Eu quero um verso que seja singelo
Que seja simples, sem atavios
Um verso ameno e inocente
Que diga apenas o que se sente...
Que expresse apenas no que revela
O sol que brilha no chão da lua
Deixando doce no céu da boca,
Gosto de estrelas no firmamento.
Que seja alegre como na infância
Brincando em jogos como criança
Que seja limpo como um sorriso
Que seja ouro, que seja prata...
Traga no verbo como relíquia
Um acalanto de puro encanto
Que traga ao filho e à sua mãe
Toda a magia de um breve instante...
DESENVOLVIMENTO DAS ESCOLAS DE SAMBA- Os pilares do desenvolvimento doSamba Urbano.
Para onde iam se estabeleciam em comunidades com suas tradições religiosas culturais
e com seu Carnaval. E foi o Carnaval das camadas populares o caldeirão onde se temperou
o samba urbano do Rio de Janeiro que adquiriu sua expressão artística de espetáculo através
dos Ranchos Carnavalescos.A marcha carnavalesca era tocada para aproveitar a evolução
dos ranchos e para atender o gosto das orquestras de salão.
O primeiro Rancho Carnavalesco foi o Rancho Carnavalesco Amena Resedá (1907-1941)
e levou às ruas o carnaval espetáculo,pois pretendia representar "Óperas ambulantes"
inclusive com coro e orquestra. Por se considerar um modelo se auto intitulava rancho-escola.
Na época do apogeu desse Rancho, a manifestação africanista sofria dura repressão policial.
Para fugir à repressão as comunidades do samba resolveram adequar estas expressões musicais
a um padrão social mais bem aceito.Criaram então suas "embaixadas", depois "escolas de samba".
Com o desenvolvimento da indústria fonográfica os sambas começaram a ser gravados.Em 1917
o primeiro samba gravado a obter sucesso foi "Pelo telefone" de Donga e Mário Almeida e fazia
crítica à corrupção policial da época. Em seu ritmo percebia-se a reminiscência de batuques ne-
gros, estribilhos do folclore nordestino e sapecado do maxixe carioca. Segundo o pesquisador
Nei Lopes, nas três primeiras décadas do século XX, formata-se o samba urbano, oriundo dos
morros e das vilas ganhando formas no Estácio e adjacências através do famoso sambista Ismael
Silva, lapidando-se em torno de Vila Isabel através de Noel Rosa e consolidando-se através de
duas vertente básicas; Ari Barroso e Ataulfo Alves.
Através do interesse fonográfico pelas novas composições divulgam-se as diversas modalidades
do samba e começaram a se interessar por elas jovens brancos da classe média.Entre eles Noel Rosa
que representa um elo entre a música dos morros e do asfalto,
A partir de 1929, estreita seu contato com os sambistas do morro do Salgueiro, Mangueira, Serrinha
e outros, todos logo requisitados como parceiros. Com o sucesso de "Com que roupa" deslancha
uma carreira de sucesso, expressando-se como grande compositor sempre reverente às formas
tradicionais, fazendo parceria com grandes sambistas, como Ismael Silva e Heitor dos Prazeres.
Foi o sucesso de Noel que preparou o terreno para o surgimento de um samba mais encorpado
e elegante que se expressaria com Ari Barroso, talvez o primeiro das classes abastadas a brilhar
entre os grandes criadores do samba brasileiro.Entre suas grandes composições citam-se
"Aquarela do Brasil" e "Na baixa do Sapateiro" e outros de caráter ufanista, apoteótico, que esti-
mularam o surgimento de outros compositores de mesmo estilo que acabou por desaguar nas escolas
que desenvolveram o modelo típico da grandes sambas de enredo.
No mesmo contexto histórico , mas de origem social diversa, também de Minas Gerais, viria
Ataulfo Alves, o quarto dos grandes pilares sobre os quais o samba carioca se consolidaria.
No meio musical desde 1934, foi se firmando como intérprete e com seu grupo de "Pastoras"
desenvolveu um estilo único, músicas de letras simples, mas de conteúdo filosófico e melodias
inspiradas.Estabelece como que uma síntese da música da roça às fontes do samba do morro.
No requisito dos conjuntos musicais deve-se citar também nesta primeira fase do desenvolvi-
mento da MPB a presença de Pixinguinha e os Oito Batutas, que formaram um conjunto musical
de bastante sucesso, de expressão internacional, abrindo caminho para a formação de outros importantes grupos. Ente suas grandes composições citam-se "Carinhoso" de Pixinguinha, um
clássico da Música Popular Brasileira.
Do ponto de vista social, foi através da música que os sambistas procuraram e muitos consegui-
ram uma expressiva mudança de status econômico e social.No final da década de 20, composi-
tores do morro tinham conseguido penetrar no mundo do rádio e do disco principalmente vendendo suas obras ou dando parcerias a autores e intérpretes consagrados.
Afirmam os historiadores que com o surgimento do Bando dos Tangarás (de que fazia parte Noel
Rosa) em 1929 e com a morte do grande sambista de primeira hora, José Barbosa da Silva, o Sinhô,
em agosto de 1930 encerra-se a primeira parte da História da Música Popular Brasileira.
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A História continua com a ERA DO RÁDIO
Música de Noel Rosa "Com que roupa "seu primeiro Sucesso
Ataulfo Alves com "Meus tempos de Criança"
Pixinguinha e o seu grande sucesso "Carinhoso"
De Ari Barroso "Aquarela do Brasil " cantado por João Gilberto
Por hoje é só...espero que apreciem . Um bom domingo!
Viva Nossa Senhora Aparecida!
Feliz Dia das Crianças!
A partir da segunda metade do século XX, populações negras migraram da Bahia, oriundas
das culturas de cacau e fumo, então decadentes e dirigiram-se para o Sudeste para compor
a mão de obra utilizada na cafeicultura em expansão. Com a abolição da escravatura e a
decadência do café nas terras fluminenses, a mão de obra que foi liberada desse trabalho
convergiu para a Corte onde os negros oriundos da Bahia uniram-se aos demais africanos
que viviam no Rio de Janeiro, na época capital do Império, concentrando-se na zona central
e portuária onde passaram a trabalhar. O principal bairro dessa concentração era a Saúde. E
foi lá no meio dessa população que se desenvolveu o Samba em suas diversas modalidades.
Do ponto de vista social, o samba anunciava a participação das camadas mais pobres da popu-
lação urbana no cenário da música popular e tanto o samba como outras modalidades, tais como
o maxixe e a marcha originaram-se e consolidaram-se dentro da música popular no período que
vai de 1870 até 1930.
A região onde se concentravam populações negras, cariocas e baianas, se auto denominava de
"Pequena África" e lá se desenvolveram não só as diferentes modalidades de samba como tam-
bém os PRIMEIROS RANCHOS CARNAVALESCOS.
Enquanto a classe média participava do Carnaval coletivamente criando os chamados "corsos"
imitados dos desfiles de carnaval de Veneza, as camadas mais pobres, sem recursos financeiros
para armação de carros alegóricos criaram uma expressão pobre, os "ranchos" que herdaram do folclore rural no processo de sua formação. Os ranchos apresentavam uma modalidade de samba
com ritmo e sapateado estilizado da vigorosa coreografia do batuque.
Em 1899, a maestrina Chiquinha Gonzaga compõe a marcha "Ó ABRE ALAS", a pedido dos
componentes do Cordão ROSA DE OURO e segundo ela própria aproveitou o ritmo marchado
de que os negros imprimiam às músicas que cantavam enquanto avançavam pelas ruas dançando.
Ali na "Pequena África", nas festas domésticas das famílias negras, entre elas, a famosa casa
da Tia Ciata (1854-1924), a presença de grandes compositores como Sinhô, Donga, Heitor dos
Prazeres, Pixinguinha, João da Baiana, garantiram a composição e evolução dos primeiros
sambas.
Entretanto, no início, a diversão era ainda territorialmente estratificada. Nas salas, tocava-se o
Choro, com o conjunto musical composto de flauta, cavaquinho e violão. No quintal, rolava o
samba rural, batido na palma da mão, no pandeiro, no prato, na faca e dançando ainda com as
famosas "umbigadas"
No começo do século XX, na gestão do Prefeito Pereira Passos (1903-1906) houve a demolição
dos cortiços e dos velhos casarões do centro da cidade para a reconstrução e modernização da
cidade do Rio de Janeiro e as populações pobres das zonas centrais foram deslocadas para os
morros ou periferias que se estendiam ao longo das linhas de trem e bondes.
Ficamos por aqui ...na próxima parte veremos o desenvolvimento da Escolas de Samba e o desenvolvimento do samba urbano e seu apogeu nas rádios que o ajudaram divulgar.
VERSÃO AMPLIADA DO POEMA "MADRIGAL EM DÓ , RÉ , MI" publicado em 2011
ambas de minha autoria
MADRIGAL
Docemente o sol vem anunciar o dia
Respira em ondas o mar, doce bonança
Miraculoso som que dobra o monte
Faz-se ouvir ao longe o sino da capela...
Sol da manhã já vem tecendo as cores e
Lá do mirante avista-se à janela
Silhueta da romântica donzela.
Do espaço uma ave cruza o céu em alarido
Sinal de bom tempo se anuncia
Lá fora a brisa espalhando odores
Somente flores deu jardim antigo
Faz-se o som dobrado em badalada
Misterioso timbre como de cristal
Repousa a donzela em seu postigo
Dorme sonho de amor em Madrigal!
A SILHUETA DANÇA
O sol da manhã é tenro como uma criança
E faz o cenário certo da policromia
À passarada que revoa incerta
em busca do alimento e à construção da vida.
Aqui do mirante eu vejo a serraria
Em toques de verde anunciando o dia...
Lá no horizonte o sol já se levanta
O cheiro bom da mata e a neblina é fria...
Ainda do mirante eu vejo a praça nua
São poucos os que passam ao romper da aurora
Os sons dos passos ecoam e se esvaem
Restam na praça as flores do jardim antigo.
Eis que acorda a moça da janela e
A silhueta se move em dança alegre
E na distância em que me encontro agora
Sinto o coração arder dentro do peito
Na emoção do amor que se revela...
Guaraciaba Perides
Em um toque romântico de Modernidade o encantador vídeo de
Carla Bruni em L'Amoureuse