da Poesia Clássica Chinesa
Traduzido por Ricardo Primo Portugal  e  Tan  Chiao


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Bebendo sozinho sob a lua

Em meio ás flores a jarra de vinho
virar sozinho sem mais companhia
Erguer o copo à lua reluzente
e mais a sombra agora somos três
Contanto a lua não saiba beber
e em vão a sombra me devolva o corpo
por um momento seguem a lua e sombra
Todo prazer é só uma primavera
Eu canto e a lua flana tremulando
Danço e se soma a sombra redobrando-se
Despertos dividimos a alegria
depois de ébrios cada qual um caminho
Até não mais, desfeitos nós se apartam
rever-se um dia pela  Via Láctea.

LI  BAI   (701 -762)
in Antologia da Poesia Clássica  Chinesa
Traduzido por Ricardo Primo Portugal  e Tan Chiao


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Para completar uma música relaxante e um poema de Fernando Pessoa

terça-feira, 14 de abril de 2015

HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA Parte XI


A  TROPICÁLIA...

Com uma música brasileira em constante evolução e outra vertente, internacional, mas integrada
de maneira criativa nos interesses da juventude, uma nova síntese acabou dando origem a um
novo movimento denominado TROPICÁLIA

A Tropicália teve início quando Caetano Veloso e Gilberto Gil incluíram em suas composições
motivações semelhantes ao antropofagismo de Oswald de Andrade.
Construíram a partir de "Alegria  Alegria"  e "Domingo no Parque" um grande caldeirão musical
 dentro do qual incluiam todas as motivações libertárias e música jovem, guitarra elétrica, música
eletrônica, o teremim, o berimbau, a chamada " música fina"   e a chamada "cafona", a música de vanguarda e a de retaguarda,o baião, o beguine, a banana e o computador o bolero e o latim,
Vicente Celestino e Debussy, os versinhos de Cuíca de Santo Amaro e a poesia concreta, o som,
o ruído, o canto e o grito.Associaram-se artistas de vanguarda como o Diretor de Teatro José
Celso Martinez, poetas e mestres da comunicação como Décio Pignatari e Augusto de Campos,
músicos de formação clássica com o Rogério Duprat, Damiano Cozzela e Júlio Medaglia, os quais
deram assessoria musical às gravações.

Caetano, Gil e o grupo dos "Mutantes", Gal Costa, Torquato Neto, Capinam, Tom Zé e de certa forma, também Jorge Ben, formaram o corpo do movimento chamado TROPICÁLIA, revolução musical como foi o da Bossa Nova.

A crítica tradicional  não via com bons olhos a música tropicalista sobretudo pelo caráter concretista
de sua letra e pela utilização de acompanhamento de guitarras elétricas.
Além da ditadura e do movimento estudantil que rejeitou de início o movimento, dentro do próprio
meio da MPB, enfrentaram hostilidades e críticas. Seus recursos musicais caracterizados pela
intersecção de multiplicidade de estilos e recursos eletrônicos foi contraposto musical tradicional clássico de Chico Buarque ,por exemplo, ou à face música de protesto de Geraldo Vandré.
Contra a opinião dos conservadores e em defesa do Tropicalismo (que deu origem conceitual à
Tropicália) levantaram-se Hélio Oiticica, artista plástico, o cineasta, Glauber Rocha, o teatrólogo
José Celso Martinez, e naturalmente os compositores Caetano Veloso e Gilberto Gil. Suas
palavras de ordem conclamavam para a guerrilha cultural: "Abaixo o preconceito", "Por uma nova
Estética", "Por uma nova Moral", "Abaixo a Cultura de "Elite" e "A Imaginação no Poder".

Mas o Tropicalismo não se restringia apenas à música, atingindo também o Teatro com a
peça o "Rei da Vela",  de autoria de Oswald  de Andrade e dirigida por José Celso no
Teatro Oficina. A peça causou escândalo e trouxe enorme sucesso para seu diretor que defendia o "teatro anárquico, cruel, grosso como a apatia em  que vivemos"." A  idéia era romper com todas as linhas do pensamento humanista, através de uma arte que seria ameaçadora e perigosa".
Alguns vídeos representativos do movimento  tropicalista na Música Popular Brasileira







Na próxima postagem  abordaremos os novos caminhos a partir dos anos 70...


sábado, 4 de abril de 2015

NUANCES ......de ternura...

I- JÓIA   DE   PRENDA

Jóia de prenda
de pedra azul
Contém o céu
na emoção
Jóia de prenda
do seu olhar
Flutua em águas
fundas do mar.
Jóia de prenda
de pedra azul
Alma da alma
filtrando luz...
Ai, que saudades
daquele olhar
Prenda tão rara
de pedra azul
Mas que saudade
Ficou no tempo
No céu profundo
No mar imenso
o olhar de prenda
de cor e brilho
de pedra azul...


II-SOMBRINHAS  NUM  DIA  DE   SOL

Passa na calçada uma mulher singela
e o sol é muito quente nessa hora
E não é que a mulher singela
abre sobre sua cabeça
uma sombrinha amarela?
Sobre a calçada uma sombra
parece de uma dama antiga
bailando sobre o meio-fio...
O sol se abre radiante...
vem uma nuvem branquinha
No contraponto da sombra
daquela mulher singela..


III- SUAVE

Suave é o toque do lençol de  cetim
Suave é o toque de sua pele em mim
Suave é a luz da lua
esparramando prata
e iluminando os perfis...
Suave é o som da sonata ao piano
que alguém toca no gravador
E p'ra que mais, se suave é a noite
e  a  vida passa como um filme de amor?



UM ARCO ÍRIS...

Se todas as margaridas do meu jardim
Se abrissem para o sol nascente
Se o sol ao branco em flor das margaridas
colorisse a nuvem do horizonte...
e se brisa provocada pelo vento leste
trouxesse o perfume das rosas do oriente...
E se  da janela em frente
o seu olhar cruzasse o meu...
E se você sorrisse contente
um arco-  íris cruzaria o céu

Guaraciaba Perides.




Uma feliz Páscoa para todos ! Que a luz da Ressurreição brilhe em nossas almas trazendo a todos nós 
momentos de ternura...


sábado, 28 de março de 2015

Síntese

Aquilo que se vê por dentro
Difere do que se vê por fora
Há uma anciã na mente da menina
Há uma menina dentro da senhora.
Há sonhos que ainda florescem
Na esperança de um velho coração
E na alma daquela que ainda vive
todos os momentos  da ilusão...
A jovem que traz de outros tempos
a experiência ancestral dento das veias
é todo  o tempo perpassando a vida... e
"o espírito se move sobre as águas"
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Olhando para fora,vemos coisas
Vemos caminhos do ter e viver
Projetamos modos do ser no tempo
que nos cabe
sentindo tudo aquilo que nos dá prazer...
Olhando para dentro as coisas
se transformam
em modos de afetos que embasam
os sentimentos
que conformam nossa maneira de ser
e de existir...
E o amor que preenche o vazio e
dá forma  aos prazeres duradouros
e em todo o tempo que perpassa a vida
"o espírito se move  sobre as águas"


Guaraciaba Perides.

Para integrar o texto a música "Xote da navegação"   cantada por Elba Ramalho


domingo, 22 de março de 2015

OUTONO... tempo de poesia - Dois poemas de amor de PABLO NERUDA

FAREWELL

Do fundo do teu ser, e ajoelhado,
uma criança triste, como eu, nos olha

Por essa vida que arderá em seu sangue
teriam que amarrar-se nossa vidas.

Por essas mãos, filhas de tuas mãos,
as minhas mãos teriam que matar.

Por seus olhos abertos sobre a terra,
nos teus eu verei lágrimas um dia.

2.
Eu não quero , Amada.

Para que nada nos amarre,
que não nos una nada.

Nem a palavra que aromou a tua boca,
nem o que não disseram as palavras.

Nem a festa de amor que não tivemos,
nem teus soluços perto da janela.

3.
Amo o amor dos marinheiros
que beijam e se vão.

Deixam uma promessa,
não voltam nunca mais.

Em cada porto uma mulher espera,
os marinheiros beijam e se vão.

Uma noite se deitam com a morte
no leito do mar.

4.
Amo o amor que se reparte
em beijos, cama e pão.

Amor que pode ser eterno
e pode ser fugaz

Amor que se quer libertar
para de novo amar

Amor divinizado que vem vindo,
amor divinizado que se vai.

5.
Já não se encantarão meus olhos nos teus olhos,
já não se ameigará junto de ti a minha dor.

Mas para onde  eu for levarei  teu olhar,
para onde caminhes levarás minha dor.

Fui teu, foste minha, Que mais? Junto fizemos
um atalho na rota por onde o amor passou.

Fui teu, foste minha. Tu serás de quem te ame,
de quem corte em teu horto aquilo que eu semeei.

Vou-me embora. Estou triste, Mas  eu sempre estou triste.

Eu venho dos teus braços. Não sei para onde vou.

De teu coração me diz adeus uma criança.

E eu lhe digo  adeus,

Pablo  Neruda 
Tradução de Thiago de Mello
In Antologia Poética de PABLO NERUDA



O  RAMO  ROUBADO

De noite entraremos 
para roubar
um ramo florido

Saltaremos o muro
nas trevas do jardim alheio,
duas sombras na sombra

Ainda não se foi o inverno,
e a macieira aparece
transformada de repente
em cascatas de estrelas perfumadas.

De noite entraremos
até seu palpitante firmamento,
e as tuas mãos pequenas e as minhas
roubarão as estrelas.

E sigilosamente
em nossa casa, 
na noite e na sombra, 
entrará com teus passos
o silencioso passo do perfume
e com pés estrelados
o corpo claro da primavera.

PABLO NERUDA
Tradução de THIAGO  DE MELLO
in ANTOLOGIA  POÉTICA DE PABLO  NERUDA



Para dar o tom nostálgico   a música Cotidiano De  Vinícius de Moraes e Toquinho



 Nos diferentes  planos alternados
O tempo escoa como a areia do mar
Nos planos da vida...

sexta-feira, 13 de março de 2015

MINAS - TREM... Alma de Minas Gerais...




Lá na estrada que  sobe e desce a montanha
Vai fincando pé o Minas -Trem
Rodeando o verde vale que se estende
Vai me levando para a terra do meu bem...
Minas - Trem, Minas -Trem, Minas -Trem...
Já se enxerga a cidade vir chegando
Como um manto que se estende iluminado
E o sol poente nas nuvens espraiando
deixando o céu com brilho azul  rosado...
Minas- Trem, Minas -Trem, Minas -Trem...
Sinto o coração bater mais forte
E a saudade já não tem mais  jeito.
ao chegar na estação penso que sinto
a emoção explodir dentro do peito...
Minas - Trem, Minas - Trem, Minas -Trem...

Guaraciaba Perides

Oh, Minas Gerais...Hino extra-oficial de Minas Gerais.

Campo de flores da Serra da Canastra- Minas Gerais



Minas Gerais, um pedaço do meu Brasil  , que contém na memória as raízes da nossa história
e que nos faz saudosos do nosso  Eu mais profundo...do Brasil mais autêntico que ressoa no peito
a vontade de  voltarmos a ser o  "Homem  Cordial" citado pelo Mestre Sérgio Buarque de Holanda.

sábado, 7 de março de 2015

POEMAS EM CANÇÕES...

JURARIA
Poema de Agustin Garcia Calvo
Música Amancio Prado


Juraria que he sido feliz
una vez en la tierra.
Pero tú no lo sepas, mi alma,
pero tú no lo sepas.

No sé el dia, el año tampoco,
ni el siglo siquiera,
ni si fue de mañana o de tarde
o noche serena
Pero yo juraría que un dia
fue la paz de la guierra

Pero tú no lo sepas mi  alma
pero tú no lo sepas.

No sé quién estaba conmigo
si era blaca o morena
ni si era de amor o del solo
temblor de la hierba.
Pero yo juraria que fue
verdad verdadera.

Pero tú no lo sepas mi alma,
pero tú no lo sepas.

Yo de cierto no sé si fui yo
o fue otro cualquiera:
sólo que era feliz y que toda
la vida lo era
Pero tú no lo sepas, mi alma,
pero tú no lo sepas

Pero tú no lo sepas, mi alma
pero tú no lo sepas





WHO?   poema de Charles Causley   , poeta inglês musicado por Jim Causley (parente distante do autor)


Who?
Who is that child I see wandering, wandering
Down by the side of the quivering stream?
Why does he seem not to hear,  though I call to him?
Where does he come from and what is his name?

Why do I see him at sunrise  and sunset
Taking, in old-fashioned clothes the same track?
Why, when he  walks, does he cast not a shadow
though the sun rises  and falls at his back?

Why does the  dust lie so thick on the hedgerow
by the great field where a horse pulls the plough?
Why do  I see only meadows, where houses
stand in a line by  the riverside now?

Why does he move like a wraith  by the water,
soft as the thistledown on the breeze blown?
When I draw near him so that I may hear him,
Why does he say that his name is my own?


Tradução  sugerida por Guaraciaba Perides

Quem é esta criança que eu vejo vagando, vagando
descendo pela margem do agitado riacho?
Por que ele parece não me escutar, embora eu chame por ele?
De onde ele vem e qual é o seu nome?

Por que eu o vejo ao nascer e ao por do sol
usando roupas antigas e seguindo a mesma trilha?
Por que quando ele caminha  não se percebe sua sombra
embora o o sol brilhe e caia sobre suas costas?

Por que o pó tão intenso  se deposita sobre a sebe
Pelo extenso campo onde o cavalo puxa o arado?
Por que eu somente vejo prados, onde casas
se estendem agora pela margem do rio?

Por que  ele se move com um fantasma pela água,
leve como uma pluma soprada pelo vento?
Quando eu me aproximo dele  para que eu possa escutá-lo,
Por que ele  diz que o seu nome é  meu próprio nome?
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 Poemas para reflexão...
 Será que vivemos ao longo da existência experiências tão marcantes
que transpuseram o próprio tempo?
                                                   .