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domingo, 19 de outubro de 2014

APENAS UM VERSO

 Eu quero um verso que seja  singelo
Que seja simples, sem atavios
Um verso ameno e inocente
Que diga apenas o que se sente...
Que expresse apenas no que revela
O sol que brilha no chão da lua
Deixando doce no céu da boca,
Gosto de estrelas no firmamento.
Que seja alegre como na infância
Brincando em jogos como criança
Que seja limpo como um sorriso
Que seja ouro, que seja prata...
Traga  no verbo como relíquia
Um acalanto de puro encanto
Que traga ao filho e à sua mãe
Toda a magia de um breve instante...

Guaraciaba Perides

O brilho da Estrela

O encanto da Rosa



                                                             

Um doce acalanto...
                                                             




Apenas  um verso...



domingo, 12 de outubro de 2014

HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA - PARTE I V

DESENVOLVIMENTO DAS ESCOLAS DE  SAMBA- Os pilares do desenvolvimento doSamba Urbano.

Para onde iam se estabeleciam em comunidades com suas tradições religiosas culturais
e com seu Carnaval. E foi o Carnaval das camadas populares o caldeirão onde se temperou
o samba urbano do Rio de Janeiro que adquiriu sua expressão artística de espetáculo através
 dos Ranchos Carnavalescos.A marcha  carnavalesca era tocada para aproveitar a evolução
dos ranchos e para atender o gosto das orquestras de salão.

O primeiro Rancho Carnavalesco foi o Rancho Carnavalesco Amena Resedá (1907-1941)
e  levou às ruas o carnaval espetáculo,pois pretendia representar    "Óperas ambulantes"
inclusive com coro e orquestra. Por se considerar um modelo se auto intitulava rancho-escola.
Na época do apogeu desse Rancho, a manifestação africanista sofria dura repressão policial.
Para fugir à repressão as comunidades do samba resolveram adequar estas expressões musicais
a um padrão social mais bem aceito.Criaram então suas  "embaixadas", depois "escolas de samba".

Com o desenvolvimento da indústria fonográfica os sambas começaram a ser gravados.Em 1917
o primeiro samba gravado a obter sucesso foi "Pelo telefone" de Donga e Mário Almeida e fazia
 crítica à corrupção policial da época. Em seu ritmo percebia-se a reminiscência de batuques ne-
gros, estribilhos do folclore nordestino e sapecado do maxixe carioca. Segundo o pesquisador
Nei Lopes, nas três primeiras décadas do século XX, formata-se o samba urbano, oriundo dos
morros e das vilas ganhando formas no Estácio e adjacências através do famoso sambista Ismael
Silva, lapidando-se em torno de Vila Isabel através de Noel Rosa e consolidando-se através de
duas vertente básicas; Ari Barroso e Ataulfo Alves.

Através do interesse fonográfico pelas novas composições divulgam-se as diversas modalidades
 do samba e começaram a se interessar por elas jovens brancos da classe média.Entre eles Noel Rosa
 que representa um elo entre a música  dos morros e do asfalto,
A partir de 1929, estreita seu contato com os sambistas do morro do Salgueiro, Mangueira, Serrinha
e outros, todos logo requisitados como parceiros. Com o sucesso de "Com que roupa" deslancha
uma carreira de sucesso, expressando-se como grande compositor sempre reverente às formas
tradicionais, fazendo parceria com  grandes sambistas, como Ismael Silva e Heitor dos Prazeres.

Foi o sucesso de Noel que preparou o terreno para o surgimento de um samba mais encorpado
e elegante que se expressaria com Ari Barroso, talvez o primeiro das classes abastadas a brilhar
entre os grandes criadores do samba brasileiro.Entre suas grandes composições citam-se
"Aquarela do Brasil" e "Na baixa do Sapateiro" e outros de caráter ufanista, apoteótico, que esti-
mularam o surgimento de outros compositores de mesmo estilo que acabou por desaguar  nas escolas
que desenvolveram o modelo típico da grandes sambas de enredo.

No mesmo contexto histórico , mas de origem social diversa, também de Minas Gerais, viria
Ataulfo Alves, o quarto dos grandes pilares sobre os quais o samba carioca se consolidaria.
No meio musical desde 1934, foi se firmando como intérprete e com seu grupo de "Pastoras"
desenvolveu um estilo único, músicas de letras simples, mas de conteúdo filosófico e melodias
inspiradas.Estabelece como que uma síntese da música da roça às fontes do samba do morro.
No requisito dos conjuntos musicais deve-se citar também nesta primeira fase do desenvolvi-
mento da MPB a presença de  Pixinguinha e os Oito Batutas, que formaram  um conjunto musical
 de bastante sucesso, de expressão internacional, abrindo caminho para a formação de outros importantes grupos. Ente suas grandes composições citam-se "Carinhoso" de Pixinguinha, um
clássico  da Música Popular  Brasileira.
Do ponto de vista social, foi através da música que os sambistas procuraram e muitos consegui-
ram uma expressiva mudança de status econômico e social.No final da década de  20, composi-
tores do morro tinham conseguido penetrar no mundo do rádio e do disco principalmente vendendo suas obras ou dando  parcerias a autores e intérpretes consagrados.

Afirmam os historiadores que com o surgimento do Bando dos Tangarás (de que fazia parte Noel
Rosa)   em 1929 e com a morte do grande sambista de primeira hora, José Barbosa da Silva, o Sinhô,
em agosto de 1930 encerra-se a primeira parte da História da Música Popular  Brasileira.


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 A História continua com a  ERA   DO  RÁDIO



Música de Noel Rosa "Com que roupa "seu primeiro Sucesso




  Ataulfo Alves com "Meus tempos de Criança"

                                       

Pixinguinha e o seu grande sucesso "Carinhoso"



De Ari Barroso "Aquarela do Brasil "  cantado por João Gilberto
 


Por hoje é só...espero que apreciem  . Um bom domingo!
Viva Nossa Senhora Aparecida!
Feliz Dia das Crianças!                                                                              

domingo, 5 de outubro de 2014

CAMINHOS DO AMOR

I- JOGO  DE  CARTAS

Num castelo de Damas e Reis
Os Valetes são coadjuvantes
E o Coringa a tudo observa
E os números resolvem o Jogo.
E as cartas que rolam na mesa
São as que ao destino convém
E às vezes a sorte revela
Afinal, quem é de quem...
Num castelo de damas e reis
As vezes alguém fica só
E o parceiro que lhe é de direito 
Passa a ser o par de outro alguém
E aí o Coringa resolve
Fazendo o acerto final
Pois num jogo de cartas  marcadas
Ninguém pode  ficar sem alguém...



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II- O  AMOR  QUE  NÃO  SE  BASTA

O que vem a ser o amor que não se basta
E a alma dolorida não aquieta
O que vem a ser o amor
que só o corpo exige
e não se basta?
O que será do amor que alucina
e fica à deriva de momentos
que passam como o vento
e não sopram como brisa,
mas, como furacão que só castiga,?.
Será que é amor ou posse
ou  o Ego que maquina
o quanto quer na forma de poder
a  que se inclina?
Verdade ou ilusão que se
traveste de verdade
ou apenas orgulho corrosivo...
Será amor, aquele que não ama
e espera receber como coroa
que engrandece o ser,
faz festa e alucina...
mas não se entrega 
como dádiva Divina ?

Guaraciaba Perides

Para ilustrar  selecionei  Paulinho da Viola  com sua deliciosa música  Dama De Espadas


  E outra música de Amor  suave e doce na  voz de Fausto Bordalo Dias
'Todo este céu"



São infinitos os caminhos do amor onde se misturam  alegrias e dores, ciúmes , desvarios e também todo este céu.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

ANTIGAS E NOVAS PRIMAVERAS







Planos facetados de  Cristal
Formam uma jóia rara
E em cada cintilar  de luz
prismada
Uma lembrança antiga
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Pessegueiro em flor...
Florinhas singelas de suave rosa
numa haste fina de brilho marrom
O delicado Artista que compôs a obra
Fez que florisse
a Primavera em mim.
E acendeu memórias de um tempo lindo
em que outras flores coloriam o mundo...

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Naquele tempo em que um cajueiro
que de tão pequenino
restou na cantiga de uma tarde clara
E o ipê amarelo na curva da estrada
compunha um quadro
na parede da sala.
Enquanto isso, uma rosa nascia
e vermelha se abria
ao romper  da aurora...
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De um outro momento
surge um velho artista
Transformando outra lembrança
em poesia...
Pois sendo apenas sua
recriara o sonho em um
quadro lindo
Perpetuando a imagem
límpida de sua infância...
Um cafezal que sob a chuva fina
Se abrira em flor.*
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A gata "Inocência" de olhos profundos,
sentada e calada apenas espiava...

São tempos de lembrança agora.

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No mosaico das lembranças se compõe antigas
e projetam-se belas as novas Primaveras.

Guaraciaba Perides.


Para ilustrar o vídeo de Cascatinha  e Inhana  com Flor do Cafezal , um clássico da música
regional. Composição de Luiz Carlos Paraná


* Referência  ao pintor Manabu Mabe que em entrevista  relatou lembranças de sua infância
quando  com sua família  trabalhava no cafezal e quando chovia aproveitava para pintar.Por isso deu à sua obra de então o nome de Chuva no Cafezal.

sábado, 20 de setembro de 2014

HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA- Parte III

A   ORIGEM  HISTÓRICA DO SAMBA:

A partir da segunda metade do século XX, populações negras migraram da Bahia, oriundas
das culturas de cacau e  fumo, então decadentes e dirigiram-se para o Sudeste para compor
a mão de obra utilizada na cafeicultura em expansão. Com a abolição da escravatura e a
decadência do café nas terras fluminenses, a mão de obra que foi liberada desse trabalho
convergiu para a Corte onde os negros oriundos da Bahia uniram-se aos demais africanos
que viviam no Rio de Janeiro, na  época capital do Império, concentrando-se na zona central
e portuária onde passaram a trabalhar. O principal bairro dessa concentração era a Saúde. E
foi lá no meio dessa população que se desenvolveu o Samba em suas diversas modalidades.
Do ponto de vista social, o samba anunciava a participação das camadas mais pobres da popu-
lação urbana no cenário da música popular e tanto o samba como outras modalidades, tais como
o maxixe e a marcha originaram-se e consolidaram-se dentro da música popular no período que
vai de  1870 até 1930.
A região onde se concentravam populações negras, cariocas e baianas, se auto denominava de
"Pequena África" e lá se desenvolveram não só as diferentes modalidades de samba como tam-
bém os PRIMEIROS RANCHOS  CARNAVALESCOS.
Enquanto a classe média participava do  Carnaval coletivamente criando os chamados "corsos"
imitados dos desfiles de carnaval de Veneza, as camadas mais pobres, sem recursos financeiros
para armação de carros alegóricos criaram uma  expressão pobre, os "ranchos" que herdaram do folclore rural no processo de sua formação. Os ranchos apresentavam uma modalidade de samba
com ritmo e sapateado estilizado da vigorosa coreografia do batuque.

Em 1899, a maestrina Chiquinha Gonzaga compõe a marcha "Ó  ABRE  ALAS", a pedido dos
componentes do Cordão ROSA DE  OURO e segundo ela própria aproveitou o ritmo marchado
de que os negros imprimiam às músicas que cantavam enquanto avançavam pelas ruas dançando.

Ali na  "Pequena África", nas festas domésticas das famílias negras, entre elas, a famosa  casa
da Tia Ciata (1854-1924), a presença de grandes compositores como Sinhô, Donga, Heitor dos
Prazeres, Pixinguinha, João da Baiana, garantiram a composição e evolução dos primeiros
sambas.
Entretanto, no início, a diversão era ainda territorialmente estratificada. Nas salas, tocava-se o
Choro, com o conjunto musical composto de flauta, cavaquinho e violão. No quintal, rolava o
samba rural, batido na palma da mão, no pandeiro, no prato, na faca e dançando ainda com as
famosas  "umbigadas"

No começo do século XX, na gestão do Prefeito Pereira Passos (1903-1906) houve a  demolição
dos cortiços e dos velhos casarões do centro da cidade para a reconstrução e modernização da
cidade do Rio de Janeiro e as populações pobres das zonas centrais foram deslocadas para os
morros ou periferias que se estendiam ao longo das linhas de trem e bondes.

Ficamos por aqui ...na próxima parte veremos o desenvolvimento da Escolas de Samba e o desenvolvimento do samba urbano e seu apogeu nas rádios  que  o ajudaram divulgar.





O ABRE ALAS...gravado em 1913 pela Casa Edson

O primeiro samba gravado  (1917)    Pelo Telefone




Por hoje é só...mas a história continua...                                      

domingo, 14 de setembro de 2014

R O M A N C E

VERSÃO AMPLIADA DO POEMA  "MADRIGAL EM  DÓ , RÉ , MI"   publicado em 2011
ambas de minha autoria


MADRIGAL

Docemente o sol vem anunciar o dia
Respira em ondas o mar, doce bonança
Miraculoso som que dobra o monte
Faz-se ouvir ao longe o sino da capela...
Sol da manhã já vem tecendo as cores e
Lá do mirante avista-se à janela
Silhueta da romântica donzela.
Do espaço uma ave cruza o céu em alarido
Sinal de bom tempo se anuncia
Lá fora a brisa espalhando odores
Somente flores deu jardim antigo
Faz-se o som dobrado em badalada
Misterioso timbre como de cristal
Repousa a donzela em seu postigo
Dorme sonho de amor em Madrigal!

A  SILHUETA  DANÇA

O  sol da manhã é tenro como uma criança
E faz o cenário certo da policromia
À  passarada que revoa incerta
em busca do alimento e à construção da vida.
Aqui do mirante eu vejo a serraria
Em toques de verde  anunciando o dia...
Lá no horizonte o sol já se levanta
O cheiro bom da mata e a neblina é fria...
Ainda do mirante eu vejo a praça nua
São poucos os que passam ao romper da aurora
Os sons dos passos ecoam e se esvaem
Restam  na praça as flores do jardim antigo.
Eis que  acorda a moça da janela e
A silhueta se move em dança alegre
E na distância em que me encontro agora
Sinto o coração arder dentro do peito
Na emoção do amor que se revela...


Guaraciaba Perides

Em um toque romântico de Modernidade o encantador vídeo de
Carla Bruni em L'Amoureuse






Afinal, sonhar é preciso!


                                                 

sábado, 6 de setembro de 2014

O MÁGICO SHOW

 MAGIC SHADOW  SHOW

Chorus;
In and  out, above, below
Phantom figures come and go,
Just  a magic  shadow show
Come, love, watch with me.

It may be sad, it may be fun,
The leaves of life fall one  by one,
The wine of life too soon is done
In the magic shadow show.

A loaf of bread and you and me
A jug of wine beneath the tree,
We will sit and will see
A magic shadow show

A thousand blossoms of today
Will soon be scatered into clay
Today becomes a yesterday
Magic shadow show

Leave tomorrow and yesterday
With old Khayyam come sip today
Listen to my Rubayat,
Magic shadow show

Could you and  I with fate conspire
Remould this  scheme of things entire
Nearer to hearth's desire

Matt McGinn

Nota: esta canção foi adaptada de um poema de Omar Khayyam



Proposta de tradução:

Refrão:
 Dentro e fora, acima , abaixo
Figuras ilusórias vem e vão
Somente um mágico show de sombras
Venha, amor, assistir comigo

Pode ser triste, pode ser divertido,
As folhas da vida caem uma a uma,
O vinho da vida tão breve se vai
no mágico show de sombras

Um pedaço de pão e você e eu
Um jarro de vinho embaixo de uma árvore
Nós sentaremos e veremos
Um mágico show de sombras

Mil flores que hoje florescem
Breve estarão esparsas no chão
O hoje se torna  ontem
Um mágico show de sombras

Deixe o amanhã e ontem,
Com o velho Khayyam vamos bebericar hoje
Ouvir o meu Rubaiyat
Um mágico show  de sombras

Poderia você e eu conspirar com o destino
Remodelar inteiramente este esquema de coisas
mais perto do desejo do coração
Com um mágico show de sombras

(traduzido por Guaraciaba Perides)


      Ouça a música  e aprecie o show de sombras              

                                                         

Refletindo sobre a letra , vamos aproveitar o  presente e usufruir nele o dom da vida !