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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

ANTIGAS E NOVAS PRIMAVERAS







Planos facetados de  Cristal
Formam uma jóia rara
E em cada cintilar  de luz
prismada
Uma lembrança antiga
.......................................

Pessegueiro em flor...
Florinhas singelas de suave rosa
numa haste fina de brilho marrom
O delicado Artista que compôs a obra
Fez que florisse
a Primavera em mim.
E acendeu memórias de um tempo lindo
em que outras flores coloriam o mundo...

.................................................................

Naquele tempo em que um cajueiro
que de tão pequenino
restou na cantiga de uma tarde clara
E o ipê amarelo na curva da estrada
compunha um quadro
na parede da sala.
Enquanto isso, uma rosa nascia
e vermelha se abria
ao romper  da aurora...
..................................................................

De um outro momento
surge um velho artista
Transformando outra lembrança
em poesia...
Pois sendo apenas sua
recriara o sonho em um
quadro lindo
Perpetuando a imagem
límpida de sua infância...
Um cafezal que sob a chuva fina
Se abrira em flor.*
................................................................

A gata "Inocência" de olhos profundos,
sentada e calada apenas espiava...

São tempos de lembrança agora.

......................................................................
No mosaico das lembranças se compõe antigas
e projetam-se belas as novas Primaveras.

Guaraciaba Perides.


Para ilustrar o vídeo de Cascatinha  e Inhana  com Flor do Cafezal , um clássico da música
regional. Composição de Luiz Carlos Paraná


* Referência  ao pintor Manabu Mabe que em entrevista  relatou lembranças de sua infância
quando  com sua família  trabalhava no cafezal e quando chovia aproveitava para pintar.Por isso deu à sua obra de então o nome de Chuva no Cafezal.

sábado, 20 de setembro de 2014

HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA- Parte III

A   ORIGEM  HISTÓRICA DO SAMBA:

A partir da segunda metade do século XX, populações negras migraram da Bahia, oriundas
das culturas de cacau e  fumo, então decadentes e dirigiram-se para o Sudeste para compor
a mão de obra utilizada na cafeicultura em expansão. Com a abolição da escravatura e a
decadência do café nas terras fluminenses, a mão de obra que foi liberada desse trabalho
convergiu para a Corte onde os negros oriundos da Bahia uniram-se aos demais africanos
que viviam no Rio de Janeiro, na  época capital do Império, concentrando-se na zona central
e portuária onde passaram a trabalhar. O principal bairro dessa concentração era a Saúde. E
foi lá no meio dessa população que se desenvolveu o Samba em suas diversas modalidades.
Do ponto de vista social, o samba anunciava a participação das camadas mais pobres da popu-
lação urbana no cenário da música popular e tanto o samba como outras modalidades, tais como
o maxixe e a marcha originaram-se e consolidaram-se dentro da música popular no período que
vai de  1870 até 1930.
A região onde se concentravam populações negras, cariocas e baianas, se auto denominava de
"Pequena África" e lá se desenvolveram não só as diferentes modalidades de samba como tam-
bém os PRIMEIROS RANCHOS  CARNAVALESCOS.
Enquanto a classe média participava do  Carnaval coletivamente criando os chamados "corsos"
imitados dos desfiles de carnaval de Veneza, as camadas mais pobres, sem recursos financeiros
para armação de carros alegóricos criaram uma  expressão pobre, os "ranchos" que herdaram do folclore rural no processo de sua formação. Os ranchos apresentavam uma modalidade de samba
com ritmo e sapateado estilizado da vigorosa coreografia do batuque.

Em 1899, a maestrina Chiquinha Gonzaga compõe a marcha "Ó  ABRE  ALAS", a pedido dos
componentes do Cordão ROSA DE  OURO e segundo ela própria aproveitou o ritmo marchado
de que os negros imprimiam às músicas que cantavam enquanto avançavam pelas ruas dançando.

Ali na  "Pequena África", nas festas domésticas das famílias negras, entre elas, a famosa  casa
da Tia Ciata (1854-1924), a presença de grandes compositores como Sinhô, Donga, Heitor dos
Prazeres, Pixinguinha, João da Baiana, garantiram a composição e evolução dos primeiros
sambas.
Entretanto, no início, a diversão era ainda territorialmente estratificada. Nas salas, tocava-se o
Choro, com o conjunto musical composto de flauta, cavaquinho e violão. No quintal, rolava o
samba rural, batido na palma da mão, no pandeiro, no prato, na faca e dançando ainda com as
famosas  "umbigadas"

No começo do século XX, na gestão do Prefeito Pereira Passos (1903-1906) houve a  demolição
dos cortiços e dos velhos casarões do centro da cidade para a reconstrução e modernização da
cidade do Rio de Janeiro e as populações pobres das zonas centrais foram deslocadas para os
morros ou periferias que se estendiam ao longo das linhas de trem e bondes.

Ficamos por aqui ...na próxima parte veremos o desenvolvimento da Escolas de Samba e o desenvolvimento do samba urbano e seu apogeu nas rádios  que  o ajudaram divulgar.





O ABRE ALAS...gravado em 1913 pela Casa Edson

O primeiro samba gravado  (1917)    Pelo Telefone




Por hoje é só...mas a história continua...                                      

domingo, 14 de setembro de 2014

R O M A N C E

VERSÃO AMPLIADA DO POEMA  "MADRIGAL EM  DÓ , RÉ , MI"   publicado em 2011
ambas de minha autoria


MADRIGAL

Docemente o sol vem anunciar o dia
Respira em ondas o mar, doce bonança
Miraculoso som que dobra o monte
Faz-se ouvir ao longe o sino da capela...
Sol da manhã já vem tecendo as cores e
Lá do mirante avista-se à janela
Silhueta da romântica donzela.
Do espaço uma ave cruza o céu em alarido
Sinal de bom tempo se anuncia
Lá fora a brisa espalhando odores
Somente flores deu jardim antigo
Faz-se o som dobrado em badalada
Misterioso timbre como de cristal
Repousa a donzela em seu postigo
Dorme sonho de amor em Madrigal!

A  SILHUETA  DANÇA

O  sol da manhã é tenro como uma criança
E faz o cenário certo da policromia
À  passarada que revoa incerta
em busca do alimento e à construção da vida.
Aqui do mirante eu vejo a serraria
Em toques de verde  anunciando o dia...
Lá no horizonte o sol já se levanta
O cheiro bom da mata e a neblina é fria...
Ainda do mirante eu vejo a praça nua
São poucos os que passam ao romper da aurora
Os sons dos passos ecoam e se esvaem
Restam  na praça as flores do jardim antigo.
Eis que  acorda a moça da janela e
A silhueta se move em dança alegre
E na distância em que me encontro agora
Sinto o coração arder dentro do peito
Na emoção do amor que se revela...


Guaraciaba Perides

Em um toque romântico de Modernidade o encantador vídeo de
Carla Bruni em L'Amoureuse






Afinal, sonhar é preciso!


                                                 

sábado, 6 de setembro de 2014

O MÁGICO SHOW

 MAGIC SHADOW  SHOW

Chorus;
In and  out, above, below
Phantom figures come and go,
Just  a magic  shadow show
Come, love, watch with me.

It may be sad, it may be fun,
The leaves of life fall one  by one,
The wine of life too soon is done
In the magic shadow show.

A loaf of bread and you and me
A jug of wine beneath the tree,
We will sit and will see
A magic shadow show

A thousand blossoms of today
Will soon be scatered into clay
Today becomes a yesterday
Magic shadow show

Leave tomorrow and yesterday
With old Khayyam come sip today
Listen to my Rubayat,
Magic shadow show

Could you and  I with fate conspire
Remould this  scheme of things entire
Nearer to hearth's desire

Matt McGinn

Nota: esta canção foi adaptada de um poema de Omar Khayyam



Proposta de tradução:

Refrão:
 Dentro e fora, acima , abaixo
Figuras ilusórias vem e vão
Somente um mágico show de sombras
Venha, amor, assistir comigo

Pode ser triste, pode ser divertido,
As folhas da vida caem uma a uma,
O vinho da vida tão breve se vai
no mágico show de sombras

Um pedaço de pão e você e eu
Um jarro de vinho embaixo de uma árvore
Nós sentaremos e veremos
Um mágico show de sombras

Mil flores que hoje florescem
Breve estarão esparsas no chão
O hoje se torna  ontem
Um mágico show de sombras

Deixe o amanhã e ontem,
Com o velho Khayyam vamos bebericar hoje
Ouvir o meu Rubaiyat
Um mágico show  de sombras

Poderia você e eu conspirar com o destino
Remodelar inteiramente este esquema de coisas
mais perto do desejo do coração
Com um mágico show de sombras

(traduzido por Guaraciaba Perides)


      Ouça a música  e aprecie o show de sombras              

                                                         

Refletindo sobre a letra , vamos aproveitar o  presente e usufruir nele o dom da vida !


sábado, 30 de agosto de 2014

HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA - PARTE II

continuação...
O lundu, dança de origem africana foi nos primórdios muito diferente daquela que proliferou
em  Portugal a partir de 1790 e no Brasil em todo o século XIX.
O lundu do Brasil colônia  assemelhava-se a alguns batuques observados pelo viajante por-
tuguês Alfredo Sarmento no interior do Congo e de Angola e onde se ressaltava a presença
da umbigada e mais a característica de solo de canções improvisadas feitas na sequência de um
estribilho cantado em coro.
Entretanto, esses batuques festivos já estavam no Brasil desde o século  XVI, moldando-se às
características sociais do país ao longo do tempo, aparecendo descritos em obras literárias do
século XIX, as vezes como samba rural ou como "chorado baiano"- (Aluísio de Azevedo em
O CORTIÇO )- um lundu cantado cantado e tocado com acompanhamento de violão e palmas,
antepassado do samba primitivo.
Já no século XIX, entre 1817  1820- dois viajantes e pesquisadores austríacos Johann B. Von
Spix e Carl Friedrich P. Von Martius enviados pelo rei da Baviera para efetuar levantamentos
da flora, fauna. mineralogia e etnologia do Brasil, efetuaram pesquisas em São Paulo. Minas -
Gerais, Pernambuco, Piauí, Maranhão e amazonas. Seus trabalhos foram publicados em
Munique entre 1823 e 1831, neles fizeram também observações sobre a música da época.
Martius elaborou um anexo musical intitulado "Canções  Populares Brasileiras e Indígenas".
Uma dessas peças é a " Lundum Brasilianische Volkstanz"  - lundu, dança popular brasileira,
o único instrumental da coletânea  e o mais antigo registro musical que se conhece desse tipo
de dança no Brasil. Não  se deve confundir o lundu canção que voltara transformada  de Por-
tugal e que nada lembrava a dança de negros  à base de umbigada.
Tanto a modinha como o lundu para voltarem às suas raízes mais populares, necessitaram de
ao final do século XIX, do trabalho de atores e músicos do Teatro de Revista (Xisto Bahia, ator)
que as modificaram para conquistar o grande público do Rio de  Janeiro.
A modinha erudita composta para o piano sofreu a influência da polca e fez a fortuna de palhaços
de circo transformados em cantores da moda, como por exemplo, Eduardo da Neves.
Essa recriação, entretanto, só foi possível porque nas camadas mais populares do Rio de Janeiro,
constituídas , na sua maioria, por negros e mestiços, estava surgindo uma espécie de artista;os
músicos dos conjuntos de pau e corda (flauta de ébano, violão e cavaquinho) que por tocarem
qualquer gênero em estilo chorado passaram a ser chamados de "os chorões".
Presença obrigatória nas casas de família da pequena classe média carioca precederam o  apa-
recimento das  casas de chopes e dos bailes de entrada paga, depois  chamados de gafieiras.
Estes  "chorões" acabaram por criar um estilo próprio de tocar e o esforço que faziam para
adaptar os  ritmos da  moda da época à tendência dos brancos,dos negros e mestiços de compli-
car os passos  com volteios e requebros resultou em um novo gênero ; o MAXIXE
Quando a síntese chegou ao fim, após a elaboração  que se deu ao longo de vinte anos,o maxixe
como música resultante dava uma sensação de erotismo tão grande quanto aquela observada pelos
estrangeitos do século XVIII quando conheceram o lundu.
Nos clubes carnavalescos o maxixe iria ganhar uma versão  mais estilizada passando daí, para
os Teatros de Revista onde era tocado pela orquestras e ganhando letra. Em 1883 o ator Francisco
Correia Vasques incluiu no  Teatro Sant'Anna um maxixe de sua autoria e só o maxixe deixou de
ter presença obrigatória no teatro musicado a partir dos anos  20 desbancado por outro gênero
de música : O SAMBA


A coreografia do Maxixe

                                       

Um maxixe composto por Chiquinha Gonzaga
                                       


Em outra postagem continuaremos falando sobre a origem do Samba continuando a história.


sábado, 23 de agosto de 2014

TEMPOS DE DELICADEZA


I-
Delicadeza de flor
quando se abre em botão
Perfume do lírio do campo
Gosto de amora madura
Água jorrada da fonte
Colibri de asas azuis
Girassóis, girassóis, girassóis...
estendendo-se pelos vales.
Uma tela de Van Gogh,
Valsa tocada em piano
Champagne dourado na taça
Timbre de sino de ouro
Girassóis, girassóis, girassóis...
Eis todo nosso tesouro.

II-

Pássaro de asas de algodão
plumas de leve brisa
voando ao vento da estação.
Pairando alto na amplidão do céu
mitiga sua ânsia de infinito...
Na linha do horizonte
o perfil da cordilheira
faz moldura ao sol nascente.
Abaixo a cerração cobrindo o vale...
E o sol em sua luz dourada
Faz o brinde final da madrugada!

III-

Uma libélula numa flor de lis
Transparência e névoa na manhã de abril
o campo é verde e claro como deve ser
e o céu sem nuvens brilha em tons de anil.
Sob a gota de orvalho cujo  peso é leve
a flor se inclina sob a vaga brisa...
Raio de sol, ainda morno e de sentir macio
acaricia a flor como se faz amor.
A libélula esvoaça em liberdade plena,
vai de flor em flor e à vida  se proclama
com asas delicadas tremulando ao vento
seu tempo breve em alegria extrema...


TODO O SENTIMENTO


IV-

Na asa do meu pensamento
vou como o ar que respiro
Vou como uma nuvem ao vento
Sentindo que tudo passa
Mas que apesar permanece
dentro da alma a prece
do mais puro sentimento
da vida
que os sons embalam
o pulsar dentro do peito...
Vou vivendo este momento,
fazendo de cada tempo
o tempo de ser feliz.

Guaraciaba Perides.

É isso!
                                                 

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

O ROUXINOL E A ROSA ( Um conto de Oscar Wilde " The nightingale and the rose"



" Ela disse que poderia dançar comigo se eu lhe trouxesse rosas vermelhas" exclamava o jovem estudante
"mas em  todo meu jardim não há uma única rosa vermelha"
De um carvalho o rouxinol o escutava espantado através das folhas.
"Não há rosa vermelha em todo o meu jardim" ele exclamava e seus olhos se enchiam de lágrimas.
"Ah!- como a felicidade depende de pequenas coisas! Eu li tudo o que os homens deixaram e todos
os segredos da filosofia são meus e no entanto, por querer uma rosa vermelha minha vida está des-
truída.".
" Eis aqui um verdadeiro amor" - disse o rouxinol
"Noite após noite eu canto por ele, mas eu não o conheço, eu tenho contado sua história para as  es-
trelas e agora eu o vejo"
"Seu cabelo é  escuro como o jacinto florido e seus lábios são vermelhos como a rosa do seu desejo
mas a paixão tornou sua face pálida como o mármore"
" O  Príncipe vai dar um baile amanhã a noite" murmurou o jovem estudante - "e meu amor será a
companhia. Se eu levar uma rosa vermelha ela dançará comigo até o amanhecer e ela repousará sua
cabeça  sobre o meu ombro e ficaremos de mãos dadas. Mas não há rosa vermelha no meu jardim,
então eu sentarei solitário e ela passará por mim sem me dar atenção e meu coração ficará partido"
"Aqui sem dúvida está o amor verdadeiro " disse o rouxinol." Do que eu canto ele sofre- o que é
alegria para mim, é dor para ele"-   "Certamente o amor é maravilhoso. É mais precioso do que
esmeraldas e mais desejável do que as finas opalas, pérolas e romãs não o podem comprar e nenhum
pode ser pesado na balança e comprado por ouro"
" Os músicos sentarão em seus lugares" disse o jovem estudante e tocarão seus instrumentos e meu
amor dançará ao som da harpa e do violino. Ela dançará tão levemente que não sentirá tocar o chão
e  no seu alegre vestido  que girará em volta dela. Mas comigo ela não dançará, pois eu não tenho uma
rosa vermelha para dar a ela " e caiu sobre a grama e escondeu sua face em suas mãos e chorou.
- Por que  ele está chorando? perguntou um  lagartinho verde enquanto passava por ele com sua cauda no ar.
-Por que chora ? disse a borboleta que estava voejando sobre um raio de sol
-Por que chora ? disse a  margarida para sua companheira, numa voz leve e baixa.
"Ele está chorando por uma rosa vermelha" disse o rouxinol.
" Por uma rosa vermelha?" eles exclamaram"Como isso é ridículo! e o pequeno lagarto que tinha algo
de cínico, sorria sem reserva.
Mas o rouxinol entendia o segredo da mágoa do estudante e sentou silencioso no carvalho e pensou
sobre o mistério do amor.
De repente abriu suas asas marrons e elevou-se  no ar.Passou através  do prado como uma sombra e como uma sombra ele navegou sobre o jardim.
No centro do gramado havia uma bela roseira e quando viu tantas rosas sobre ela disse :
"Dê-me uma rosa vermelha e cantarei para você  minha mais doce canção"
A roseira balanço a cabeça -" Minhas rosas são brancas" ela respondeu " tão brancas como as espumas
do mar e mais branca do que a neve sobre a montanha.. Mas a minha irmã que cresce em volta do velho
relógio de sol, talvez lhe dê o que você deseja"
Então, o rouxinol voou para a roseira que crescia em volta do velho relógio do sol.
" Dê-me uma rosa vermelha!- ele exclamou "eu lhe cantarei a minha mais doce canção"
Mas a roseira balançou a cabeça
"Minhas rosas são amarelas", ela respondeu . "São amarelas como os cabelos da sereia que senta sobre
o seu trono de âmbar e mais amarelo do que os narcisos que florescem no campo. Mas , vá até a minha
irmã que cresce debaixo da janela do estudante e talvez ela lhe dè o que você quer"
Então o rouxinol voou sobre a roseira que crescia embaixo da janela do estudante.
"Dê-me uma rosa vermelha" ele exclamou .
"Cantarei para você  a minha mais doce canção"
Mas a rosa balançou a cabeça.
"Minhas rosas são vermelhas" ela respondeu," tão vermelhas como os pés da  pomba e mais vermelhos do que os abanos de coral que ondeiam e ondeiam na caverna - oceano""mas os invernos têm gelado  minhas
veias e gelo congelado minhas papilas e a tempestade tem partido os meus ramos e eu não terei rosas por
todo este ano".
"uma rosa vermelha é tudo o que eu quero" exclamou o rouxinol. "Somente uma rosa vermelha- não há um jeito para eu consegui-la?"
"Há um jeito" respondeu a roseira."mas é tão terrível que eu não ouso falar para você"
"Conte-me" disse o rouxinol "Eu não tenho medo"
"Se você  quer uma rosa vermelha" disse a roseira "você deve construí-la com música ao luar e colori-la
com o próprio sangue do seu coração" "Você  deve cantar para mim com seu peito contra o espinho. A
noite toda você deverá cantar para mim e o espinho perfurará profundo o seu peito e o sangue do seu
coração deverá fluir para as minhas veias e vir para mim"
" A morte é um preço muito alto para pagar por uma rosa vermelha" exclamou o rouxinol.
"E a vida é muito preciosa para isto. É agradável na verde madeira e assistir o sol em sua carruagem
de ouro puro e a lua em sua carruagem  de pérola.Doce é o perfume do espinheiro alvar e doces são
os sininhos que se espalham pelo vale e a brisa que sopra na montanha. Mas, se o amor é maior que
a vida, o que é coração de um pássaro comparado ao coração de um homem?"
Ele então alçou suas asas marrons e voou. Ele passou pelo jardim como uma sombra e como uma sombra ele viajou através do campo.
o Jovem estudante estava ainda deitado na grama onde o rouxinol o tinha deixado e ainda havia lágrimas
em seus lindos olhos.
"Seja feliz" - exclamou o rouxinol "Seja Feliz" - Você terá sua rosa vermelha. Eu a farei ao som da música
ao luar e a vivificarei com o sangue do  meu coração.Tudo que eu lhe peço em troca é que  você seja um
verdadeiro amante , pois o amor é mais sábio que a Filosofia e embora ela seja mais sábia que o Poder, embora ele seja mais poderoso, coloridas como chamas são suas asas e coloridas como chamas em seu corpo . Seus lábios são doces como o mel  e seu hálito como incenso"
O estudante olhou de onde estava e escutou, mas não pode entender o que o rouxinol estava dizendo
pois ele somente sabia de coisas escritas em livros.
Mas o carvalho entendeu e sentiu pena, pois ele era muito apegado ao rouxinol que tinha construído o seu ninho em seus galhos.
" Cante- me uma última canção" ele murmurou,  "eu me sentirei muito solitário quando você se for"
Então o rouxinol cantou para o carvalho e sua voz era como água jorrando de uma jarra de prata.
Quando ele terminou a canção o estudante levantou e apanhou um livro de notas e um lápis de seu bolso.
"Ele tem seu jeito de ser" ele disse para si mesmo enquanto caminhava através da alameda."isto não é danoso,mas ele tem algum sentimento? Ele é como a maioria dos artistas, tem todo o estilo, sem nenhuma sinceridade. Ele não se sacrificaria pelos outros.Ele vive meramente de sua música, e todos sabem que artistas são egoístas. Ainda, que se admita que ele canta bem.Que pena que eles não entendam nada e não tenham utilidade"
E ele se foi para o seu quarto, deitou-se em sua cama dura e começou a pensar em seu amor e depois de
um tempo adormeceu.
E quando a lua brilhou nos céus, o rouxinol voou para a roseira e apertou o seu peito de encontro ao
espinho.Por toda longa noite ele cantou com seu peito  apertado pelo espinho e a fria lua de cristal inclinou-
se e  ouviu. Por toda noite ele cantou e o espinho foi penetrando fundo e mais fundo no seu peito e seu sangue fluiu para ele.
Ele cantou sobre o nascimento do amor entre um rapaz e uma moça.E no topo da roseira floresceu uma maravilhosa rosa, pétala por pétala como uma canção seguida por canção. Primeiramente, era pálida, como as neblinas sobre o rio,  pálida como os pés da manhã e prateadas como as asa do amanhecer. Como a
sombra de uma rosa num espelho de prata, como a sombra de uma rosa em uma poça de água.
Assim era a rosa que nascia no alto da roseira.
mas a roseira gritou para o rouxinol apertar-se mais contra o espinho " Mais apertado pequeno rouxinol"
gritou a roseira "ou o dia virá antes da rosa estiver acabada"
Então, o rouxinol apertou-se mais contra o espinho e mais alto e mais alto ele cantou para o nascimento
da paixão entre um um homem e uma mulher.
E delicado fluxo vermelho foram para as folhas da rosa como  o corado da face do noivo quando ele
beija  os lábios da noiva..  Mas o espinho ainda não tinha alcançado o seu coração, então a rosa perma-
necia branca  pois, somente o sangue do coração de um rouxinol pode avermelhar o coração de uma rosa.
Então, a roseira gritou para o rouxinol " mais apertado pequeno rouxinol" gritou a roseira    "ou o dia virá
 sem a rosa estar terminada"
Então, o rouxinol apertou mais fundo o seu peito contra o espinho e o espinho alcançou o seu coração e uma forte e aguda dor atingiu-o. Amarga e amarga era a sua dor e selvagem e selvagem cresceu sua
canção , pois ele cantava a canção do amor que era aperfeiçoado pela morte, do amor que não morre
na tumba.
e a maravilhosa rosa tornou-se carmesim como uma rosa do céu do leste. Vermelho. era o círculo de pétalas e vermelha como  era o coração.
A voz do rouxinol enfraqueceu e suas asa começaram a debater  e um véu passou por seus olhos.
Mais fraca e mais fraca era sua voz e ele sentiu alguma coisa travar a sua garganta.
Então, ele deu um último trinado.
A lua branca escutou e esqueceu do amanhecer e prolongou-se no céu. A rosa vermelha escutou e tremulou em êxtase e abriu suas pétalas para o ar frio da manhã.
Um eco produziu para suas cavernas púrpuras nas montanhas e acordou os pastores de ovelhas de seus
sonhos. E flutuou  através dos juncos das margens do rio e conduziu sua mensagem para o mar.
"Veja, veja! " gritou a roseira -" a rosa está terminada". Mas o rouxinol não respondeu pois estava caído
morto sobre a grama com o espinho no coração.
Mais tarde, o estudante abriu a janela e olhou para fora.
"Oh! que sorte maravilhosa! " ele exclamou -"aqui está uma rosa vermelha. Eu nunca vi uma rosa como
esta em toda minha vida.   É tão bela que eu tenho certeza que ela tem  um longo nome em latim"
E ele inclinou-se e a colheu.
Então, ele pôs o chapéu e correu para a casa do professor com a rosa em sua mão.
A filha do professor estava sentada na soleira da porta enrolando linha de seda azul em um carretel
e seu cachorrinho estava deitado aos seus pés.
" Você disse  que dançaria comigo se eu trouxesse para você uma rosa vermelha" exclamou o estudante.
Aqui está a rosa mais vermelha do mundo. Você usará a noite  junto do seu coração e nós dançaremos juntos e eu direi a você como a amo"
Mas a menina olhou com desdém.
" Temo que não combine com o meu vestido" ela respondeu   " e além disso, o sobrinho de Chamberlain
enviou-me uma jóia verdadeira e todos sabem que  jóias custam mais que flores"
"Bem, palavra de honra que você é uma grande ingrata" disse o estudante furioso e atirou  na rua a rosa
que caiu na sarjeta e uma roda de carro passou sobre ela.
" Ingrata !" disse a moça  "Eu lhe digo que você é muito rude; e depois de tudo, quem é você? Somente
um estudante. Ora, eu  acredito que você nem tenha fivelas de prata para os seus sapatos como o sobrinho
de Chamberlain possui" .
E ela levantou-se da cadeira e entrou para dentro da casa.
" Que coisa tola é o amor" disse o estudante enquanto ia embora. "não é  um meio tão útil quanto  a
lógica, pois não prova nada, e está sempre contando a alguém coisas que não acontecem e fazendo
alguém acreditar em coisas que não são verdadeiras. De fato, é pouco útil e, como nesta época ser
prático é tudo, eu voltarei para a Filosofia e o estudo da Metafísica."
Então ele retornou para o seu quarto e apanhou um grande e poeirento livro e começou a ler.

The Nightingale and  the rose by Oscar WIlde

(Traduzido do original por Guaraciaba Perides)