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sábado, 13 de dezembro de 2014

HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA - Parte VII

Continuação...
Anos  40 / 50...
A Hegemonia do  Rádio continuou ao longo das décadas 40 e  50  e pode-se dizer o rádio era
a grande janela para o mundo, moldava a opinião pública, através de novelas e com voz de atores
e astros da música popular. Havia a formação de fãs-clubes e a eleição anual  de Rainhas do Rádio.
Linda Batista foi Rainha do Rádio por  onze anos (1937 a 1948).  Dircinha Batista foi eleita poste-
riormente  (l948).  Em 1949 houve uma disputa acirrada entre Emilinha Borba, a "Favorita da
Marinha" e Marlene, sendo Marlene a vitoriosa provocando grande rivalidade entre seus fãs-clu
bes. Emilinha foi eleita em  1953 sendo a partir de então, conhecida como Rainha Eterna dos
Brasileiros.
Dalva de Oliveira, Mary  Gonçalves, Angela   Maria, Vera Lúcia,  Dóris Monteiro também elei-
tas rainhas do rádio  na década de 50.  Os Concursos de Rainha do Rádio vendiam votos arreca-dando votos para instituições como o Hospital do Radialista e obtinham patrocínios de indústrias de uma ou
outra artista.
Os programas de auditório atraíam multidões às rádios que divulgavam os sucessos musicais.
O cotidiano do Rio de Janeiro e a Política Nacional muitas vezes serviam de temas  para sátiras.
Em 1948, por exemplo, Francisco Alves satirizava a inflação  e o governo Dutra com a música
"Falta um zero no meu ordenado" ( de Ari Barroso e Benedito Lacerda). Em l951, comentando
a eleição de Getúlio Vargas, Francisco Alves cantava a música de carnaval "Retrato do Velho"
(Haroldo Lobo e Mariano Pinto). Em 1952, Marlene cantava  "Lata d'água" (Luis Antonio e
J. Júnior) retratando a vida dos  morros e Blecaute satirizava o funcionalismo co  "Maria Can-
delária " (Klecius  Caldas e Armando Cavalcanti)

Entre os grandes cantores destacavam-se Francisco Alves- chamado o Rei da  Voz, durante 30
anos , cantava vários gêneros como versões norte americanas,  tangos e boleros, lançando o
chamado "samba exaltação " como  e m 1939 com "Aquarela do Brasil" de Ari Barroso.Gra-
vou cerca de 500  discos. Depois de sua morte em 1952, o cetro de Rei do Rádio passaria para
Orlando Silva ( 'O cantor das Multidões') que gravou " Risque" de Ari Barroso (1953) e recebeu
o título de' Príncipe do Disco'. Em 1954 tornaria-se o Rei do Rádio.
Outros cantores famosos foram  Nelson Gonçalves, ( ,"Última Seresta"," A volta do boêmio,
"Mariposa" e "Fica comigo esta noite".  Ivon Curi outro grande cantor de sucesso  alcançou
os primeiros lugares nas paradas de sucesso com músicas, tais como, "Tá faltando coisa em mim",
"Xote das Meninas" e "Amendoim  torradinho".Nos anos 50, temos o  grande Cauby Peixoto, uma
das grandes revelações  (ainda na ativa) e Francisco Carlos ( o cantor "namorado do Brasil")

Não podemos deixar de incluir  a grande notoriedade do rítmo nordestino de nominado "BAIÃO"
Quem imprimiu o formato urbano e popular do gênero foi o sanfoneiro pernambucano Luiz
Gonzaga  do Nascimento. Na década de 40, Luiz Gonzaga tocava na zona  boêmia do Rio de
Janeiro,  músicas de sucesso da época e seu repertório acabou por anexar ' coisas do sertão' e entre
elas o Baião. Seu primeiro parceiro foi o fluminense  Miguel Lima que compunha mazurcas,
calangos, e rítmos semelhantes.Associando-se ao advogado cearense Humberto Teixeira Caval-
cante obteve o respaldo político para as letras de suas músicas.  De qualquer forma, segundo
pesquisadores, foi Luiz Gonzaga que planejou meticulosamente o lançamento do baião em
nível nacional, o qual, junto com outros ritmos nordestinos moldou ao gosto urbano.Seu sucesso
 foi tão grande que deslocou para estes  ritmos boa parte do interesse musical, até então centrado
unicamente em produtos culturais do Rio de Janeiro, samba, marchinha,choro, etc...
Com músicas como  Baião, Asa Branca, Juazeiro, Paraíba, Qui nem jiló, Respeita Januário,
Sabiá, Vem Morena, Baião de Dois,etc e outros gêneros com Xotes, Xamegos ,Toadas, Cocos,
Xaxados e até Maracatus, Gonzaga colocou o Nordeste no mundo musical.
Gonzaga era o "Rei do Baião" e no auge do sucesso Carmélia Alves a "rainha". Na esteira do
sucessos do Baião muitos se destacaram como, Zé Dantas,  João do Vale (do Maranhão),,
Luis Vieira (de Pernambuco)  e o paulista Hervê Cordovil e do Ceará, Guio de  Moraes, etc...
O acordeon, instrumento que como a sanfona fazia acompanhamento de baião, virou instru-
mento de moda ensinado nas academias para centenas de alunos.
Muitos artistas seguiram a trilha do  gênero musical  para depois partirem para outras experiências.
João Donato, Edu lobo e Milton Nascimento são exemplos  mais modernos.Até João Gilberto e
Lúcio Alves que repaginaram o baião  modernizando-o em algumas composições.
Embora em declínio no final doa anos 50, o baião ainda influiu sobre compositores mais jovens ao longo da décadas seguinte. Geraldo Vandré em 1965, regravou "Asa Branca" co características de
música de protesto.Os tropicalistas,Gil e Caetano também fizeram releituras do gênero e até hoje
segue a influência e modernização do gênero . na década de 70, Fagner e até Raul Seixas...
Modernizado por intervenções musicais de Hermeto Pascoal, Edu Lobo, Egberto Gismonti,
Guinga, etc. Nos anos 90, temos apontada sua influência e de outros ritmos do  nordesteem
novos compositores como Chico  César (Paraíba), Lenine (Pernambuco) e Zeca Baleiro e
Rita Ribeiro ( Maranhão).

Nos anos 50, a Música Caipira, também alcança o seu apogeu, através de levas de duplas
especialmente do interior de São Paulo que tiveram espaço nas gravadoras e emissoras de
rádio, Nessa época ,por exemplo, o filão caipira abrigou as guarânias de Cascatinha e Inhana, as rancheiras mexicanas de Pedro Bento e Zé da Estrada. A moda de viola ganhou maior expressão e seduziu grandes compositores como Teddy Vieira e Lourival dos Santos da cidade de São Paulo
A  música caipira disputando espaços  com os ritmos nordestinos vindos com levas de imigrantes,
tais como, emboladas e cocos se misturaram também com guarânias, rasqueados, boleros baladas,
etc. Da fusão sonora de todas essas matrizes surgiu o que se convencionou chamar de Música
Sertaneja.

Em contraponto ao domínio do rádio sobre o povo, havia também críticas tais como a do jurista
Roberto Lira do Instituto de Criminologia do Distrito Federal que considerava o rádio como
influência perniciosa sobre a moral e os bons costumes e promotor da delinquência. Mas para
os artistas do rádio era forma de alcançar o sucesso e ascender  socialmente através de grandes
fortunas alcançadas por altos cachês e contratos milionários,

Tendo se iniciado como forma elitista de promoção cultural clássicas, orquestrais e óperas,
o rádio estabeleceu e se concretizou como grande propulsor e propagador da música popular
brasileira, divulgando grandes compositores e permitindo e evolução de sua história.



"Nós somos as cantoras do Rádio"...Com Carmen e Aurora  Miranda
   


Luis Gonzaga interpretando a famosa música  ASA BRANCA  (baião de l947)


Dalva de Oliveira cantando "AVE MARIA NO MORRO" - um clássico de l942



Música caipira  "Chico Mineiro" na voz de Sergio Reis...a gravação original é de l946 com Tonico e Tinoco.



Na próxima postagem veremos o surgimento da Bossa Nova...gênero que ganhou o mundo

...continua.

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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

THE SELFISH GIANT ( O GIGANTE EGOÍSTA ) Um conto de Oscar Wilde

Toda tarde, quando voltavam da escola,as crianças costumavam ir brincar no jardim do gigante.
Era um jardim grande e agradável com um macio e verde gramado.
Aqui e ali havia sobre a grama belas flores com estrelas e havia doze pessegueiros que no tempo
da primavera floresciam com delicadas flores rosadas e peroladas e no outono produziam ricas
frutas. Os pássaros pousavam nas árvores e cantavam tão docemente que as crianças paravam de
brincar para escutá-los.  "Como nós somos felizes aqui" eles falavam uns aos outros.
Um dia o Gigante voltou. Ele tinha ido visitar o seu amigo no "Cornish Ogre" e permaneceu com ele durante sete anos. Após  terem se passado sete anos e  já se tivesse sido dito tudo, pois a conversa
entre eles era limitada, ele resolveu voltar para o seu próprio castelo.
Quando ele  chegou viu as crianças brincando no jardim.
"O que vocês estão fazendo aqui?" ele gritou com uma rude voz, e as crianças correram para fora.
"O meu jardim é o meu jardim"- disse o Gigante " Eu não permitirei que ninguém brinque  nele a
não ser eu mesmo".  Então ele  construiu um alto muro em volta e colocou uma placa com o aviso:
OS INTRUSOS SERÃO PROCESSADOS
Era um Gigante muito egoísta.
As pobres crianças não tinham mais, agora, lugar para brincar.
Elas tentaram brincar na rua, mas a rua era muito suja e cheia de pesadas pedras e elas não
gostavam. elas costumavam rodear o alto muro quando suas aulas terminavam e conversavam sobre
o belo jardim: "Como éramos felizes lá" eles diziam uns aos outros.
Então, chegou a Primavera e o país todo estava com pequenas floradas e passarinhos. Somente no
Jardim do Gigante egoísta era ainda inverno. Os passarinhos não cuidavam de cantar , lá não
havia  crianças e as  árvores esqueceram de florir. Uma vez uma bela flor colocou sua cabeça para
fora da grama, mas quando ela viu a placa com o aviso, ficou tão triste pelas crianças que ela voltou
para dentro do chão e voltou a dormir..
  As únicas pessoas que estavam satisfeitas eram a neve e a geada: "A primavera esqueceu deste
jardim" eles exclamavam, "então nós viveremos aqui durante todo o ano"
A neve cobriu toda grama com seu grande manto branco  e a geada pintou todas as árvores de
prata.
Então, eles convidaram o Vento Norte para vir ficar com eles  e ele veio. Ele estava embrulhado
em peles e rugiu todo o dia sobre o jardim e golpeou as chaminés.
"Este  lugar é uma delícia" ele disse. "Nós devemos chamar o Granizo para uma visita".
Então veio o granizo. Todo o dia , por três horas ele chacoalhou o telhado do castelo até quebrar
a maioria das telhas e então girava, girava e girava em volta do jardim tão rápido quanto podia.
Ele estava vestido de cinza e seu sopro era como gelo.
" Eu não entendo por que a primavera está demorando para vir" disse o Gigante egoísta quando
sentou-se perto da janela e olhou para o seu branco e gelado jardim. " Eu espero que haja uma
mudança no tempo"
Mas a Primavera nunca vinha, nem o Verão. O Outono dava frutos dourados em todos os jardins
mas no jardim do Gigante não  dava nenhum.  "Ele é  tão egoísta" ele dizia. Então, era sempre
inverno lá  e o Vento Norte, o Granizo , o Gelo e a Neve dançavam entre as árvores.

Uma manhã o Gigante estava recostado em sua cama  quando escutou um canto adorável.Ele
soava tão doce em seus ouvidos que ele pensou que  deveriam ser os músicos do rei que estavam
passando. Realmente , era só um pequeno pássaro cantando fora de sua janela, mas fazia tanto
tempo que ele escutara um pássaro em seu jardim que para ele parecia ser a mais bela música do
mundo. Então o granizo parou de dançar sobre sua cabeça e o vento norte parou de soprar e um
perfume delicioso chegou até a ele através da veneziana aberta . " Eu creio que por fim chegou
a primavera" disse o Gigante, ele saltou da cama e olhou para fora.
O que ele viu?

Ele viu a mais linda cena
Através de um pequeno buraco na parede do muro as crianças rastejaram para dentro do jardim e sentaram-se nos ramos das árvores.Em cada ramo de árvore ele podia ver um criancinha.
E as árvores estavam tão felizes de ver as crianças de volta que  novamente se cobriram de flores e
gentilmente estendiam seus braços  sobre as cabeças das crianças.
Os pássaros voavam e chilreavam  com prazer e as flores do gramado olhavam para cima sorrindo.
Era uma adorável cena.

Somente num canto mais afastado do jardim era ainda inverno.,onde se
encontrava parado um garotinho. Ele era tão pequeno que não podia  subir pelo galhos da árvore
e  a rodeava chorando amargamente. A pobre árvore estava ainda coberta de gelo e neve e o
Vento Norte soprando e rugindo sobre ela.
"Suba  menininho" disse a árvore e inclinava seus ramos para  o mais baixo  quanto pode mas
o menininho  era muito pequeno.
E o coração do Gigante se derreteu quando olho para fora. "Como tenho sido egoísta" ele disse,
"Agora eu sei porque a Primavera não vem mais aqui. Eu colocarei o pobre menino em  cima
da árvore, e então, derrubarei o muro e o meu jardim será o lugar de diversão para as crianças
para todo sempre".
Ele estava realmente muito magoado pelo que tinha feito. Desceu as escadas e abriu a porta bem
suavemente e foi para o jardim. Mas quando as crianças o viram fugiram assustadas e o jardim ficou
novamente invernal.  Somente o garotinho não correu , pois seus olhos estavam tão cheios de
lágrimas que ele não viu o Gigante vindo.  E o Gigante parou atrás dele e delicadamente pegou-o
com suas mãos e o colocou em cima da árvore. E  a  árvore   mais uma vez floresceu e os pássaros
vieram e cantaram nela e o garotinho estendeu seus braços  e abraçou o pescoço do gigante e
beijou-o.  E as outras crianças que estavam observando de longe voltaram correndo e com elas
voltou a Primavera.
"Agora o jardim é de vocês, criancinhas" disse o Gigante e pegou um grande machado e colocou
abaixo o muro. Quando as pessoas foram ao mercado às doze horas encontraram o Gigante brin-
cando com as crianças no mais belo jardim que jamais tinham visto.
Ao longo de todo o dia eles brincaram e quando a noite chegou o Gigante lhes disse adeus.
"mas onde está o seu  pequeno companheiro?" ele  disse "Eu o pus na árvore"- O gigante gosta-
ra mais dele porque ele o havia beijado.
" Nós não sabemos" responderam as crianças "Ele foi  embora"
"Vocês digam a ele que volte aqui amanhã", disse o  Gigante.  Mas as crianças disseram que
não sabiam onde ele morava e nunca o tinham visto antes, e o Gigante sentiu-se muito triste.
Toda tarde quando fechava a escola, as crianças vinham e brincavam com o Gigante. Mas, o meni-
ninho nunca mais foi visto.
O gigante era muito atencioso com todas as crianças mas sentia falta do seu primeiro amiguinho e sempre falava dele. "Como eu gostaria de vê-lo" ele costumava dizer.
Os anos se passaram e o Gigante ficou velho e fraco. Ele não podia brincar mais, então ele
sentava numa poltrona e assistia as crianças brincarem e admirava o seu jardim. "Eu tenho flores
muito belas" ele dizia "mas as crianças são as mais belas flores de todas".
Numa manhã de inverno ele olhou através de sua janela  enquanto se vestia.
Ele agora não odiava o inverno pois sabia que era apenas a primavera que estava adormecida e
as flores estavam descansando.
Repentinamente ele esfregou seus olhos  assombrado e olhou e olhou. E certamente era algo
maravilhoso. No lugar mais afastado do jardim estava uma árvore coberta com adoráveis flores
brancas. Seus ramos eram dourados  e em sua ramagem havia um fruto prateado. Embaixo  da árvore
encontrava-se  o garotinho que ele tanto gostara.
O Gigante  desceu correndo as escadas em grande alegria e foi para o jardim.Ele apressou seus
passos através do gramado  e chegou perto do menino. Quando olhou de perto, seu rosto ficou vermelho e bravo e ele disse: " quem ousou  machucar você? pois nas palmas das mãos do menino
estavam as marcas de dois pregos e as marcas de dois pregos estavam nos seus pezinhos.
"Quem ousou machucar você?" gritou o Gigante. "Diga-me que eu pegarei minha espada e o
matarei"
"Ninguém" respondeu o menino "mas estas  são  feridas do Amor"
"Quem sois?" disse o Gigante e com  um estranho sentimento de veneração  ajoelhou-se ante o
Menino. E o Menino sorriu para o Gigante." Deixe-me brincar mais uma vez em seu jardim,hoje
você virá comigo para  o meu jardim que é o Paraíso.
E quando as crianças correram a tarde para o jardim encontraram o Gigante morto debaixo
da árvores todo coberto  por brancas flores.

OSCAR WILDE
Traduzido  por Guaraciaba Perides

Um lindo vídeo contando em animação este conto  infantil de Oscar Wilde





Espero que tenham gostado como eu, principalmente pelo surpreendente final.

sábado, 29 de novembro de 2014

CHUVA.

Choveu esta manhã
Choveu aos borbotões
As nuvens carregadas prometiam
muita água, muita água...
que enfim desabou.
Entre raios e trovões, elas (as águas)
romperam diques, jorraram em fontes,
pelas ravinas, sulcando a terra
escalavrada, que encharcada 
se derretia...
E toda  a lama dos desafetos
correu p'ros becos e pelas frestas,
escorrendo em fios de água pura.
Então já livres de todo o pó,
de toda fuligem acumulada,
foi mansamente se desfazendo
em gotas livres pelas janelas
e uma à outra se unificando...
até que enfim evaporaram-se
à luz do sol de um céu sem nuvens.
Por ora, a paz.

Guaraciaba Perides


Dançando na chuva: um clássico  americano
                                        

:



Que maravilha...com Jorge Benjor

Agora, só alegria... Paz e Amor!

domingo, 23 de novembro de 2014

HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA - Parte VI

ANOS 30/  40 / 50...A ERA do RÁDIO

A década de 30 foi também a época de ouro da música de Carnaval.
Foi também durante esse período que o samba e a marcha  rancho alcançaram
sua forma plenamente amadurecida Compositores de grande importância, tais como,
Lamartine Babo, Noel Rosa, Ari Barroso  e outros criaram músicas que se tornaram
clássicos da MPB.   "TAÍ" de Joubert de Carvalho -1930,  "TEU CABELO NÃO  NEGA"
de Lamartine Babo  e Irmãos Valença- 1932, "FITA AMARELA" de Noel Rosa -1933.
"PIERROT APAIXONADO" de Noel Rosa e Heitor dos Prazeres -1936, "YES, NÓS
TEMOS BANANAS" de João de Barros e Alberto Ribeiro - 1938 ," CAMISA LISTADA"
de Assis Valente- 1938, "PASTORINHAS" de  João de Barros e Noel Rosa -1938,
"A JARDINEIRA" de Benedito Lacerda e Humberto Porto -1939, "ATIRE A PRIMEIRA
PEDRA" de Ataulfo Alves e Mário lago-1944, entre outras tantas inesquecíveis.

Ao longo dos anos 30 o Carnaval carioca foi tomando a forma de carnaval espetáculo
Para o governo de Getúlio Vargas as escolas de samba tornaram-se canal de comunicação 
do Estado com as classes mais populares. Até 1933, o carnaval das classes baixas era
controlado pela polícia que não autorizava que as escolas de samba realizassem seus desfiles.
O governo Vargas generalizando o intervencionismo estatal promoveu o que a cronista 
Eneida da Costa Morais chamou de "alegria dirigida". Foram criados departamentos de
Turismo nos Estados que passaram a ter um papel mais importante na organização do carnaval.
Em 1933, segundo Eneida, surgiu definitivamente  no Rio de Janeiro o carnaval oficializado.
A  prefeitura traçava os programas dos festejos que iam desde a batalha de confete nas ruas
aos banhos mar à fantasia, desfile de ranchos, blocos e grandes sociedades,corsos e bailes.
Foi nesse momento que foi criado o Baile do Municipal para a alta sociedade.  Assim era
também o Carnaval de Recife , Salvador, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, etc.

Para ilustrar o período; um documentário de Pierre Verger sobre o carnaval dos anos 40

em várias regiões do  Brasil e vários gêneros  musicais.



CARNAVAL DE RUA  EM ÉPOCAS  ANTIGAS...




 A Festa continua...

sábado, 15 de novembro de 2014

UM SONHO SONHADO

                       


                                   Promenade            Marc   Chagall                



UM  SONHO   SONHADO

No sonho dancei  e dancei
No sonho bisbilhotei
No sonho não tenho idade
Somente a que me convém
Transponho o espaço e corro
E quando canso vôo
Pois tenho asas nos sonhos meus...
Enfrento  feras que não me atacam
E se me atacam não me detém
Em caso extremo de desafio
Mudo a paisagem...corro para o mar.

Falo outras línguas sem embaraço
Tantos carinhos, tantos abraços
Tantos caminhos a palmilhar...
Se entretanto, nos labirintos
Correndo o risco de me perder
Entre as surpresas de um sonho mau!
Uso recursos não tão sutis..
Abordo o perigo, sem medo,
Ponho fogo no leão e fujo de bicicleta,
e na fuga , por um triz
Atravesso os muros d'alma
Dou um salto no escuro
E já me sentindo seguro
Acordo!
Guaraciaba Perides

Imagens oníricas de Salvador Dali


                                                                   

Sonhei    de Luiz Tatit

sábado, 8 de novembro de 2014

CASO DO VESTIDO ( Carlos Drummond de Andrade)

Nossa mãe, o que é aquele
vestido, naquele prego?

Minhas filhas, é o vestido
de uma dona que passou.

Passou quando, nossa mãe?
Era nossa conhecida?

Minhas filhas, boca presa.
Vosso pai evém chegando.

Nossa mãe, dizei depressa
que vestido é esse vestido.

Minhas filhas, mas o corpo
ficou frio e não o veste.

O vestido , nesse prego,
está morto, sossegado.

Nossa mãe, esse vestido
tanta renda, esse segredo!

Minhas filhas, escutai
palavras de minha boca.

Era uma dona de longe.
vosso pai enamorou-se.

E ficou tão transtornado
se perdeu tanto de nós,

Se afastou de toda vida,
se fechou, se devorou,

chorou no prato de carne
bebeu, brigou, me bateu

me deixou com vosso berço,
foi para a dona de longe,

mas a dona não ligou.
Em vão o pai implorou.

Dava apólice , fazenda,
dava carro, dava ouro,

beberia seu sobejo,
lamberia  seu sapato.

Mas a dona nem ligou.
Então vosso pai, irado,

me pediu que lhe pedisse
a essa dona tão perversa,

que tivesse paciência
e fosse dormir com ele...

Nossa mãe, por que chorais?
Nosso lenço vos cedemos.

Minhas filhas, vosso pai
chega ao pátio. Disfarcemos.

Nossa mãe, não escutamos
pisar de pé no degrau.

Minhas filhas, procurei
aquela mulher do demo.

E lhe roguei que aplacasse
de meu marido a vontade.

eu não amo teu marido,
me falou ela se rindo.

Mas posso ficar com ele
se a senhora fizer gosto,

só para lhe satisfazer,
não por mim, não quero homem.

Olhei para o vosso pai,
os olhos dele pediam.

Olhei para a dona ruim,
os olhos dela gozavam.

O seu vestido de renda,
de colo mui devassado,

mais mostrava que escondia
as partes da pecadora.

Eu fiz meu pelo-sinal,
me curvei...disse que sim.

Saí pensando na morte,
mas a morte não chegava.

Andei pelas cinco ruas,
passei ponte, passei rio,

visitei vossos parentes,
não comia, não falava,

tive uma febre terçã,
mas a morte não chegava.

Fiquei fora de perigo,
fiquei de cabeça branca,

perdi meus dentes, meus olhos,
costurei, lavei, fiz doce,

minhas mãos se escalavraram,
meus anéis se dispersaram,

minha corrente de ouro
pagou conta de farmácia.

Vosso pai sumiu nos mundo.
O mundo é grande e pequeno.

Um dia a dona soberba
me apareceu já sem nada,

pobre, desfeita, mofina,
com sua trouxa na mão.

Dona, me disse baixinho,
não te dou vosso marido,

que não sei onde ele anda.
Mas te dou esse vestido.

última peça de luxo
que guardei como lembrança

daquele dia de cobra,
da maior humilhação.

Eu não tinha amor por ele,
ao depois amor pegou.

mas então ele enjoado
confessou que só gostava

de mim como eu era dantes
Me joguei a suas plantas,

fiz toda sorte de dengo,
no chão rocei minha cara,

me puxei pelos cabelos,
me lancei na correnteza,

me cortei de canivete,
me atirei no sumidouro,

bebi fel e gasolina
rezei duzentas novenas,

dona, de nada valeu:
vosso marido sumiu.

Aqui trago a minha roupa
que recorda meu malfeito

de ofender dona casada
pisando no seu orgulho.

Recebei esse vestido
e me dai vosso perdão.

Olhei para a cara dela,
quede os olhos cintilantes?

quede  graça de sorriso,
quede colo de camélia?

quede aquela criaturinha
delgada como jeitosa?

quede pezinhos calçados
com sandálias de cetim?

Olhei muito para ela,
boca não disse palavra.

Peguei o vestido, pus
nesse prego da parede.

Ela se foi de mansinho
e já na ponta de estrada

vosso pai aparecia.
Olhou para mim em silêncio,

mal reparou no vestido
e disse apenas: Mulher,

põe mais um prato na mesa.
Eu fiz, ele se assentou,

comeu, limpou o suor,
era sempre o mesmo homem,

comia meio de lado
e nem estava mais velho.

O barulho da comida
na boca, me acalentava,

me dava uma grande paz,
um sentimento esquisito

de que tudo foi um sonho,
vestido não há...nem nada.

Minhas filhas, eis que ouço
vosso pai subindo a escada.






Carlos Drummond de Andrade ( Antologia Poética)- CASO DO VESTIDO



A música de  Chico César   a "DONA DO DOM"  com Maria Bethania


Duas Mulheres...as duas faces da mesma moeda?

sábado, 1 de novembro de 2014

HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA Parte V

DÉCADA  DE  30 e a ERA DO RÁDIO :
 A   partir de da década de 30 o samba já havia se  desenvolvido o suficiente e 
compreendia várias modalidades : o samba de roda que é o protótipo do samba
rural dançado ainda com a umbigada, o samba canção que  notabilizou Lupicínio
Rodrigues, o samba choro, o samba de breque cristalizado por Moreira da Silva em
"Na subida do morro", o samba de partido alto com Aniceto do Império, o samba de
terreiro que animava os ensaios da escolas de samba e depois chegaram ao rádio o
samba sincopado com os que imortalizaram Geraldo Pereira, etc..
Os músicos profissionais da classe média que tinham acesso ao disco e ao rádio se
apossaram do samba em suas mais variadas modalidades.  Como já citamos o  famoso
Bando dos Tangarás, reuniam os músicos Almirante, João de Barro (o famoso Braguinha),
Alvinho, Henrique Brito e Noel Rosa.

A história do samba carioca, da mesma forma que o Jazz nos Estados Unidos, conta a 
história da ascensão contínua de um gênero de música popular, de suas raízes populares
e negras para a classe média, constituída na maioria de brancos e mestiços.

Durante  a década de 30, o rádio iria ter vital importância na propagação da música popular
e especialmente do samba.. A transmissão para todo o Brasil de programais musicais do Rio
transformou o período em período de ouro para a música popular e propiciou o aparecimento
de vários ídolos:  Francisco Alves, Vicente Celestino, Mário Reis, Carmem Miranda, Araci
de Almeida, etc...
Em 1937, Orlando  Silva  era chamado de "O cantor das multidões" por levar milhares de
admiradores  em suas apresentações. Os gêneros musicais  se diversificaram.Em l935,
o samba canção ou "Samba do meio de ano" começa a formar o seu estilo, diferenciando-se
do rítmo carnavalesco. O samba canção próprio para ouvir e cantar vinha atender uma exigência
de lazer das massas urbanas que se divertiam com  programas de rádio.
Surge também um gênero híbrido chamada samba- choro , representado pelas composições
"Amor em excesso" (1932) de Gade e "Comigo não" (1934) de Heitor Catumbi.
Em 1936, surgiria o sambe de breque tal como ficaria conhecido a partir de  "Jogo Proibido"
interpretado por Moreira da Silva.
Em 1937, o paulista Raul Torres grava no Rio de Janeiro os mais variados gêneros musicais
e folclóricos de Centro -Sul e Nordeste. Destacava-se o  jongo "Sereno Cai". Aproveita-se
o folclore nordestino e a música rural de São Paulo, Minas Gerais, Paraná. Mato Grosso, etc,
numa verdadeira busca de raízes. Divulgando-se essa música sertaneja nas cidades surgiram
ídolos, como por exemplo, a dupla Alvarenga ( de Taubaté) e Ranchinho (de Jacareí)
NOTA:  Os cantos religiosos dos jesuítas e e as modinhas trazidas pelos portugueses colonizadores
misturaram-se à música e à dança dos nativos e daí surgiram gêneros musicais que se enraízaram 
especialmente  na região sudeste ,no sul e no centro-oeste do Brasil, integrando o que ficou conhecido como música caipira, como as catiras, os cururus, as toadas e as modas de viola.
As primeiras gravações de modas de viola e de outros gêneros  caipiras por violeiros cantadores
do interior paulista podemos citar ,já em 1929, os discos de Cornélio Pires na gravadora Colúmbia.
Na década de 30 vieram os sucessos de João pacífico e Raul Torres, de Alvarenga e Ranchinho e a partir de 40, Tonico e Tinoco.

Bando dos Tangarás (1930)





Carmem Miranda...Camisa listada (1937)
                                   

                                       
 Ai,Yoyô....com Araci Cortes....considerado o primeiro samba canção gravado  (1928?)                                


Continuamos na próxima postagem sobre o tema...


Guaraciaba Perides