Amigos

domingo, 25 de agosto de 2013

S O L I D Ã O

DESCASCA UMA CEBOLA,
FAZ A FEIRA,
BATE UM BOLO,
TECE A TEIA...
LAVA A LOUÇA,
VARRE A SALA,
PISA LEVE,
O FILHO DORME...
PASSA A ROUPA,
ENQUANTO PASSA
CANTA UMA CANÇÃO...
TECE UM SONHO,
CRIA RENDA,
LAVA ROUPA,
FAZ UM DOCE...
SOBRA UM TEMPO,
BRILHA O ESPELHO.
SAI O FILHO...
TECE A TEIA... A SOLIDÃO.

Guaraciaba Perides ( 2004)


Um belo sol de domingo e Tom Zé cantando uma música melancólica

Possamos todos criar espaços de vida plena em nossas vidas ...e agradecer á vida
e às pessoas que nos rodeiam e preenchem de amizade  e amor  o nosso tempo
neste espaço.Façamos por merecer. Um belo sol de domingo!









terça-feira, 20 de agosto de 2013

SARAU NA TARDE I I

1-  Letra para uma Valsa Romântica   (Manuel  Bandeira)

A tarde agoniza
Ao santo acalanto
Da noturna brisa
E eu, que também morro
Morro sem consolo,
Se não vens, Elisa!

Ai, nem te humaniza
O pranto que tanto
Nas faces desliza
Do amante que pede
Suplicantemente
Teu amor, Elisa!

Ri, desdenha, pisa!
Meu canto, no entanto,
Mais te diviniza,
Mulher diferente,
Tão indiferente,
Desumana, Elisa!

2-Soneto da Fidelidade  - Vinicius de Moraes


3 - Além da Terra, além do  Céu   (Drummond de Andrade)

Além da Terra, além do Céu
no trampolim do sem fim das estrelas,
No rastro dos astros,
Na magnólia das nebulosas
Além, muito além do sistema solar,
Até onde alcançam o pensamento e o coração
Vamos!
Vamos conjugar
O verbo fundamental e essencial,
O verbo transcendente,
Acima das gramáticas e do medo e
da moeda e da política
O verbo  sampreamar,
O verbo pluriamar,
a razão de ser e de viver.


4 - Palavra Cantada   show de Paulo Tatit *

* Para amenizar o toque extramamente romântico uma história cantada que  a seu modo
não deixa de ser romântica o quanto a vida pode ser...

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

VOAVAM ASSIM COMO BAILASSEM ...

BORBOLETAS  EM  TRÊS  MOMENTOS:

I- NO  TEMPO  DAS BORBOLETAS  (letra para música infantil)

No tempo das borboletas
Havia muitas no meu quintal
Pousavam de flor em flor
Descansavam no meu varal...
E entre o verde do verde
Sonhavam de ser azuis
E no azul do seus sonhos
Asas brilhantes de luz...
No tempo das borboletas
Eu tinha um grande jardim...
E elas as borboletas
Voavam só ´para mim.
Borboletas, borboletas, quantas são...
Dançam na minha história
Cantam na minha canção...

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II-  BUTTERFLIES

Bailavam como se voassem
Voavam assim como  bailassem
Flores mimosas que criaram asas
em um jardim...
Abrindo pétalas de alegria
Fazendo tempo de delicadeza
de lua azul...

E ao sol brilhante
Pousavam leve
Beijando urzes
Num toque breve,
como sorrissem, como vivessem
protagonistas de um brinde à vida...
Esvoaçando, no verde 
verde de uma campina,
vão leves e soltas
as  Butterflies beijando rosas
levando o pólen de amores outros
para  outros vales que se abriram
em novas cores...
Bailavam como se voassem
Voavam assim como bailassem
E assim se foram...
No espaço em branco, as Butterflies
traçando em brilhos
parábolas de luz!
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III- Um terceiro momento com pessoas que me pareceram "borboletas"*

III*-Bailavam como se voassem com pessoas na música e dança "Tony's in town

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

AINDA SONHO... E AINDA ROSAS..... *.

Pisa de leve
Pisa macio
Não faz ruído
O mundo dorme

Badalam horas...
O tempo aquieta
O sono vem
É outra história...

Lá onde a lua espia mansa
E a gente vive
no contraponto
de outra memória...

Apenas somos
e mais que vivos
contracenamos
como atores
em cenas densas
de nenhum senso
de realidade...

Outra paisagem
que vagamente...
familiarmente
é tão real...

Como num sonho
Daquele outro,
que a gente vive,
em outro tempo  e
em outro espaço.

Badalam horas...
É o sol que nasce
do outro lado
da mesma esfera

Guaraciaba Perides (2008)

E AINDA ROSAS....

Não quero rosas
nem flores de pensamento
Quero-as na matéria
perfeita do seu ser.
No seu perfume  místico
Na sua forma pura,
Energia de uma idéia
que se fez tão bela!
Quero-as no ciclo
que compõe a vida,
em botões nascentes
potencial de graça,
expressão formosa
de vigor pujante...
Quero-as sobretudo ao tempo
de permitir à brisa
espalhar ao léu
o seu arome doce e
de mistério oculto...
E  quando chegar a hora...
que se desfaça ao vento

* SONHO  porque é bom
   ROSA  porque é  bela.



                                        Rosa e amarela- Consuelo de Paula

Guaraciaba Perides (2008)

domingo, 28 de julho de 2013

ESPECULAÇÕES EM TORNO DA PALAVRA HOMEM

Mas que coisa é o homem,
que há sob o nome:
uma geografia?

Um ser metafísico?
uma fábula sem
signo que a desmonte?

Como pode o homem
sentir-se a si mesmo
quando o mundo some?

Como vai o homem
junto de outro homem,
sem perder o nome?

E não perde o nome
e o sal que ele come
nada lhe acrescenta

nem lhe subtrai
da doação do pai?
como se faz um homem?

Apenas deitar,
copular, à espera
de que do abdômen

brote a flor do homem?
Como se fazer
a si mesmo, antes

de fazer o homem?
Fabricar o pai
e o pai
e o pai e outro pai

e um pai mais remoto
que o primeiro homem?
Quanto vale o homem?

Menos, mais que o peso?
Hoje mais que ontem?
Vale menos velho?

Vale menos morto?
Menos um que outro,
se o valor do homem

é medida  de homem?
Como morre o homem,
como começa a?

Sua morte é fome
que a si mesmo come?
Morre a cada passo?

Quando dorme, morre?
Quando morre, morre?
A morte do homem

Consemelha a goma
que ele masca, ponche
que ele sorve, sono

que ele brinca, incerto
de estar  perto, longe?
Morre, sonha o homem?

Por que morre o homem?
Campeia outra forma
de existir sem vida?

Fareja outra vida
não já repetida,
em doido horizonte?

Indaga outro homem?
Por que morte e homem
andam de mãos dadas

e são tão engraçadas
as horas do homem?
Mas que coisa é o homem?

Tem medo da morte,
mata-se sem medo?
Ou medo é que o mata

com punhal de prata,
laço de gravata,
pulo sobre a ponte?

Por que vive o homem?
Quem o força a isso,
prisioneiro insonte?

Como vive o homem
se é certo que vive?
Que oculta na fronte?

E por que não conta
seu todo segredo
mesmo em tom esconso?

Por que mente o homem?
mente mente mente
desesperadamente?

Por que não se cala,
se a mentira fala,
em tudo que sente?

Por que chora o homem?
Que choro compensa
o mal de ser homem?

mas que dor é o homem?
Homem como pode
descobrir que dói?

Há alma no homem?
E quem pôs na alma
algo que a destrói?

Como sabe o homem
o que é sua alma
e o que  é alma anônima?

Para que serve o homem?
para estrumar flores,
para tecer contos?

Para servir o homem?
Para criar Deus?
Sabe Deus do homem?

E sabe o demônio?
Como quer o homem
ser destino, fonte?

Que milagre é o homem?
Que sonho, que sombra?
Mas existe o homem?

Carlos Drummond de Andrade

Em função do poema de Drummond encontrei este magnífico vídeo sobre
o ser humano em uma cápsula do tempo, de sua vivência   e de sua existência...
Para refletirmos em função das especulações poéticas do poeta e a dimensão
de nossa presença histórica no mundo.



domingo, 21 de julho de 2013

UM SONHO DELICADO

Um sonho delicado
de beleza etérea
Muita doçura no ar...
No céu um sol radiante
Uma alegria sincera
Festa de amor e de paz
Sorrisos de boa vontade
que diziam sem dizer:
-Eu amo todos vocês!
Amáveis no trato e nos olhos
Esperavam...
Jovens  passavam apressados
trazendo buquês de flores
que para o arranjo da festa
fariam  belo destaque
-Que festa essa, Meu Deus?
Sem pompa e nenhum enredo
tão simples em sua beleza
na pureza das pessoas
em círculo reunidas...
Flashs de luz
Doçuras de bem querer!
Um sonho de vida pura
Um simples estar no mundo
num sentido mais profundo...
Quando voltei desse sonho (?)
Só pude me perguntar:
-Qual instância percorrida
por minha mente adormecida
minha alma pode alcançar ?

 
 
Guaraciaba  Perides (2013)

quarta-feira, 17 de julho de 2013

De Flores e Espinhos

SOBRE   O  TEMA  SELECIONEI   ALGUNS  TEXTOS  E CANÇÕES


4º  Motivo da Rosa

Não te aflija com a pétala que voa
Também é ser deixar de ser assim
Rosa verás, só de cinza franzida
Mortas intactas pelo teu jardim
Eu deixo aroma até nos meus espinhos,
ao longe, o vento vai falando em mim
É por perder-me  é que me vão lembrando
Por desfolhar-me é que não tenho fim

Cecília Meirelles

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Primavera

É primavera agora, meu amor!
O campo despe a veste de estamenha;
Não há árvore nenhuma que não tenha
O coração aberto todo em flor!

Ah! Deixa-te vogar, calmo, ao sabor
Da vida...não há bem que nos não venha
Dum  mal que o nosso orgulho em vão
desdenha!
Não há bem que não possa ser melhor!

Também despi meu triste burel pardo,
E agora cheiro a rosmaninho e a  nardo
E ando agora tonta, à tua espera...

Pus rosas cor-de-rosa em meus cabelos...
Parecem  um rosal! vem desprende-los!
Meu amor, meu Amor, é  Primavera!

Florbela Espanca

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COROAI-ME  DE ROSAS

Coroai-me de rosas,
Coroai-me em verdade
     De rosas  -
Rosas que se apagam
Em fronte a apagar-se
      Tão cedo!
Corai-me de rosas
E de folhas  breves.
       E basta.

Fernando Pessoa (Ricardo Reis)
12-6- 1914

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LA JARDINERA   _Violeta Parra


 
 
 
 
 
A flor e o Espinho  ...Um samba nostálgico de Nelson Cavaquinho

Espero que gostem!