Chegou na cidade
Um homem de fama
Que tudo fazia
Que tudo iludia...
O povo correu para
ver o tal mágico,
suas artes de encanto,
de força e magia...
A noite, em luzes,
o palco se abria...
e de tudo que encanta
o homem fazia.
Brotavam no ar
roseiras com flores...
miragens de cores com
sons de alaúde
e o povo aplaudia,
com gosto e energia.
Na noite seguinte
promete o mágico,
vai ter algo novo
que nunca se vira...No dia seguinte,
como foi prometido
diante do povo
o artista prepara
a tal da magia.
Alguém da plateia
foi seu coadjuvante.
Assentou-se no palco
entregou-se ao ato...
O mágico, então, de imediato,
o pôs a dormir...
A hipnose era um fato
e ninguém conhecia.
Foi aí, que então,
começou a função
O mágico ordenava e
o homem fazia...
Fosse o que fosse
o homem nem ria,
o mágico exultava
e o povo aplaudia.
E a história cresceu,
tomou um tal rumo
que as coisas perderam
o ser da razão...
E o pobre do homem
virou uma "coisa"
na mão do tal mágico
Fez coisas abjetas
que ao povo aturdia...
O descalabro era tanto
que já nem sabia
aquele que tinha
o respeito do povo
e irmanado com todos
há muito vivia.
Finda a sessão...o povo saiu
cabisbaixo e condoído
da sorte daquele que
de tantos abusos
sequer suspeitava.
No último dia,
do mágico no circo...
a sessão prometia.
Ao senhor da cidade
as pessoas contaram
o que o artista fizera
com sua autonomia....
Quase ao fim do espetáculo
de encanto e magia,
o mágico anuncia
fazer com seu "par"
uma nova experiência,
colocar na hipnose
a pessoa em questão
no limite de alguém
em sua própria consciência.
O mesmo senhor,
do dia anterior,
apresenta-se ao mágico
para sua valia.
Imediato dormiu,
imediato fez tudo
que seu mestre pedia...
O mágico exultava
O povo olhava
O cerco fechava
A exigência aumentava
a ponto de...
Então ocorreu
o que ninguém esperava,
o bravo senhor que ainda dormia,
sacou de seu bolso,
uma arma de fogo
e atirou no seu mestre
a quem antes servia...
Guaraciaba Perides (2013)
* O texto foi feito como lembrança de
um livro que li há muitos anos .
Apenas ficou marcado não a sequência
dos fatos mas apenas a moral da história.
Só nos cabe refletir em silêncio...