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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Flor da Montanha- Edelweiss

Sobe a montanha o cavaleiro andante
Rompe barreiras e pedras ponteagudas
Acha o caminho que o leva adiante
nas veredas que circundam o passo.
Não se descuida do perigo á frente
mas admira sempre a paisagem.
Quando está só, sem companhia, canta
pois que a canção abranda o seu cansaço.
De vez em quando,pára e descansa
para dar  ânimo ao novo recomeço.
E observa o sol e a lua em cada lance
e as estações que correm em seu curso,
e sob a chuva e sob o vento enxerga
da natureza a perfeição da imagem.
Pois, com certeza, no alto da montanha
encontrará o que o levou à busca.
Mas, afinal, do caminhar qual é o sentido?
O que  se busca, então nesse percalco?
Será, talvez, a flor que tudo encanta
e se supõe Amor, talvez, que seja a vida?


Guaraciaba Perides (2001)




sábado, 24 de novembro de 2012

República das Margaridas *


Silenciosas margaridas
Singelas e inodoras
Brotam em todos os lugares
Florescem por toda  parte
.............................................
Na faina diária constroem seu tempo
sorrindo, chorando, cozendo, tecendo,
fazendo seu filho, assando seu pão.
À margem da história, na roca dos sonhos,
desenham bordados, fiando ilusão.
Constroem castelos, elevam-se pontes,
consolam tristezas,curando feridas,
na lágrima oculta escondem a emoção.
No canto mais puro, no choro mais brando,
no riso mais claro, no escuro e na sombra,
elevam-se em prece, cultivam a oração.
....................................................................................
Brotam margarida por todos os  cantos,
de tempos remotos vicejam e se abrem,
enfeitam janelas, ocupam as praças,
nos cantos, nas frestas, à luz dos jardins...
E flores tão belas, transformam o medo,
cultivam a esperança, germinam mais fundo,
no amor e no sonho lideram seus pares,
destroem tiranos, desprezam temores
e acima dos reinos governam o mundo.

Guaraciaba Perides (2001)

*Sem conotação ideológica,República das Margaridas faz referência metafórica
às mulheres do povo em suas atividades ao longo do tempo e da história.


Para complementar como um exemplo,  apresento um vídeo com a música
Bread and Roses ( Pão e  Rosas) cuja letra foi originada de um poema escrito em              
1911 por James Oppenhein e publicado no The American Magazine ..O slogan
Pão e Rosas foi associado à greve  da Laurence Textil em 1912 na qual a participação
das mulheres trabalhadoras foi intensa.o poema denuncia as condições precárias de
trabalho e reinvindica  o atendimentos das necessidades das famílias.
Na década de 70 o poema foi musicado por Mimi Fari e se tornou um hino para os
direitos trabalhistas nos Estados Unidos e  em outros lugares (pesquisa Google)

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Música, Poesia e Pancadaria


Música, Poesia e Pancadaria 

Em meados da década de 60 fiz parte de um grupo de estudantes paulistas, que viajou para o sul do país em excursão ... naqueles tempos uma jovenzinha recém saída da faculdade ... e em dois ônibus cerca de 60 jovens alegres e barulhentos saíram da Rua Maria Antônia, antiga sede da Filosofia e Ciência e Letras da USP rumo ao sonho de cruzar a fronteira e alcançar a Argentina através da foz do Rio da Prata. A ideia era atingir o extremo sul, atravessar a fronteira, conhecer Montevidéu e através da foz do Rio da Prata alcançar a Argentina até Buenos Aires. 
Ao chegar na divisa, um problema. Não podíamos passar, pois o país vizinho estava em "estado de sítio" e havia fechado a fronteira. Enquanto os organizadores da excursão (dois colegas da Física) tentavam resolver a questão junto às autoridades uruguaias, ficamos em uma das cidades da divisa, alojados em uma escola, pois era período de férias. Durante três dias passamos por algumas experiências que ficaram na minha memória . 
Estudantes sitiados em uma cidade da divisa, estranhamente vazia. Na cidade não se via mulher alguma em nenhum lugar. As lojas e bares fechados. As casas de estilo colonial mantinham as portas abertas, mas olhando-se para dentro não se conseguia ver ninguém nenhum ruído de rotina familiar. Parece que toda a vida da cidade se cristalizara em outro tempo e espaço. 
Acostumados com o barulho intenso da cidade grande os estudantes não podiam entender o que ocorria. Onde estariam as pessoas da cidade e o porquê de tanto silêncio. Pairava um clima de desconfiança e perigo no ar.
Um estanceiro rico, talvez lembrando-se de seus tempos de juventude, resolveu recepcionar os estudantes com um churrasco típico em um dos bares da cidade. Tudo a portas fechadas. 
Alí, os jovens conheceram a única mulher que viram na cidade: a mulher do dono do bar e que era paulista. 
A noite estava belíssima, o churrasco magnífico e o vinho farto e generoso. 
De repente criou-se um clima de magia e encantamento. O dono do bar apareceu como que trajado para uma festa a rigor, magro e moreno como um toureiro espanhol e emocionado começou a declamar em castelhano. Os mais lindos versos de Neruda brotavam como cascata de luz e um ambiente de sonho acompanhava a emoção do artista. Seus olhos brilhavam como se estivesse com febre e o timbre de sua voz acompanhava o seu momento de glória. Um poeta perdido nos confins do Brasil em uma oportunidade talvez única de sua vida, de mostrar o seu talento de intérprete. 
"Puedo escribir los bersos mas tristes esta noche" declamava o poeta. Os estudantes entoavam em coro: " a estrela Dalva no céu se esconde ... e a lua anda tonta com tamanho esplendor" ...."me gustas quando calas porque estás como distante, distante e dolorosa como se hubieras muerto" declamava o poeta e, no contraponto respondiam os jovens:  "as pastorinhas para o consolo da lua, vão cantando na rua ... lindos versos de amor". 
Festa acabada, permaneceram apenas alguns poucos querendo prolongar a magica noitada. 
No dia seguinte, veio então a triste notícia: um grupo de jovens fazendeiros feridos em, seu amor-próprio por não terem sido convidados para a festa, resolveram fazer valer seus direitos de senhores feudais. Invadiram o bar, e quebraram tudo: mesas, copos, garrafas. Encheram de pancada o infeliz poeta, apagando para sempre, talvez, a estrela que ousara brilhar fazendo resplandecer o brilho verdadeiro da poesia e das emoções plenas. 
Como se dissessem: Aqui só nós podemos ser. Não há lugar para poetas nas fronteiras do poder !


* Felizmente nossa autorização foi concedida e rapidamente atravessamos a divisa, no caso, uma ponte(rs) rumo ao Uruguai.
Nota:Já estávamos na época da ditadura.


Guaraciaba Perides (2012) 


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A busca de Julieta *

O olhar revela
à alma o seu sentido.
E o que ela vê
no oculto se esconde
na trama do destino.
E o que ela vê,
se ela não sabe
do que se faz o mundo?
 Abre os olhos
e no vazio da forma
apenas um sonho
que se faz profundo..
dos medos e desejos
muitas lembranças,
muitos sussurros
que a confundem.
Do que viveu, do que sonhou,
fica à espera nos olhos mansos,
de um novo espanto,
um novo encanto
em que as brumas
clareiem os passos
e os fantasmas desembaracem
todos os fios do seu destino.
E ela livre...
livre ao vento
abra a sua alma
a um novo tempo.

Guaraciaba Perides (2012)
.
* Baseado no filme "Julieta dos Espíritos"  de Federico  Fellini(1965)

segue fragmento  do filme:

domingo, 11 de novembro de 2012

Física Quântica...(esta idéia me fascina) *

Será que tudo pode acontecer
ao mesmo tempo?
Aquele teu sorriso perdido no caminho,
quem sabe reconstrói
aquilo que findou.
Será?
Será que o teu olhar
com brilho de estrela
de novo põe à alma
sorriso em tua face?
Será?
Será que já nós dois
no tempo que passou
podemos novamente
viver o nosso amor?
Será?
Em outro plano,
passado no presente,
futuro no pretérito,
tudo ao mesmo tempo.
Será que tudo enfim
se perde no mistério...será?
E os sonhos bons de outrora
são flores no presente...
são risos em nossas almas,
verdades em nossas mentes...
E assim como um cadinho,
pitadas de magia,
tudo se mistura
e o nosso amor  perdura...
Será?

Guaraciaba Perides (2012)
*apenas poesia

Para complementar o texto um vídeo sobre o assunto

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Pelos caminhos...perdidos

O olhar fixa o horizonte
e o sol se põe no ocidente
O céu se cobre com seu escuro manto
e  saudades do dia, então, eu sinto.
Memórias de tempos já vividos,
dentro de mim, vão remoendo
sonhos, que de sonhos revestidos
foram ficando pelo caminho...
perdidos.
Brilhos cintilam pela noite densa
Vão apontando rotas, sugerindo rumos
que eu não vejo, mas contudo sinto.
E há um sol, eu sei, em algum lugar,
talvez no peito, na alma, que ainda ama,
tanto o calor do sol que a vida chama,
mas também o, silêncio e o brilho
das estrelas...

Guaraciaba Perides (2003)

sábado, 3 de novembro de 2012

Eu sou um Rei *

Descobri  que sou um rei
Já desconfiava,
mas agora, tenho certeza.
Todos me olham,
sorriem para mim
e batem palmas
quando passeio
em passos lentos
pelo jardim.
Se titubeio,
todos se alarmam
- Tomem cuidado com o guri!
e se preocupam se faço drama,
só para ver, olhos aflitos,
todos cercando ,
com mil agrados
à minha volta,
na volta e meia
do meu nariz...
Se tenho fome, eis que reclamo
em altos brados... e a comitiva
põe´se a correr... depois
por birra, só por deleite,
faço difícil beber o leite
que a mamãe traz para mim.
Mas a certeza de todo  o afeto
que conquistei neste meu reino,
é a presença de um  braço amigo,
de um seio terno que me aconchega
quando adormeço.
Suavemente me beija a face,
me abençoa, dando-me alento...
Então eu sei
que eu sou um Rei
E sou feliz.


Guaraciaba Perides  (2012)

* Integrado ao poema no qual expresso o meu sonho de que se sentissem assim
todas as crianças do mundo eis a linda canção do poeta ,compositor e cantor
Zeca Afonso  - Menino do Bairro Negro