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sábado, 15 de novembro de 2014

UM SONHO SONHADO

                       


                                   Promenade            Marc   Chagall                



UM  SONHO   SONHADO

No sonho dancei  e dancei
No sonho bisbilhotei
No sonho não tenho idade
Somente a que me convém
Transponho o espaço e corro
E quando canso vôo
Pois tenho asas nos sonhos meus...
Enfrento  feras que não me atacam
E se me atacam não me detém
Em caso extremo de desafio
Mudo a paisagem...corro para o mar.

Falo outras línguas sem embaraço
Tantos carinhos, tantos abraços
Tantos caminhos a palmilhar...
Se entretanto, nos labirintos
Correndo o risco de me perder
Entre as surpresas de um sonho mau!
Uso recursos não tão sutis..
Abordo o perigo, sem medo,
Ponho fogo no leão e fujo de bicicleta,
e na fuga , por um triz
Atravesso os muros d'alma
Dou um salto no escuro
E já me sentindo seguro
Acordo!
Guaraciaba Perides

Imagens oníricas de Salvador Dali


                                                                   

Sonhei    de Luiz Tatit

sábado, 8 de novembro de 2014

CASO DO VESTIDO ( Carlos Drummond de Andrade)

Nossa mãe, o que é aquele
vestido, naquele prego?

Minhas filhas, é o vestido
de uma dona que passou.

Passou quando, nossa mãe?
Era nossa conhecida?

Minhas filhas, boca presa.
Vosso pai evém chegando.

Nossa mãe, dizei depressa
que vestido é esse vestido.

Minhas filhas, mas o corpo
ficou frio e não o veste.

O vestido , nesse prego,
está morto, sossegado.

Nossa mãe, esse vestido
tanta renda, esse segredo!

Minhas filhas, escutai
palavras de minha boca.

Era uma dona de longe.
vosso pai enamorou-se.

E ficou tão transtornado
se perdeu tanto de nós,

Se afastou de toda vida,
se fechou, se devorou,

chorou no prato de carne
bebeu, brigou, me bateu

me deixou com vosso berço,
foi para a dona de longe,

mas a dona não ligou.
Em vão o pai implorou.

Dava apólice , fazenda,
dava carro, dava ouro,

beberia seu sobejo,
lamberia  seu sapato.

Mas a dona nem ligou.
Então vosso pai, irado,

me pediu que lhe pedisse
a essa dona tão perversa,

que tivesse paciência
e fosse dormir com ele...

Nossa mãe, por que chorais?
Nosso lenço vos cedemos.

Minhas filhas, vosso pai
chega ao pátio. Disfarcemos.

Nossa mãe, não escutamos
pisar de pé no degrau.

Minhas filhas, procurei
aquela mulher do demo.

E lhe roguei que aplacasse
de meu marido a vontade.

eu não amo teu marido,
me falou ela se rindo.

Mas posso ficar com ele
se a senhora fizer gosto,

só para lhe satisfazer,
não por mim, não quero homem.

Olhei para o vosso pai,
os olhos dele pediam.

Olhei para a dona ruim,
os olhos dela gozavam.

O seu vestido de renda,
de colo mui devassado,

mais mostrava que escondia
as partes da pecadora.

Eu fiz meu pelo-sinal,
me curvei...disse que sim.

Saí pensando na morte,
mas a morte não chegava.

Andei pelas cinco ruas,
passei ponte, passei rio,

visitei vossos parentes,
não comia, não falava,

tive uma febre terçã,
mas a morte não chegava.

Fiquei fora de perigo,
fiquei de cabeça branca,

perdi meus dentes, meus olhos,
costurei, lavei, fiz doce,

minhas mãos se escalavraram,
meus anéis se dispersaram,

minha corrente de ouro
pagou conta de farmácia.

Vosso pai sumiu nos mundo.
O mundo é grande e pequeno.

Um dia a dona soberba
me apareceu já sem nada,

pobre, desfeita, mofina,
com sua trouxa na mão.

Dona, me disse baixinho,
não te dou vosso marido,

que não sei onde ele anda.
Mas te dou esse vestido.

última peça de luxo
que guardei como lembrança

daquele dia de cobra,
da maior humilhação.

Eu não tinha amor por ele,
ao depois amor pegou.

mas então ele enjoado
confessou que só gostava

de mim como eu era dantes
Me joguei a suas plantas,

fiz toda sorte de dengo,
no chão rocei minha cara,

me puxei pelos cabelos,
me lancei na correnteza,

me cortei de canivete,
me atirei no sumidouro,

bebi fel e gasolina
rezei duzentas novenas,

dona, de nada valeu:
vosso marido sumiu.

Aqui trago a minha roupa
que recorda meu malfeito

de ofender dona casada
pisando no seu orgulho.

Recebei esse vestido
e me dai vosso perdão.

Olhei para a cara dela,
quede os olhos cintilantes?

quede  graça de sorriso,
quede colo de camélia?

quede aquela criaturinha
delgada como jeitosa?

quede pezinhos calçados
com sandálias de cetim?

Olhei muito para ela,
boca não disse palavra.

Peguei o vestido, pus
nesse prego da parede.

Ela se foi de mansinho
e já na ponta de estrada

vosso pai aparecia.
Olhou para mim em silêncio,

mal reparou no vestido
e disse apenas: Mulher,

põe mais um prato na mesa.
Eu fiz, ele se assentou,

comeu, limpou o suor,
era sempre o mesmo homem,

comia meio de lado
e nem estava mais velho.

O barulho da comida
na boca, me acalentava,

me dava uma grande paz,
um sentimento esquisito

de que tudo foi um sonho,
vestido não há...nem nada.

Minhas filhas, eis que ouço
vosso pai subindo a escada.






Carlos Drummond de Andrade ( Antologia Poética)- CASO DO VESTIDO



A música de  Chico César   a "DONA DO DOM"  com Maria Bethania


Duas Mulheres...as duas faces da mesma moeda?

sábado, 1 de novembro de 2014

HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA Parte V

DÉCADA  DE  30 e a ERA DO RÁDIO :
 A   partir de da década de 30 o samba já havia se  desenvolvido o suficiente e 
compreendia várias modalidades : o samba de roda que é o protótipo do samba
rural dançado ainda com a umbigada, o samba canção que  notabilizou Lupicínio
Rodrigues, o samba choro, o samba de breque cristalizado por Moreira da Silva em
"Na subida do morro", o samba de partido alto com Aniceto do Império, o samba de
terreiro que animava os ensaios da escolas de samba e depois chegaram ao rádio o
samba sincopado com os que imortalizaram Geraldo Pereira, etc..
Os músicos profissionais da classe média que tinham acesso ao disco e ao rádio se
apossaram do samba em suas mais variadas modalidades.  Como já citamos o  famoso
Bando dos Tangarás, reuniam os músicos Almirante, João de Barro (o famoso Braguinha),
Alvinho, Henrique Brito e Noel Rosa.

A história do samba carioca, da mesma forma que o Jazz nos Estados Unidos, conta a 
história da ascensão contínua de um gênero de música popular, de suas raízes populares
e negras para a classe média, constituída na maioria de brancos e mestiços.

Durante  a década de 30, o rádio iria ter vital importância na propagação da música popular
e especialmente do samba.. A transmissão para todo o Brasil de programais musicais do Rio
transformou o período em período de ouro para a música popular e propiciou o aparecimento
de vários ídolos:  Francisco Alves, Vicente Celestino, Mário Reis, Carmem Miranda, Araci
de Almeida, etc...
Em 1937, Orlando  Silva  era chamado de "O cantor das multidões" por levar milhares de
admiradores  em suas apresentações. Os gêneros musicais  se diversificaram.Em l935,
o samba canção ou "Samba do meio de ano" começa a formar o seu estilo, diferenciando-se
do rítmo carnavalesco. O samba canção próprio para ouvir e cantar vinha atender uma exigência
de lazer das massas urbanas que se divertiam com  programas de rádio.
Surge também um gênero híbrido chamada samba- choro , representado pelas composições
"Amor em excesso" (1932) de Gade e "Comigo não" (1934) de Heitor Catumbi.
Em 1936, surgiria o sambe de breque tal como ficaria conhecido a partir de  "Jogo Proibido"
interpretado por Moreira da Silva.
Em 1937, o paulista Raul Torres grava no Rio de Janeiro os mais variados gêneros musicais
e folclóricos de Centro -Sul e Nordeste. Destacava-se o  jongo "Sereno Cai". Aproveita-se
o folclore nordestino e a música rural de São Paulo, Minas Gerais, Paraná. Mato Grosso, etc,
numa verdadeira busca de raízes. Divulgando-se essa música sertaneja nas cidades surgiram
ídolos, como por exemplo, a dupla Alvarenga ( de Taubaté) e Ranchinho (de Jacareí)
NOTA:  Os cantos religiosos dos jesuítas e e as modinhas trazidas pelos portugueses colonizadores
misturaram-se à música e à dança dos nativos e daí surgiram gêneros musicais que se enraízaram 
especialmente  na região sudeste ,no sul e no centro-oeste do Brasil, integrando o que ficou conhecido como música caipira, como as catiras, os cururus, as toadas e as modas de viola.
As primeiras gravações de modas de viola e de outros gêneros  caipiras por violeiros cantadores
do interior paulista podemos citar ,já em 1929, os discos de Cornélio Pires na gravadora Colúmbia.
Na década de 30 vieram os sucessos de João pacífico e Raul Torres, de Alvarenga e Ranchinho e a partir de 40, Tonico e Tinoco.

Bando dos Tangarás (1930)





Carmem Miranda...Camisa listada (1937)
                                   

                                       
 Ai,Yoyô....com Araci Cortes....considerado o primeiro samba canção gravado  (1928?)                                


Continuamos na próxima postagem sobre o tema...


Guaraciaba Perides


                                        











domingo, 26 de outubro de 2014

REFLEXÕES SOBRE a FELICIDADE

 Suave é o toque do lençol de cetim
Suave é o toque de sua pele em mim
Suave é a luz da lua esparramando prata
e iluminando os perfis.
Suave é o som da sonata ao piano
que alguém toca ao longe...muito longe
E para que mais se suave é a noite
E a vida passa como um filme de amor...
.........................................................................

Se  cada cena vivida
Cada sonho sonhado
Cada quadro pintado
Fossem todos paralelos
Nos paralelos da vida...
Cada pessoa, seu outro,
do outro lado do espelho
Cada história repetida
No círculo que volteia
da espiral que circula
no ciclo de cada ciclo
que escorre pelas areias 
Do tempo...

...........................................................................
Cada alma traz em si um mundo
Cada  respirar é o mar
em ondas que se agitam
Cada sonhar um pensamento
que se abstrai do ser profundo
O mais  profundo desejo 
de ser único...
.....................................................................
O sol  na calma da tarde
o mar reflete o azul do céu
Águas cristalinas ...teu olhar
Imita o céu reflete o mar
Pedras turmalinas...teu sorriso
E o sol faiscante brilha mais
Aquece-me a alma o teu sorriso
Faz-me feliz...cada vez mais.

Guaraciaba  Perides


SONHO  MEU...


A vida circunscrita
A vida infinita...



domingo, 19 de outubro de 2014

APENAS UM VERSO

 Eu quero um verso que seja  singelo
Que seja simples, sem atavios
Um verso ameno e inocente
Que diga apenas o que se sente...
Que expresse apenas no que revela
O sol que brilha no chão da lua
Deixando doce no céu da boca,
Gosto de estrelas no firmamento.
Que seja alegre como na infância
Brincando em jogos como criança
Que seja limpo como um sorriso
Que seja ouro, que seja prata...
Traga  no verbo como relíquia
Um acalanto de puro encanto
Que traga ao filho e à sua mãe
Toda a magia de um breve instante...

Guaraciaba Perides

O brilho da Estrela

O encanto da Rosa



                                                             

Um doce acalanto...
                                                             




Apenas  um verso...



domingo, 12 de outubro de 2014

HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA - PARTE I V

DESENVOLVIMENTO DAS ESCOLAS DE  SAMBA- Os pilares do desenvolvimento doSamba Urbano.

Para onde iam se estabeleciam em comunidades com suas tradições religiosas culturais
e com seu Carnaval. E foi o Carnaval das camadas populares o caldeirão onde se temperou
o samba urbano do Rio de Janeiro que adquiriu sua expressão artística de espetáculo através
 dos Ranchos Carnavalescos.A marcha  carnavalesca era tocada para aproveitar a evolução
dos ranchos e para atender o gosto das orquestras de salão.

O primeiro Rancho Carnavalesco foi o Rancho Carnavalesco Amena Resedá (1907-1941)
e  levou às ruas o carnaval espetáculo,pois pretendia representar    "Óperas ambulantes"
inclusive com coro e orquestra. Por se considerar um modelo se auto intitulava rancho-escola.
Na época do apogeu desse Rancho, a manifestação africanista sofria dura repressão policial.
Para fugir à repressão as comunidades do samba resolveram adequar estas expressões musicais
a um padrão social mais bem aceito.Criaram então suas  "embaixadas", depois "escolas de samba".

Com o desenvolvimento da indústria fonográfica os sambas começaram a ser gravados.Em 1917
o primeiro samba gravado a obter sucesso foi "Pelo telefone" de Donga e Mário Almeida e fazia
 crítica à corrupção policial da época. Em seu ritmo percebia-se a reminiscência de batuques ne-
gros, estribilhos do folclore nordestino e sapecado do maxixe carioca. Segundo o pesquisador
Nei Lopes, nas três primeiras décadas do século XX, formata-se o samba urbano, oriundo dos
morros e das vilas ganhando formas no Estácio e adjacências através do famoso sambista Ismael
Silva, lapidando-se em torno de Vila Isabel através de Noel Rosa e consolidando-se através de
duas vertente básicas; Ari Barroso e Ataulfo Alves.

Através do interesse fonográfico pelas novas composições divulgam-se as diversas modalidades
 do samba e começaram a se interessar por elas jovens brancos da classe média.Entre eles Noel Rosa
 que representa um elo entre a música  dos morros e do asfalto,
A partir de 1929, estreita seu contato com os sambistas do morro do Salgueiro, Mangueira, Serrinha
e outros, todos logo requisitados como parceiros. Com o sucesso de "Com que roupa" deslancha
uma carreira de sucesso, expressando-se como grande compositor sempre reverente às formas
tradicionais, fazendo parceria com  grandes sambistas, como Ismael Silva e Heitor dos Prazeres.

Foi o sucesso de Noel que preparou o terreno para o surgimento de um samba mais encorpado
e elegante que se expressaria com Ari Barroso, talvez o primeiro das classes abastadas a brilhar
entre os grandes criadores do samba brasileiro.Entre suas grandes composições citam-se
"Aquarela do Brasil" e "Na baixa do Sapateiro" e outros de caráter ufanista, apoteótico, que esti-
mularam o surgimento de outros compositores de mesmo estilo que acabou por desaguar  nas escolas
que desenvolveram o modelo típico da grandes sambas de enredo.

No mesmo contexto histórico , mas de origem social diversa, também de Minas Gerais, viria
Ataulfo Alves, o quarto dos grandes pilares sobre os quais o samba carioca se consolidaria.
No meio musical desde 1934, foi se firmando como intérprete e com seu grupo de "Pastoras"
desenvolveu um estilo único, músicas de letras simples, mas de conteúdo filosófico e melodias
inspiradas.Estabelece como que uma síntese da música da roça às fontes do samba do morro.
No requisito dos conjuntos musicais deve-se citar também nesta primeira fase do desenvolvi-
mento da MPB a presença de  Pixinguinha e os Oito Batutas, que formaram  um conjunto musical
 de bastante sucesso, de expressão internacional, abrindo caminho para a formação de outros importantes grupos. Ente suas grandes composições citam-se "Carinhoso" de Pixinguinha, um
clássico  da Música Popular  Brasileira.
Do ponto de vista social, foi através da música que os sambistas procuraram e muitos consegui-
ram uma expressiva mudança de status econômico e social.No final da década de  20, composi-
tores do morro tinham conseguido penetrar no mundo do rádio e do disco principalmente vendendo suas obras ou dando  parcerias a autores e intérpretes consagrados.

Afirmam os historiadores que com o surgimento do Bando dos Tangarás (de que fazia parte Noel
Rosa)   em 1929 e com a morte do grande sambista de primeira hora, José Barbosa da Silva, o Sinhô,
em agosto de 1930 encerra-se a primeira parte da História da Música Popular  Brasileira.


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 A História continua com a  ERA   DO  RÁDIO



Música de Noel Rosa "Com que roupa "seu primeiro Sucesso




  Ataulfo Alves com "Meus tempos de Criança"

                                       

Pixinguinha e o seu grande sucesso "Carinhoso"



De Ari Barroso "Aquarela do Brasil "  cantado por João Gilberto
 


Por hoje é só...espero que apreciem  . Um bom domingo!
Viva Nossa Senhora Aparecida!
Feliz Dia das Crianças!                                                                              

domingo, 5 de outubro de 2014

CAMINHOS DO AMOR

I- JOGO  DE  CARTAS

Num castelo de Damas e Reis
Os Valetes são coadjuvantes
E o Coringa a tudo observa
E os números resolvem o Jogo.
E as cartas que rolam na mesa
São as que ao destino convém
E às vezes a sorte revela
Afinal, quem é de quem...
Num castelo de damas e reis
As vezes alguém fica só
E o parceiro que lhe é de direito 
Passa a ser o par de outro alguém
E aí o Coringa resolve
Fazendo o acerto final
Pois num jogo de cartas  marcadas
Ninguém pode  ficar sem alguém...



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II- O  AMOR  QUE  NÃO  SE  BASTA

O que vem a ser o amor que não se basta
E a alma dolorida não aquieta
O que vem a ser o amor
que só o corpo exige
e não se basta?
O que será do amor que alucina
e fica à deriva de momentos
que passam como o vento
e não sopram como brisa,
mas, como furacão que só castiga,?.
Será que é amor ou posse
ou  o Ego que maquina
o quanto quer na forma de poder
a  que se inclina?
Verdade ou ilusão que se
traveste de verdade
ou apenas orgulho corrosivo...
Será amor, aquele que não ama
e espera receber como coroa
que engrandece o ser,
faz festa e alucina...
mas não se entrega 
como dádiva Divina ?

Guaraciaba Perides

Para ilustrar  selecionei  Paulinho da Viola  com sua deliciosa música  Dama De Espadas


  E outra música de Amor  suave e doce na  voz de Fausto Bordalo Dias
'Todo este céu"



São infinitos os caminhos do amor onde se misturam  alegrias e dores, ciúmes , desvarios e também todo este céu.