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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A ROSA QUE ME IMPORTA...PÉTALA POR PÉTALA



A  rosa que me importa
é a rosa que se abriu...
pétala por pétala
na alvorada de uma
primavera antiga...perdida no tempo da aurora
A rosa rubra e perfumada
pensou ser breve como outras
tantas, em tantas eras,
de tantos enredos e tantos segredos...
Mas não sabia aquela rosa
que se abria para uma alma
que ali a via e
que admirando aquela flor tão bela
a guardaria  por todo tempo
dentro do peito,
como uma prenda,
dos lindos sonhos
da primavera.
Era uma rosa...
e ela ainda importa
mesmo não sendo mais
a rosa daquela primavera.
Pois se mantém intacta,
perfeita esfera, rubra como sangue
E no infinito se desdobra,
folha por folha, na espiral
do Sol nascente...espalhando ao léu
o seu perfume...
pétala por pétala.

Guaraciaba Perides

Ouso integrar ao texto  , o lindo poema  LLama de Amor Viva de San Juan de La Cruz (1542-1591)
procurando o  místico da rosa ao amor Divino     Canta Amancio Prada-  Música de sua composição


Letra do poema
 LLama de Amor Viva


Oh llama de amor viva
que  tiernamente  hieres
de mi alma el más profundo cientro!
Pues ya no eres esquiva,
acaba ya, si quieres;
rompe la tela de este dulce encuentro!
Oh cauterio suave!
Oh regalada llaga!
Oh mano blanda!; oh toque delicado,
que a vida eterna sabe,
y toda deuda paga!
Matando, muete em vida la has trocado.
Oh lámparas de fuego,
en cuyos resplandores
las profundas cavernas del sentido,
que estaba oscuro y ciego,
con extraños primores
calor  y luz dan junto a su querido!
Cuán manso y amoroso
recuerdas em mi seno,
donde secretamente solo moras:
y en tu aspirar sabroso,
de bien y gloria lleno
cuán delicadamente me enamoras!?

..........................................................

A rosa rubra...o coração de Cristo

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

OS ESTATUTOS DO HOMEM Um poema de THIAGO DE MELLO

(Ato institucional Permanente)   dedicado a Carlos Heitor Cony


ARTIGO  I

Fica decretado que agora vale a verdade,
que agora vale a vida,
e que de mãos dadas
trabalharemos todos pela vida verdadeira.


ARTIGO  II

Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.


ARTIGO  III


Fica decretado que, a  partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra,
e que as janelas devem permanecer o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.


ARTIGO  IV

Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo Único:
O homem confiará no homem
como um menino confia em outro menino.


ARTIGO  V

Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio.
Nem a armadura das palavras.
O homem se sentará à mesa
com o seu olhar limpo
porque a a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.


ARTIGO  VI

Fica estabelecido durante dez séculos
a prática sonhada pelo  profeta Isaías.
e o lobo eo cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.


ARTIGO  VII

Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.


ARTIGO  VIII

Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à  planta o milagre da flor.


ARTIGO  IX

Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha sempre
o quente  sabor da ternura.


ARTIGO  X

Fica permitido a qualquer pessoa,
a qualquer hora da vida
o uso do traje branco.


ARTIGO  XI

Fica decretado por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo.
Muito mais belo que a estrela da manhã.


ARTIGO  XII

Decreta-se que nada será obrigado nem proibido
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo Único
Somente uma coisa fica proibida:
amar sem amor.


ARTIGO  XIII

Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro  se transformará em uma espada fraterna
para defender o dinheiro da cantar
e a festa do dia que chegou.


ARTIGO  FINAL

Fica proibido o uso da palavra liberdade
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

Santiago do Chile, abril de 1964
Publicado no livro "Faz Escuro Mas Eu Canto: Porque a Manhã Vai Chegar " (1965)
in; MELLO, THIAGO   DE.   Vento Geral 1951 / 1981 : doze livros de poemas
segunda edição Rio de Janeiro- Civilização Brasileira


QUE AS CRIANÇAS CANTEM LIVRES...  de Taiguara









Acreditar é uma opção de liberdade.



domingo, 4 de janeiro de 2015

HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA PARTE VIII

A    BOSSA   NOVA

Na década de  50 o samba de morro toma o asfalto e inicia-se um processo de valorização que
levaria o a samba a obter um reconhecimento e apreciação internacional. Mas, entretanto, na
contrapartida do caldeamento cultural também recebe  influências de  ritmos estrangeiros, ori-
ginando-se daí um novo estilo.
Na intimidade dos apartamentos e boates da zona  sul do Rio de Janeiro, reduto das classes
médias, estudantes e jovens em geral organizam audições nas quais nasce uma nova prática
de execução instrumental, canto e composição tomada do jazz.
Com uma nova nomenclatura o "balanço" substitui o requebrado e a "garota" substitui a
"cabrocha".  Surge a Bossa Nova

Oficialmente a Bossa Nova inaugura-se com o LP de título significativo  "Chega de Saudade"- Odeon-(1959)
O samba canção e o bolero, com suas soluções românticas e nostálgicas já não atendiam aos
interesses da época. A nova música que se apresentava, embora tivesse suas raízes no samba
tradicional era mais elaborado e de temática urbana. Segundo a opinião do Maestro Júlio
Medaglia  que se se quisesse estabelecer uma relação histórica para apurar as verdadeiras raízes
da Bossa Nova, iríamos encontrar numa outra música, também urbana, também popular e cem
por cento brasileira, os seus pontos de contato mais evidentes, seria a música  de Noel Rosa.

É o samba flauta, cavaquinho e violão. Foi a música do bairro da lapa, capital do samba tradicio-
nal, com  foram os bairros de Copacabana, Ipanema, Leblon, os redutos da Bossa Nova.
A linguagem sem metáforas, espontânea, direta e popular do samba da Velha Guarda, foi
retomada por Newton Mendonça. Vinícius de Moraes, Ronaldo Bôscoli e  Carlos Lyra. As
letras das músicas da bossa Nova tanto poderiam ser ditas por Noel Rosa como por João Gilberto,
as de João como versões atualizadas das do tempo de Noel, pelo seu humor, da mesma gente,
da mesma bossa. Já  na época da eclosão do movimento bossa novista, dizia-se que João Gilberto
 era o novo Mário Reis a quem  João Gilberto dá sequência.
As inovações trazidas pela bossa nova, além de inovações no acompanhamento, harmonização e ritmo e que traziam um novo estilo composicional que representava uma culminância de recursos
musicais não alcançados até então,incluindo não só  conhecimento de jazz, mas também de estu-
dos eruditos.  Executados por pequenos conjuntos ou por apenas uma única pessoa acompanhada
de um violão, surgiu de uma técnica intimista que tornava-a inadequada para grandes massas,
prestando-se mais à  interpretação de um cantor, que sozinho pode realçar todos os detalhes da composição.
Emtre os compositores que participaram de eclosão do novo sistema musical, citam-se como
os de vanguarda Johnny Alf, pianista e cantor que foi criador de várias músicas que são verdadeiras
precursoras da bossa Nova; entre elas, "Rapaz de Bem", 1955, "Céu e Mar", "ilusão a toa".Segundo
Júlio Medaglia, no início da década de 50, Johnny Alf já apresentava composições bastante rebus-
cada, parte das quais  foi utilizada, após o advento  da Bossa Nova
Da parceria de Vinicius de Moraes e  Antonio Carlos Jobim no trabalho "Orfeu da Conceição",
peça de Vinicius de Moraes  musicada por Tom Jobim, premiada por ocasião do Concurso de
Teatro do IV Centenário da Cidade de São  Paulo, surgiu a amizade musical que redundaria em
muitas composições de ambos : "Lamento do morro", "Se todos fossem iguais a você" e outras
gravadas pela Odeon em 1956 com o cantor Roberto Paiva, tendo Luís Bonfá como violinista.

Johnny Alf  cantando "EU E A BRISA"


"SE TODOS  FOSSEM  IGUAIS  A VOCÊ"    com Tom e Vinicius


Monólogo de Orfeu da peça "ORFEU DA  CONCEIÇÃO" de Vinicius por Vinicius.

 Mais sobre Bossa nova na próxima postagem sobre História da Música Popular  Brasileira.

sábado, 27 de dezembro de 2014

DE TEMPOS IDOS E VIVIDOS...

O  CAMINHO

A estrada  à sua frente
Parece caminho de ida
Deixando para trás antigos rumos
e em tudo a verdade da experiência...
O caminho se desdobra  à sua frente
e de repente tudo se repete tão igual
como em etapa posterior de um círculo.
Os mesmos quadros, a mesma casa antiga,
o relógio badalando horas sempre iguais...
Os mesmos ruídos da noite se repetem
no  lugar em que dormia à luz da Santa
que para sempre vela este caminho.
Faz-se o passado, presente,
a mesma estrada...
Como se a ida fosse apenas o retorno
e a volta fosse apenas recomeço,
sem começo, nem fim, apenas Vida.

Guaraciaba Perides


Poema falado...."VISITA   À  CASA  PATERNA"  de  Luiz  Guimarães  Júnior declamado
por Paulo Autran.....complementado por belíssimo poema de Cecília Meirelles

Em tempos de passagem de um ano para outro costumamos fazer o balanço das horas vividas
e naturalmente nos remetemos aos bons momentos da vida na esperança e fé de que se renovem
sempre com um caminho  onde os sentimentos de amor e amizade  floresçam como flores em  novas
estações.

sábado, 20 de dezembro de 2014

É NATAL !

autor. Marc Chagall


A luz filtrada no vitral
Ilumina o branco da toalha.
O altar iluminado pelas chamas das velas...
O padre ancião curvado em anos.
Os jovens que o rodeiam
ouvem-lhe a prece...
Há Santidade  mística
Há amor concretizado
em oração  singela.
Faz-se no milagre da Fé
o Deus presente...
O gesto repetido é sempre único
e o sol que brilha nos vitrais é
sempre o mesmo.
Do infinito vem a paz que se consente
na oração do antigo o infinito se revela.
Amém
........................................................................

Falar de natal é falar de nossos sonhos
Lembrar de nossa infância tão querida
Pensar Natal é aquecer a alma de saudade
É aninhar no peito a luz de Deus Menino...
Pensar Natal é renovar o sonho
de ver o mundo sob a ótica do bem
Sentir a esperança renascendo
no céu brilhando a Estrela de Belém!
ouvir Natal é intuir os Anjos
cantando  'Glória in excelsis Deo'
Vontade da abraçar com alegria o mundo
e desejar a Paz pra sempre...Amém!


Guaraciaba Perides

Um Canto de natal!



FELIZ NATAL!


sábado, 13 de dezembro de 2014

HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA - Parte VII

Continuação...
Anos  40 / 50...
A Hegemonia do  Rádio continuou ao longo das décadas 40 e  50  e pode-se dizer o rádio era
a grande janela para o mundo, moldava a opinião pública, através de novelas e com voz de atores
e astros da música popular. Havia a formação de fãs-clubes e a eleição anual  de Rainhas do Rádio.
Linda Batista foi Rainha do Rádio por  onze anos (1937 a 1948).  Dircinha Batista foi eleita poste-
riormente  (l948).  Em 1949 houve uma disputa acirrada entre Emilinha Borba, a "Favorita da
Marinha" e Marlene, sendo Marlene a vitoriosa provocando grande rivalidade entre seus fãs-clu
bes. Emilinha foi eleita em  1953 sendo a partir de então, conhecida como Rainha Eterna dos
Brasileiros.
Dalva de Oliveira, Mary  Gonçalves, Angela   Maria, Vera Lúcia,  Dóris Monteiro também elei-
tas rainhas do rádio  na década de 50.  Os Concursos de Rainha do Rádio vendiam votos arreca-dando votos para instituições como o Hospital do Radialista e obtinham patrocínios de indústrias de uma ou
outra artista.
Os programas de auditório atraíam multidões às rádios que divulgavam os sucessos musicais.
O cotidiano do Rio de Janeiro e a Política Nacional muitas vezes serviam de temas  para sátiras.
Em 1948, por exemplo, Francisco Alves satirizava a inflação  e o governo Dutra com a música
"Falta um zero no meu ordenado" ( de Ari Barroso e Benedito Lacerda). Em l951, comentando
a eleição de Getúlio Vargas, Francisco Alves cantava a música de carnaval "Retrato do Velho"
(Haroldo Lobo e Mariano Pinto). Em 1952, Marlene cantava  "Lata d'água" (Luis Antonio e
J. Júnior) retratando a vida dos  morros e Blecaute satirizava o funcionalismo co  "Maria Can-
delária " (Klecius  Caldas e Armando Cavalcanti)

Entre os grandes cantores destacavam-se Francisco Alves- chamado o Rei da  Voz, durante 30
anos , cantava vários gêneros como versões norte americanas,  tangos e boleros, lançando o
chamado "samba exaltação " como  e m 1939 com "Aquarela do Brasil" de Ari Barroso.Gra-
vou cerca de 500  discos. Depois de sua morte em 1952, o cetro de Rei do Rádio passaria para
Orlando Silva ( 'O cantor das Multidões') que gravou " Risque" de Ari Barroso (1953) e recebeu
o título de' Príncipe do Disco'. Em 1954 tornaria-se o Rei do Rádio.
Outros cantores famosos foram  Nelson Gonçalves, ( ,"Última Seresta"," A volta do boêmio,
"Mariposa" e "Fica comigo esta noite".  Ivon Curi outro grande cantor de sucesso  alcançou
os primeiros lugares nas paradas de sucesso com músicas, tais como, "Tá faltando coisa em mim",
"Xote das Meninas" e "Amendoim  torradinho".Nos anos 50, temos o  grande Cauby Peixoto, uma
das grandes revelações  (ainda na ativa) e Francisco Carlos ( o cantor "namorado do Brasil")

Não podemos deixar de incluir  a grande notoriedade do rítmo nordestino de nominado "BAIÃO"
Quem imprimiu o formato urbano e popular do gênero foi o sanfoneiro pernambucano Luiz
Gonzaga  do Nascimento. Na década de 40, Luiz Gonzaga tocava na zona  boêmia do Rio de
Janeiro,  músicas de sucesso da época e seu repertório acabou por anexar ' coisas do sertão' e entre
elas o Baião. Seu primeiro parceiro foi o fluminense  Miguel Lima que compunha mazurcas,
calangos, e rítmos semelhantes.Associando-se ao advogado cearense Humberto Teixeira Caval-
cante obteve o respaldo político para as letras de suas músicas.  De qualquer forma, segundo
pesquisadores, foi Luiz Gonzaga que planejou meticulosamente o lançamento do baião em
nível nacional, o qual, junto com outros ritmos nordestinos moldou ao gosto urbano.Seu sucesso
 foi tão grande que deslocou para estes  ritmos boa parte do interesse musical, até então centrado
unicamente em produtos culturais do Rio de Janeiro, samba, marchinha,choro, etc...
Com músicas como  Baião, Asa Branca, Juazeiro, Paraíba, Qui nem jiló, Respeita Januário,
Sabiá, Vem Morena, Baião de Dois,etc e outros gêneros com Xotes, Xamegos ,Toadas, Cocos,
Xaxados e até Maracatus, Gonzaga colocou o Nordeste no mundo musical.
Gonzaga era o "Rei do Baião" e no auge do sucesso Carmélia Alves a "rainha". Na esteira do
sucessos do Baião muitos se destacaram como, Zé Dantas,  João do Vale (do Maranhão),,
Luis Vieira (de Pernambuco)  e o paulista Hervê Cordovil e do Ceará, Guio de  Moraes, etc...
O acordeon, instrumento que como a sanfona fazia acompanhamento de baião, virou instru-
mento de moda ensinado nas academias para centenas de alunos.
Muitos artistas seguiram a trilha do  gênero musical  para depois partirem para outras experiências.
João Donato, Edu lobo e Milton Nascimento são exemplos  mais modernos.Até João Gilberto e
Lúcio Alves que repaginaram o baião  modernizando-o em algumas composições.
Embora em declínio no final doa anos 50, o baião ainda influiu sobre compositores mais jovens ao longo da décadas seguinte. Geraldo Vandré em 1965, regravou "Asa Branca" co características de
música de protesto.Os tropicalistas,Gil e Caetano também fizeram releituras do gênero e até hoje
segue a influência e modernização do gênero . na década de 70, Fagner e até Raul Seixas...
Modernizado por intervenções musicais de Hermeto Pascoal, Edu Lobo, Egberto Gismonti,
Guinga, etc. Nos anos 90, temos apontada sua influência e de outros ritmos do  nordesteem
novos compositores como Chico  César (Paraíba), Lenine (Pernambuco) e Zeca Baleiro e
Rita Ribeiro ( Maranhão).

Nos anos 50, a Música Caipira, também alcança o seu apogeu, através de levas de duplas
especialmente do interior de São Paulo que tiveram espaço nas gravadoras e emissoras de
rádio, Nessa época ,por exemplo, o filão caipira abrigou as guarânias de Cascatinha e Inhana, as rancheiras mexicanas de Pedro Bento e Zé da Estrada. A moda de viola ganhou maior expressão e seduziu grandes compositores como Teddy Vieira e Lourival dos Santos da cidade de São Paulo
A  música caipira disputando espaços  com os ritmos nordestinos vindos com levas de imigrantes,
tais como, emboladas e cocos se misturaram também com guarânias, rasqueados, boleros baladas,
etc. Da fusão sonora de todas essas matrizes surgiu o que se convencionou chamar de Música
Sertaneja.

Em contraponto ao domínio do rádio sobre o povo, havia também críticas tais como a do jurista
Roberto Lira do Instituto de Criminologia do Distrito Federal que considerava o rádio como
influência perniciosa sobre a moral e os bons costumes e promotor da delinquência. Mas para
os artistas do rádio era forma de alcançar o sucesso e ascender  socialmente através de grandes
fortunas alcançadas por altos cachês e contratos milionários,

Tendo se iniciado como forma elitista de promoção cultural clássicas, orquestrais e óperas,
o rádio estabeleceu e se concretizou como grande propulsor e propagador da música popular
brasileira, divulgando grandes compositores e permitindo e evolução de sua história.



"Nós somos as cantoras do Rádio"...Com Carmen e Aurora  Miranda
   


Luis Gonzaga interpretando a famosa música  ASA BRANCA  (baião de l947)


Dalva de Oliveira cantando "AVE MARIA NO MORRO" - um clássico de l942



Música caipira  "Chico Mineiro" na voz de Sergio Reis...a gravação original é de l946 com Tonico e Tinoco.



Na próxima postagem veremos o surgimento da Bossa Nova...gênero que ganhou o mundo

...continua.

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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

THE SELFISH GIANT ( O GIGANTE EGOÍSTA ) Um conto de Oscar Wilde

Toda tarde, quando voltavam da escola,as crianças costumavam ir brincar no jardim do gigante.
Era um jardim grande e agradável com um macio e verde gramado.
Aqui e ali havia sobre a grama belas flores com estrelas e havia doze pessegueiros que no tempo
da primavera floresciam com delicadas flores rosadas e peroladas e no outono produziam ricas
frutas. Os pássaros pousavam nas árvores e cantavam tão docemente que as crianças paravam de
brincar para escutá-los.  "Como nós somos felizes aqui" eles falavam uns aos outros.
Um dia o Gigante voltou. Ele tinha ido visitar o seu amigo no "Cornish Ogre" e permaneceu com ele durante sete anos. Após  terem se passado sete anos e  já se tivesse sido dito tudo, pois a conversa
entre eles era limitada, ele resolveu voltar para o seu próprio castelo.
Quando ele  chegou viu as crianças brincando no jardim.
"O que vocês estão fazendo aqui?" ele gritou com uma rude voz, e as crianças correram para fora.
"O meu jardim é o meu jardim"- disse o Gigante " Eu não permitirei que ninguém brinque  nele a
não ser eu mesmo".  Então ele  construiu um alto muro em volta e colocou uma placa com o aviso:
OS INTRUSOS SERÃO PROCESSADOS
Era um Gigante muito egoísta.
As pobres crianças não tinham mais, agora, lugar para brincar.
Elas tentaram brincar na rua, mas a rua era muito suja e cheia de pesadas pedras e elas não
gostavam. elas costumavam rodear o alto muro quando suas aulas terminavam e conversavam sobre
o belo jardim: "Como éramos felizes lá" eles diziam uns aos outros.
Então, chegou a Primavera e o país todo estava com pequenas floradas e passarinhos. Somente no
Jardim do Gigante egoísta era ainda inverno. Os passarinhos não cuidavam de cantar , lá não
havia  crianças e as  árvores esqueceram de florir. Uma vez uma bela flor colocou sua cabeça para
fora da grama, mas quando ela viu a placa com o aviso, ficou tão triste pelas crianças que ela voltou
para dentro do chão e voltou a dormir..
  As únicas pessoas que estavam satisfeitas eram a neve e a geada: "A primavera esqueceu deste
jardim" eles exclamavam, "então nós viveremos aqui durante todo o ano"
A neve cobriu toda grama com seu grande manto branco  e a geada pintou todas as árvores de
prata.
Então, eles convidaram o Vento Norte para vir ficar com eles  e ele veio. Ele estava embrulhado
em peles e rugiu todo o dia sobre o jardim e golpeou as chaminés.
"Este  lugar é uma delícia" ele disse. "Nós devemos chamar o Granizo para uma visita".
Então veio o granizo. Todo o dia , por três horas ele chacoalhou o telhado do castelo até quebrar
a maioria das telhas e então girava, girava e girava em volta do jardim tão rápido quanto podia.
Ele estava vestido de cinza e seu sopro era como gelo.
" Eu não entendo por que a primavera está demorando para vir" disse o Gigante egoísta quando
sentou-se perto da janela e olhou para o seu branco e gelado jardim. " Eu espero que haja uma
mudança no tempo"
Mas a Primavera nunca vinha, nem o Verão. O Outono dava frutos dourados em todos os jardins
mas no jardim do Gigante não  dava nenhum.  "Ele é  tão egoísta" ele dizia. Então, era sempre
inverno lá  e o Vento Norte, o Granizo , o Gelo e a Neve dançavam entre as árvores.

Uma manhã o Gigante estava recostado em sua cama  quando escutou um canto adorável.Ele
soava tão doce em seus ouvidos que ele pensou que  deveriam ser os músicos do rei que estavam
passando. Realmente , era só um pequeno pássaro cantando fora de sua janela, mas fazia tanto
tempo que ele escutara um pássaro em seu jardim que para ele parecia ser a mais bela música do
mundo. Então o granizo parou de dançar sobre sua cabeça e o vento norte parou de soprar e um
perfume delicioso chegou até a ele através da veneziana aberta . " Eu creio que por fim chegou
a primavera" disse o Gigante, ele saltou da cama e olhou para fora.
O que ele viu?

Ele viu a mais linda cena
Através de um pequeno buraco na parede do muro as crianças rastejaram para dentro do jardim e sentaram-se nos ramos das árvores.Em cada ramo de árvore ele podia ver um criancinha.
E as árvores estavam tão felizes de ver as crianças de volta que  novamente se cobriram de flores e
gentilmente estendiam seus braços  sobre as cabeças das crianças.
Os pássaros voavam e chilreavam  com prazer e as flores do gramado olhavam para cima sorrindo.
Era uma adorável cena.

Somente num canto mais afastado do jardim era ainda inverno.,onde se
encontrava parado um garotinho. Ele era tão pequeno que não podia  subir pelo galhos da árvore
e  a rodeava chorando amargamente. A pobre árvore estava ainda coberta de gelo e neve e o
Vento Norte soprando e rugindo sobre ela.
"Suba  menininho" disse a árvore e inclinava seus ramos para  o mais baixo  quanto pode mas
o menininho  era muito pequeno.
E o coração do Gigante se derreteu quando olho para fora. "Como tenho sido egoísta" ele disse,
"Agora eu sei porque a Primavera não vem mais aqui. Eu colocarei o pobre menino em  cima
da árvore, e então, derrubarei o muro e o meu jardim será o lugar de diversão para as crianças
para todo sempre".
Ele estava realmente muito magoado pelo que tinha feito. Desceu as escadas e abriu a porta bem
suavemente e foi para o jardim. Mas quando as crianças o viram fugiram assustadas e o jardim ficou
novamente invernal.  Somente o garotinho não correu , pois seus olhos estavam tão cheios de
lágrimas que ele não viu o Gigante vindo.  E o Gigante parou atrás dele e delicadamente pegou-o
com suas mãos e o colocou em cima da árvore. E  a  árvore   mais uma vez floresceu e os pássaros
vieram e cantaram nela e o garotinho estendeu seus braços  e abraçou o pescoço do gigante e
beijou-o.  E as outras crianças que estavam observando de longe voltaram correndo e com elas
voltou a Primavera.
"Agora o jardim é de vocês, criancinhas" disse o Gigante e pegou um grande machado e colocou
abaixo o muro. Quando as pessoas foram ao mercado às doze horas encontraram o Gigante brin-
cando com as crianças no mais belo jardim que jamais tinham visto.
Ao longo de todo o dia eles brincaram e quando a noite chegou o Gigante lhes disse adeus.
"mas onde está o seu  pequeno companheiro?" ele  disse "Eu o pus na árvore"- O gigante gosta-
ra mais dele porque ele o havia beijado.
" Nós não sabemos" responderam as crianças "Ele foi  embora"
"Vocês digam a ele que volte aqui amanhã", disse o  Gigante.  Mas as crianças disseram que
não sabiam onde ele morava e nunca o tinham visto antes, e o Gigante sentiu-se muito triste.
Toda tarde quando fechava a escola, as crianças vinham e brincavam com o Gigante. Mas, o meni-
ninho nunca mais foi visto.
O gigante era muito atencioso com todas as crianças mas sentia falta do seu primeiro amiguinho e sempre falava dele. "Como eu gostaria de vê-lo" ele costumava dizer.
Os anos se passaram e o Gigante ficou velho e fraco. Ele não podia brincar mais, então ele
sentava numa poltrona e assistia as crianças brincarem e admirava o seu jardim. "Eu tenho flores
muito belas" ele dizia "mas as crianças são as mais belas flores de todas".
Numa manhã de inverno ele olhou através de sua janela  enquanto se vestia.
Ele agora não odiava o inverno pois sabia que era apenas a primavera que estava adormecida e
as flores estavam descansando.
Repentinamente ele esfregou seus olhos  assombrado e olhou e olhou. E certamente era algo
maravilhoso. No lugar mais afastado do jardim estava uma árvore coberta com adoráveis flores
brancas. Seus ramos eram dourados  e em sua ramagem havia um fruto prateado. Embaixo  da árvore
encontrava-se  o garotinho que ele tanto gostara.
O Gigante  desceu correndo as escadas em grande alegria e foi para o jardim.Ele apressou seus
passos através do gramado  e chegou perto do menino. Quando olhou de perto, seu rosto ficou vermelho e bravo e ele disse: " quem ousou  machucar você? pois nas palmas das mãos do menino
estavam as marcas de dois pregos e as marcas de dois pregos estavam nos seus pezinhos.
"Quem ousou machucar você?" gritou o Gigante. "Diga-me que eu pegarei minha espada e o
matarei"
"Ninguém" respondeu o menino "mas estas  são  feridas do Amor"
"Quem sois?" disse o Gigante e com  um estranho sentimento de veneração  ajoelhou-se ante o
Menino. E o Menino sorriu para o Gigante." Deixe-me brincar mais uma vez em seu jardim,hoje
você virá comigo para  o meu jardim que é o Paraíso.
E quando as crianças correram a tarde para o jardim encontraram o Gigante morto debaixo
da árvores todo coberto  por brancas flores.

OSCAR WILDE
Traduzido  por Guaraciaba Perides

Um lindo vídeo contando em animação este conto  infantil de Oscar Wilde





Espero que tenham gostado como eu, principalmente pelo surpreendente final.