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sábado, 26 de fevereiro de 2011

Barcos de papel (Guilherme de Almeida)

Quando a chuva cessava e um vento frio
franzia a tarde tímida e lavada,
Eu saía a brincar pela calçada
Nos meus tempos felizes de menino

Fazia de papel toda uma armada
e, estendendo meu braço pequenino
eu soltava os barquinhos sem destino,
ao longo das sargetas, na enxurrada...

fiquei moço.E hoje sei, pensando neles,
Que não são barcos de ouro meus ideais
Que são feitos de papel,tal como aqueles
Perfeitamente, exatamente iguais...

Que os meus barquinhos, lá se foram êles!
Foram-se embora e não voltaram mais!


Guilherme De Almeida (1890 - 1969)

2 comentários:

  1. Barcos de papel,trazem a lembrança de minha juventude e de meus sonhos de jovem,que me seguiram pela vida afora.
    Alguns de meus sonhos não consegui realizar, mas fico feliz porque vejo que meus filhos os realizaram por mim.


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  2. Barcos de papel, um dos maiores alentos nos meus momentos depressivos. Dificil é conter as lágrimas. Obrigado poeta.

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