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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

A questão do tempo na antiga poesia chinesa - LI - HE (790-816)

O TEMPO NÃO PARA   (canção em estilo antigo)

Reflexo branco a oeste sobre os montes
e a lua em jaspe alonga-se á distância
desde o passado o tempo sempre avança
mil anos seguem pelo vento e perdem-se
no mar areias transformam-se em pedra
peixes em Qin passaram sob a ponte*
e a luz no céu vagando ainda mais longe
mesmo ao pilar de bronze erode o tempo**

LI-HE (in Antologia da poesia  clássica chinesa- Dinastia Tang)

*Refere-se a história da visita que realizou em 215 a.C. o imperador Qin  Shi Huang,
fundador da Dinastia Qin (246-210 a. C.), unificador da China e responsável pelo
início da Grande  Muralha, á cidade costeira da província de Hebei hoje chamada
Qin Huang Dao em sua homenagem. Obcecado com o elixir da imortalidade (lenda
taoista), ali realizou uma homenagem ao deus do Oceano. mandou construir uma ponte
de pedra em direção ao mar e que por ela enviados seus partissem para as ilhas dos
imortais á procura do elixir.
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** O imperador Han Wu Di, da Dinastia Han, no esforço de obter a imortalidade,man
dou fazer, em homenagem a uma divindade taoista, grande estátua de bronze em cujo
topo está um prato para recolher orvalho puro, que serviria ao "elixir da imortalidade"
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Notas de rodapé sobre o poema  in Antologia da poesia clássica chinesa -Dinastia Tang

comentário pessoal: considero as notas de rodapé importantes para  a compreensão da be
leza do texto poético sendo os fatos que o geraram tão poéticos quanto.


Most beautiful chinese music -You will ever hear -2-



quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

A N O N O V O

São luzes no céu
anunciando um novo dia
Não simplesmente  mais um,
mas aquele que renova
um ciclo entre o sonho
e a miragem...
O Homem necessita
de ritos de passagem
que alimentem a alma
de esperança e magia
e que tragam  luz aos  planos
multifacetados de vivências...
Encadeados em fitas
desdobram-se planos
em planos paralelos,
o eu sou...mas também sou...
e quem sabe sou em todos
os lugares, em todas as paisagens.
Círculos de vida em círculos de luz...
Fachos de  luz no céu resplandecente
Anunciando o Novo que na Aurora
Vai renovar o Sonho e o Mito

Guaraciaba  Perides

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

É NATAL!

Dizia o velho Machado
"Mudou o Natal ou mudei  eu"*
Tantos Natais de tantas eras...
Do Natal, afinal, o que se espera?
Tempo de Natal criança
de inocência plena de esperança
De esconder segredo e de dormir mais cedo
para esperar Noel.
De preparar doçuras para agradar
àquele que chegou cansado
de percorrer o mundo a carregar presentes...
Tempo de Natal criança.
de acordar contente e de brincar feliz.
Afinal, tempo de anjos pendurados
nos galhos verdes da árvore de papel
ou de festim...
e de pastores com suas ovelhinhas
a vigiar no  céu a Estrela fulgurante
e a sua luz que aponta
a manjedoura onde nasceu Jesus.
Um Natal, onde a esperança é tanta
que o coração em festa torne-se criança.
aquela mesma que um dia acreditou
que a vida, enfim, era um brinquedo
e a Fé uma verdade que nunca se perdeu...
E desfazendo o medo e a dor existencial do tempo
possamos no Natal voltar a ser crianças
e recolher nas almas a esperança,
no momento de brindar mais um Natal!

Guaraciaba Perides

 
*frase de um  poema de Natal de Machado de Assis

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

B R O T O DE A M O R Milagre da Vida


Um  broto de amor
Que seja nascido
De bela semente
Do amor que se sente
Num raro momento
De fé pressentida,
Gerando no espaço
a idéia de  um ser
em que a Luz se fez!
Que  haja carinho
Em cada sentido
E em cada instante
Revele-se a vida,
da nova presença,
de nova alegria,
que encha de risos
a união consentida...
Que brote a esperança
na roda do tempo
E um nove sentido
pra tudo que exista
Dispondo-se o Eterno
ao bem que consente...
Dando força e poder
ao Milagre da Vida

Guaraciaba Perides (2006)

Para enternecer o coração esta linda música de Zeca Afonso "o Meu menino é d'oiro"




quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

NOTURNOS

QUANDO A NOITE CAI

Quando a noite cai
Estrelas aparecem
quando a noite cai
Às vezes também tem luar
E o brilho suave da prata
Ameniza o ouro do sol
quando a noite cai...
Flores perfumam o ar
Muitos amores ocorrem
quando a noite cai...
sonhos de outros caminhos
Parecem surgir
Notas de outras canções
o vento trás
Quando a noite cai
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DESCE A NOITE

Piscam , piscam vagalumes
sob a noite escura
Coaxando sapos
nas charnecas,
grilos perfurando do silêncio
o breu...
Adormece a mata.
Águas vão rolando
seixos na ribeira,
peixes se aquietam
junto à areia branca
Aves noturnas que grasnam
atravessando o espaço
Estrela cadente anunciando
um sonho
Sob um céu de estrelas...
Toda noite desce.
E se houver festa de lua
Prateada luz banhando
a noite densa...
Seres da floresta dançam
seus folguedos,
murmurando prece a Deus,
cantando seus segredos...
Na beleza que perpassa a noite
Quando a noite desce

Guaraciaba Perides

Para usufruir da noite...O  maravilhoso NOTURNO DE CHOPIN


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

PERSEVERANÇA * ( sonetos de Camões)

O tempo acaba o ano, o mês e a hora
A força, a arte, a manha, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo o mesmo tempo de si chora;
O tempo busca e acaba o onde mora   
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.
O tempo claro dia torna escuro,
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grão bonança.
Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança.
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-Que esperais, esperança?   -Desespero.
-Quem disso a causa foi?    -Uma mudança.
-Vós, vida, como estais?     -Sem esperança.
-Que dizeis, coração?          -Que muito quero.
-que sentis, alma, vós?        -Que amor é fero.
-E, enfim, como viveis?      -Sem confiança.
-Quem vos sustenta, logo?  -Uma lembrança.
-E só nela esperais?             -Só nela espero.
-Em que podeis parar?        -Nisso em que estou.
-E em que estais vós?          -Em acabar a vida.
-E tende-lo por bem?-           -Amor o quer.
-Quem vos obriga assim?     -Saber quem sou.
-E quem sois?                       -Quem de todo está rendida.
-A quem rendida estais?       -A um só querer.

Luís de Camões   (1524? -1580)

* In LIVRO DAS VIRTUDES  - uma antologia de  William  Bennett  - no tópico
Perseverança.

Para complementar o vídeo com poema de Camões cantado pela inesquecível
Amália Rodrigues.



sobre Perseverança.

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terça-feira, 19 de novembro de 2013

O MENINO E O REALEJO (crônica de PAULO BOMFIM)

No terraço do apartamento entre rolinhas, bem-te-vis, e tico-ticos, pousa de vez em quando,
o bando de periquitos.
Devam morar no Parque da Avenida ou nas árvores do Paulistano onde, quando nado de cos-
tas, sinto o azul do céu recortado de penas  verdes e cantos estridentes.
No início, esses turistas eram ariscos, partindo a qualquer gesto que fizéssemos.
Com o tempo, tomaram intimidade, degustando com requinte as sementes colocadas em sua
homenagem, fato que mereceu registro da sensibilidade de Renato Nalini no livro Ética Am-
biental.
Mas entre os periquitos há um que me fita com olhos de velho amigo.
Indago da memória onde havia visto aquele olhar. Teria sido na paineira da fazenda, ou no
ombro da menina loira vestida de vermelho?
Por  manhãs seguidas vamos nos fitando com olhos de indagação.
Um dia, quando o rádio soluçou a valsa esgarçada no cotovelo do tempo, lembrei do realejo
que tocava debaixo das janelas da casa dos avós. E fui novamente criança rodeada de outras
crianças, aguardando o papelzinho que o periquito oferecia com augúrios picotados por seu
bico.
Remoto descendente daquele habitante do realejo, tenta me estender na valsa da manhã, a
intenção da sorte.
Um menino sorriu dentro das rugas,

Paulo Bomfim  (in  Jornal Tribuna do Direito - outubro de 2013)

Sobre músicas de realejo colocamos o vídeo  com a música do repertório brasileiro de música
popular.